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30.10.19

Bolsonaro X Grupo Globo

Termômetro

Citação do nome do presidente Bolsonaro em investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco continuará dominando o noticiário, amanhã. Após forte impacto – e reação – inicial, a questão evoluirá para um embate aberto, com vários e imprevisíveis atores. Serão eles:

1) O ministro Sérgio Moro, o procurador Augusto Aras e o MP do Rio de Janeiro.  Declarações do ministro, do procurador e, sobretudo, informações do MP criaram clivagem no noticiário e fortalecem posição do presidente. Isso porque foi exposta gravação que mostraria o porteiro do condomínio do presidente interfonando para a casa de Ronnie Lessa (acusado pelo assassinato) e não para a de Bolsonaro.

No entanto, opositores investirão em narrativa de que o MP foi açodado e precisa investigar a questão. Vão lançar suspeitas, em maior ou menor grau, quanto à isenção do órgão e especialmente do ministro Moro;

2) Grau de sucesso de tal contestação, no entanto, estará diretamente relacionado à reação da mídia. Com destaque para o Grupo Globo, de onde partiu a notícia e que foi brutalmente atacado pelo presidente Bolsonaro. Tendência é de que busque fatos novos. Sejam eles ligados à questão levantada em si, seja em outras apurações que associem o presidente e seus filhos a “rachadinhas” em gabinetes e à proximidade com milicianos.

O nível de confronto de parte a parte se tornou tão agudo que recuos ou iniciativas conciliatórias parecem quase impossíveis.

3) Ainda que indiretamente, dois outros temas se associarão ao debate: CPI das Fake News  e o chamado Gabinete do Ódio, que seria comandado pelo vereador Carlos Bolsonaro com o intuito de agir contra opositores em redes sociais; questionamentos sobre movimentações percebidas como autoritárias da parte do presidente. É provável que se adensem, entre comentaristas, comparações de Bolsonaro com Chavez.

4) Forte reação de núcleo duro do presidente na comunicação – que já começou hoje. Pode-se esperar novo salto de mobilização e agressividade. Não parece estar no horizonte dos brasileiros a retomada de grandes manifestações – seja qual for o espectro ideológico. No entanto, velocidade dos acontecimentos, somada a notícias diárias sobre protestos em países vizinhos, pode mudar esse cenário de uma hora para a outra.

5) Militares e Congresso. Vão se aprofundar, amanhã, sondagens sobre a visão de militares acerca do caso. Podem ir para dois lados: preocupação quanto à agressividade do presidente em relação à mídia e ao Grupo Globo; apoios a declarações – e ações – mais duras de Bolsonaro frente ao que seria visto como acusação sem fundamentos e manipulação de informações.

6) Enfrentamento aberto com o governador Witzel. Estarão em pauta, amanhã: Acusações de que o governador vazou propositalmente a citação a Bolsonaro em investigações; movimentações de Witzel, que precisará se defender e rebater mais diretamente posicionamento de Bolsonaro; Ilações sobre impacto do embate para o já combalido estado do Rio de Janeiro.

7) Iniciativas no âmbito do Congresso, que serão provocadas diretamente pelo Psol. A questão aqui será o grau de sucesso que o partido obterá, no Parlamento e junto à mídia. Pode ou não ser fator para aumentar a pressão sobre o presidente. A verificar, também, se o rescaldo desse tema influenciará debate sobre próximas reformas e projetos – como a reforma administrativa e o pacote anticrime.

Vazamento de óleo e batalha de versões

Deve se intensificar amanhã a batalha de versões no que se refere a manchas de óleo que se espalham sem cessar pelo litoral brasileiro. Além de questionamentos sobre erros ou omissões em protocolos de reação, vão se ampliar estudos e projeções sobre impactos para o turismo e para o meio ambiente, no médio e longo prazos.

Especificamente, pode gerar desdobramentos a avaliação do Lapis (Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélite), da Universidade Federal de Alagoas, indicando que mancha negra detectada por satélite no mar, ao sul da Bahia, pode indicar origem do vazamento. Seria conclusão bombástica, mas até o momento a Marinha, o Ibama e diversos analistas negam a possibilidade.

Emprego e confiança na economia

Sai amanhã a PNAD Contínua de setembro, com destaque para a taxa de desemprego. Expectativa é de que tendência de queda gradual – e lenta – se mantenha, chegando à casa de 11,8% (frente a 11,9% em agosto). Se confirmado, o número não terá maiores impactos no mercado. Também vale conferir, nesta quinta:

1) O Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br) de outubro, da FGV. Índice subiu 2,7 pontos em setembro, em parte devido às dúvidas quanto ao cenário internacional. 2) O Índice de Confiança Empresarial de outubro (FGV), que, ao contrário, subiu 0,1 ponto em setembro.

Dados serão importantes para mapear confiança na recuperação econômica e em resultados de final de ano. Sinais, em outubro, têm oscilado muito, sem uma tendência definitiva.

PIB e Inflação na Zona do Euro

Terá impacto no mercado, amanhã, a divulgação do PIB do terceiro trimestre e da inflação de outubro na zona do Euro. Projeções apontam para crescimento frágil do PIB, na faixa de 0,1%. Será lido como forte indicação de que a economia europeia caminha para retração. A inflação não recuará a ponto de se tornar fator de estagnação, mas viés de baixa (em torno de 0,7%) também deve ser correlacionado à falta de tração econômica.

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