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23.04.20

Bolsonaro, Moro e a troca de comando da PF

Termômetro

INSTITUCIONAL

Bolsonaro, Moro e a troca de comando da PF

A possível saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça deve povoar o noticiário nos próximos dias. Homem forte de Jair Bolsonaro, Moro ameaçou nesta tarde pedir demissão caso o presidente confirme a troca de comando da Polícia Federal amanhã. Quando aceitou o cargo, o juiz teve a promessa de carta branca para nomear sua equipe e colocar na PF um nome de sua confiança – no caso, o atual diretor-geral Maurício Valeixo, que o acompanha desde o início da Operação Lava Jato.

Sua eventual saída seria um golpe na já baixa popularidade de Bolsonaro e teria impacto negativo na aprovação de medidas econômicas moderadas. O presidente vem tentando trocar o comando da PF desde o ano passado, mas vem adiando a decisão para que seu governo não perca o distintivo de honestidade e de luta contra a corrupção que ganhou quando trouxe Moro para compor a equipe ministerial.

Se a saída de Valeixo for confirmada e Moro realmente pedir demissão, Bolsonaro pode engrossar a tese de que há um desmonte da equipe em curso para facilitar uma aliança com o Centrão. Nesse caso, pode começar a sofrer baixas também entre os seus eleitores e apoiadores mais fiéis, aqueles que defendem um posicionamento de direita radical do governo.

SAÚDE

Cloroquina no tratamento da Covid-19

Em destaque na mídia também amanhã a decisão do Conselho Federal de Medicina de ampliar o uso da cloroquina no tratamento da Covid-19, como defendia Jair Bolsonaro desde o início da pandemia. Após reunião com Bolsonaro hoje pela manhã, o presidente do CFM anunciou que, baseado em “parecer técnico”, o conselho autoriza o uso do medicamento em três situações: casos graves da Covid-19, quando há pacientes internados na UTI sem possibilidade de outra terapia, em pacientes que chegam ao hospital com sintomas da doença e em pacientes com sintomas leves de gripe, desde que outras doenças ou gripes tenham sido descartadas.

A decisão do CFM é considerada uma vitória de Bolsonaro sobre o corpo técnico do Ministério da Saúde, que não aprova o uso da cloroquina por não haver ainda evidências científicas de que o medicamento tem real efeito sobre o vírus.

ECONOMIA

Dolar a R$ 7 em 2021?

Tema que vai movimentar a equipe econômica do governo é o relatório do banco suíço UBS divulgado hoje que traça um cenário pouco animador para a economia brasileira pós-pandemia. Com a queda acentuada nas receitas tributárias e o aumento dos gastos com o combate ao vírus e seus efeitos sociais, o banco prevê que o dólar pode chegar a valer R$ 7 em 2021.

A confirmação dessa previsão pessimista vai depender de como o Brasil conduzirá os esforços para promover as reformas necessárias para a retomada da economia quando a pandemia estiver sob controle.

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