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Pode-se esperar, nesta terça, destaque para acordos com a Arábia Saudita. Darão sequência à boa repercussão, hoje, para entendimentos com os Emirados Árabes, centrados na área de Defesa. O mesmo setor estará em foco amanhã, com maior ênfase na possível compra de aeronaves militares da Embraer (o recém-lançado KC390). Novos anúncios fortaleceriam posição – e ações – da Embraer. Ainda na pauta da Arábia Saudita, outros dois pontos centrais:

1) Apaziguar resquícios de mal-estar com proposta, no início do mandato de Bolsonaro, de transferir Embaixada brasileira em Israel para Jerusalém. E, assim, garantir o forte mercado para a venda de carne bovina brasileira;

2) Atração de investimentos para obras de infraestrutura no Brasil. Trata-se de tema-chave para a viagem de Bolsonaro e, ao mesmo tempo, aquele no qual foram feitos menos anúncios concretos.

Argentina: equilíbrio instável

Após rescaldo com declarações iniciais de parte a parte, amanhã será dia-chave para se mapear o futuro das relações Brasil-Argentina. E, consequentemente, tanto do Mercosul quanto do tratado com a União Europeia.

Por um lado, espera-se de Fernández, o presidente eleito na Argentina, uma sinalização mais direta sobre intenções em relação ao acordo com europeus. Através desse tema, tende a ser dado, também, recado sobre posições econômicas e grau de beligerância frente ao governo Bolsonaro. Há expectativa por tom mais conciliador de Fernández, em comparação com o histórico de Cristina Kirchner.

Da parte do Brasil, a questão amanhã será se o presidente Bolsonaro deixará que o tema migre para a equipe econômica, evitando abordagem mais ideológica que assumiu no primeiro momento. E que foi mimetizada pelo ministro Ernesto Araújo. Mas aposta nesse sentido ainda parece incerta.

Vale atenção, também, para novas manifestações de autoridades da União Europeia, a depender do desenrolar dos acontecimentos. Hoje a Comissão Europeia garantiu que continua trabalhando com o objetivo de ratificar o acordo rapidamente.

Queiroz e a ofensiva como estratégia

Um fator de grande risco político, amanhã, são vazamentos de áudios do ex-funcionário do gabinete de Flavio Bolsonaro, Fabricio Queiroz, mostrando proximidade com o presidente. Mais trechos foram divulgados hoje.

Como o modus operandi do presidente é sempre ofensivo e ele parece evitar ataques diretos a Queiroz, noticiário negativo pode alimentar declarações polêmicas sobre outros temas. Visariam agradar o núcleo duro que o apoia. Alvos mais evidentes seriam, justamente, a própria Argentina, bem como embate interno com o PSL, conflagrando novamente o ambiente político. Já houve “prévia” dessa possibilidade com post no Twitter hoje, incluindo menção ao STF, posteriormente apagado. É possível também que o presidente aborde assunto, já com destaque na mídia, que pode ter novidades nesta terça: depoimento do empresário “Rei Arthur”, nos EUA, confirmando compra de votos para garantir vitória do Rio em candidatura Olímpica.

Reforma Administrativa

Pode avançar amanhã articulação do governo no Congresso – particularmente junto a Rodrigo Maia – para tramitação da Reforma Administrativa. Ao divulgar estudo sobre crescimento do número de servidores públicos – e de salários –, hoje, o governo indica que o tema está no topo da lista pós-Previdência.

Nesse sentido, vale observar com muita atenção o tom inicial, caso o Governo ou Maia assumam agenda e cronograma minimamente delimitados. Será delicada – e perigosa – a fronteira entre apontar privilégios, que funcionou com a Previdência, e a imagem de que desvaloriza servidores. Professores, por exemplo, seriam rapidamente escolhidos pela oposição como símbolos.

Também se espera, nesta terça, indicações sobre o cenário, no Senado e na Câmara, para votação da PEC Paralela – que incluiria estados na reforma da Previdência – e novo pacto federativo, atual menina dos olhos do ministro Guedes.

Indústria e situação fiscal dos Estados

Sairão amanhã a Sondagem da Indústria de outubro, da FGV, e o Relatório de Gestão Fiscal (Estados e DF), da Secretaria do Tesouro Nacional. No que se refere à indústria, expectativa dada pela prévia da FGV, semana passada, é de segundo recuo seguido (na casa de 1,2 pontos), apesar de leve variação positiva no Nível de Utilização da Capacidade Instalada. Confirmado, seria indicação bastante negativa sobre confiança do setor e projeção de investimentos no último trimestre de 2019 – e início de 2020.

Já o Relatório do Tesouro Nacional deve ter repercussão na mídia, funcionando como argumentação tanto em prol da reforma da Previdência em estados quanto da reforma administrativa federal. Isso porque números detalharão gastos com pessoal, frente à receita corrente líquida.

Novos dados dos EUA

Nos EUA, serão divulgados nesta terça: 1) a Venda Pendente de Moradias em setembro, boa medida da saúde do mercado imobiliário. Espera-se crescimento entre 0,6% e 0,7%, frente a 1,6% de agosto. 2) Confiança do Consumidor Conference Board, que deve vir com alta significativa – de 125,1 para em torno de 128 pontos.

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