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Planos

Termômetro do Amanhã

Fique por dentro das tendências do dia seguinte, baseadas na análise da pauta do dia, seus desdobramentos e repercussões. O Termômetro do Amanhã antecipa o clima do noticiário.

27.03.20

Volatilidade nos mercados

Termômetro

ECONOMIA

Volatilidade nos mercados

Após semana de recuperação em mercados globais, em função sobretudo do pacote de estímulo de US$ 2 trilhões dos EUA (que foi assinado hoje pelo presidente Trump), a queda nessa sexta-feira indica que a próxima semana começará com maior volatilidade.

A injeção de recursos tende a servir como âncora para evitar o descontrole que marcou as semanas anteriores, quando houve a realização dos drásticos efeitos da pandemia do coronavírus na economia global. No Brasil, inclusive, as medidas de maior escopo começaram a ser anunciadas nos últimos dias  como o “coronavucher”, a liberação de R$ 40 bilhões em crédito para pequenas e médias empresas pelo BC e a própria declaração do ministro Guedes, afirmando que, no total, serão injetados R$ 700 bilhões na economia para mitigar os efeitos do vírus. Terão impacto positivo internamente, no início da semana que vem, especialmente se o dinheiro começar a fluir.

A maior instabilidade, no entanto, deve vir:

1) De dados mostrando os pesados efeitos econômicos já auferidos. Na segunda-feira, dentre outros indicadores, saem as Vendas Pendentes de Moradias nos EUA em fevereiro, que devem trazer forte queda. Na Europa, o Indicador de Confiança na Economia de março também deve vir muito negativo. No Brasil, a Sondagem de Serviços de março (FGV) deve trazer pesado recuo, o Boletim Focus apresentará nova queda em projeções do PIB e há ainda os Resultados do Tesouro de fevereiro.

A possibilidade de contraponto seria a indicação de alguma retomada na China, com o anúncio, segunda-feira, do PMI Industrial de março;

2) Do avanço do vírus na Europa e, possivelmente até mais, nos EUA, com destaque para Nova York.

No contexto geral, o que se aguardará com mais ansiedade serão os primeiros sinais claros de que a curva de contágio começa a se arrefecer na Europa, o que teria efeitos mais duradouros na bolsa, ainda que a depender da evolução da doença nos EUA no final de semana e início da semana que vem.

 

INSTITUCIONAL

Guerra declarada deve preservar a economia

No Brasil, nada indica o arrefecimento da guerra institucional capitaneada pelo presidente Bolsonaro, que buscará ampliar o apoio popular para um plano ainda não muito claro do chamado “isolamento vertical”. As medidas econômicas não devem ser afetadas – no máximo haverá cobrança por maior injeção de recursos da parte de governadores e Congresso.

Mas tanto politicamente quanto na Saúde, os atritos tendem a se proliferar pela divergência de diretrizes públicas pregadas entre o Planalto e diversos estados e municípios; pelo aumento de matérias de teor mais “pessoal” na mídia, com foco em dificuldades de médicos, hospitais e pacientes; e pela dificuldade que o ministro Mandetta terá para se equilibrar entre o presidente e os secretários estaduais de saúde.

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26.03.20

Coronavoucher, Congresso e injeção de recursos X Impactos econômicos

Termômetro

ECONOMIA

Coronavoucher, Congresso e injeção de recursos X Impactos econômicos

No Brasil, a novidade amanhã deve ser a entrada mais forte do governo em agenda de gastos sociais, puxada pelo Congresso, que deixou clara a intenção de elevar para R$ 500 o que agora vem sendo chamado de “coronavoucher”. Na esteira do processo, o presidente Bolsonaro indicou que vai concordar com valor ainda maior, de R$ 600.

Por um lado, é indicação de que o ministério de economia, diante dos enormes impactos econômicos previstos com o coronavírus, “abrirá os cofres”. O que terá forte contrapartida não apenas para trabalhadores formais e informais como para empresas, com provável ampliação da fatia de salários a serem pagos pelo governo federal e garantia de crédito, especialmente no setor de serviços – com destaque para hotéis, restaurantes e companhias aéreas. Também é sinal de que devem haver importantes medidas tributárias, como o adiamento por três meses do pagamento de impostos federais.

Por outro lado, aumenta a possibilidade de que se aceite ampliação da dívida pública e do déficit primário, mesmo que seja mantido o teto de gastos.

A mudança de atitude tem como motor não apenas a pressão do Congresso como os indícios de que o desemprego virá forte, evidenciados por números de pedido de auxílio desemprego nos EUA hoje, que superaram os 3 milhões na semana passada.

Para o mercado, os próximos dias serão dúbios. Trarão uma avalanche de recursos, cuja execução terá de ser mais detalhada – em torno de US$ 5 trilhões anunciados pelo G20; implementação do pacote de US$ 2 trilhões dos EUA – mas, também, os primeiros números indicando o impacto já auferido na economia global, em termos de empregos e recuos de atividades comerciais.

 

POLÍTICA

Beco ainda sem saída entre Bolsonaro e governadores

Na política, continuará a “guerra” entre governadores – aliados ao Congresso – e o presidente Bolsonaro, com uma espécie de mediação dos ministérios da saúde e da economia. Quarentenas e medidas para conter a circulação de pessoas serão mantidas, em maior ou menor medida e podem até ser endurecidas em São Paulo, diante de evidências de avanço do coronavírus. Os efeitos sobre o sistema de saúde tendem a se fazer sentir mais duramente nos próximos dias.

Já o presidente continuará a tentar disputar a opinião publica, mesmo sem conseguir impor medidas a governadores.

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25.03.20

A liderança de Rodrigo Maia 

Termômetro

POLÍTICA

A liderança de Rodrigo Maia 

 

O presidente da Câmara Rodrigo Maia deve avançar para um papel de liderança nacional, articulando-se com os governadores e tentando ocupar o vácuo deixado pelo presidente Bolsonaro.

É o que se depreende de forte manifestação no final da tarde de hoje, na qual indicou que vai trabalhar em conjunto com a equipe técnica do Ministério da Economia e buscará acelerar – e ampliar –  as medidas de estímulo já anunciadas. Deve aprovar ainda hoje o auxílio a trabalhadores informais e vai capitanear a tramitação do chamado “Plano Mansuetto”, de apoio aos estados, que chegará à Casa amanhã e pode ser votado, em acordo de todos os partidos, até segunda-feira.

Por outro lado, atuará para esvaziar a capacidade de ação política do presidente, criando um polo de poder paralelo com os estados. É esse o sentido da aguda desautorização, hoje, de política de “isolamento vertical” defendida por Bolsonaro. Maia fez questão de salientar , entre outros pontos, que o governo não apresentou nenhum projeto nesse sentido, nem indicou como seria implementado, por exemplo, em favelas.

A grande incógnita é como o presidente reagirá ao processo, dado que a margem que tem para aprofundar qualquer tipo de enfrentamento institucional, hoje, é muito pequena. Também estará em pauta o tipo de articulação que será criada entre o Congresso, governadores e o ministro da Saúde, que hoje buscou mostrar realinhamento com Bolsonaro.

ECONOMIA

Mercado à espera de pacote dos EUA

 

Internacionalmente, o foco estará no Senado norte-americano, no qual o projeto de injeção de US$ 2 trilhões encontrou uma barreira de última hora, hoje à noite, em torno do auxílio a desempregados. Divergências ente republicanos e democratas podem gerar adiamento  que teria impacto negativo em mercados amanhã, mas expectativa ainda é de aprovação nesta quarta.

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24.03.20

O pacote dos EUA; a retomada da China

Termômetro

PSICOSSOCIAL

O pacote dos EUA; a retomada da China

 

O fato principal nesta quarta-feira pode vir dos EUA: democratas e republicanos vêm expressando otimismo para a conclusão, ainda hoje, do acordo bipartidário que injetará US$ 3 bilhões na economia norte-americana. As exigências democratas seriam de mais recursos diretos para trabalhadores e menos para grandes empresas, no que teriam sido atendidos.

Se confirmado o pacote, tendência é de que mantenha ânimo dos mercados. Mas passará por intenso escrutínio, dado à expectativa positiva  antecipada  que já causou hoje. Pelo mesmo motivo, se houver impasse mais grave – ainda que pareça improvável – o impacto será muito negativo.

Os EUA estarão no centro das atenções por outros dois motivos:

  •  O crescimento exponencial da contaminação, especialmente em Nova York, pode transformar o país no epicentro do vírus, globalmente, e à saturação do atendimento hospitalar na cidade.
  •  Planos do presidente Trump para reativar a economia até a Páscoa (12 de abril). A intenção sofre duras críticas de parte da mídia porque contrariaria a opinião de infectologistas. E sua exequibilidade dependerá da evolução da doença nas próximas semanas. Bem como do panorama no resto do mundo – hoje, por exemplo, a Índia entrou em lockdown, e os números de Itália e Espanha continuam assustadores. Mas é debate que, ancorado pelos EUA, vai existir, inclusive no Brasil, ainda que apontando para um futuro próximo (e não para o momento atual, como aventou o presidente Bolsonaro).

Outro fator internacional que terá impacto nos mercados brasileiros e global serão os primeiros sinais da China após o afrouxamento do lockdown na província de Hubei. Se não houver recontaminação, aumentarão as apostas em que a crise atual pode ser superada em alguns meses – ainda que com medidas extremas.

POLÍTICA

Bolsonaro e os governadores do Rio e de São Paulo

 

No Brasil, videoconferência prevista para amanhã entre o presidente e os governadores do Sudeste será teste importante para definir qual a política federal de enfrentamento ao coronavírus  apoio ao lockdown, ainda que por algumas semanas; defesa de isolamento parcial que evite paralisação econômica; ou minimização de efeitos do vírus? Será a primeira reunião de Bolsonaro com governadores do Sudeste após a troca de acusações com João Doria (São Paulo) e Wilson Witzel (Rio de Janeiro). Presidente mudou o tom, mas ainda mantém idas e vindas na forma de lidar com a crise.

ECONOMIA

Novos mercados?

 

Na economia, começarão a se delinear novos cenários, como o possível crescimento sustentado do varejo online e da venda de produtos essenciais, como o gás de cozinha. Por outro lado, situação da Petrobras deve continuar em suspenso devido à instabilidade dos preços do petróleo (ainda que tenha havido oscilação positiva hoje), que levou a estatal a efetuar novo corte (de 15%) nos preços da gasolina.

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ECONOMIA

Ampliação de gastos

 

A questão central amanhã – no Brasil e no mundo – será a ampliação dos investimentos para mitigar os brutais efeitos econômicos gerados pela pandemia do coronavírus.

No Brasil, parece inevitável que o governo passe da liberação antecipada de recursos, concessão de crédito e adiamento de dívidas, que têm sido a parte central de pacotes até agora anunciados, para o gasto direto, voltado tanto a médias e pequenas empresas quanto a trabalhadores – informais e formais.

É o que já se desenha, ainda que de forma incipiente, no acordo com estados e em nova MP (que trará complementação de 1/3 de salários pelo governo), ambos anunciados hoje, após a desastrada divulgação – e pronta revogação – de  medida que permitiria a suspensão total de pagamentos por 4 meses, sem demissões.

POLÍTICA

Protagonismo do Congresso

 

A defesa dessa mudança terá como protagonista o Congresso, com a liderança do presidente Rodrigo Maia.

Parlamentares serão polo menos agressivo na competição com o Planalto do que governadores, já que tentarão mostrar colaboração. Mas estarão de prontidão para assumir qualquer espaço deixado pelo presidente Bolsonaro. E devem propor ajustes em medidas que signifiquem cortes de salários/benefícios, caso não haja contrapartidas claras do governo.

Também nesse âmbito, após forte questionamento a sua liderança no combate ao coronavírus, estará no ar amanhã se Bolsonaro aprofundará o tom conciliatório adotado hoje em reunião com governadores do Nordeste ou se retomará linha de confronto.

Manter a conciliação implicará em concordância, mesmo que parcial, com medidas mais pesadas, que envolvam isolamento social e restrições ao comércio e circulação. O panorama, nesse caso, é incerto, já que o presidente fez aposta alta contra esse tipo de planejamento. Mas seu capital político estará em jogo.

PSICOSSOCIAL

Dias decisivos para a Saúde  e para a opinião pública

 

No âmbito da Saúde e da Infraestrutura, próximos dias serão marcados por medidas emergenciais para o rápido aumento na quantidade de testes realizados e para a ampliação de leitos de UTI e para a regulação do transporte de cargas e pessoas, diante da escalada na propagação do vírus. O número de casos, mas igualmente de internações e mortes, nessa semana, será chave para determinar o impacto no país – social, econômica e politicamente.

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20.03.20

O longo horizonte da crise

Termômetro

ECONOMIA

O longo horizonte da crise

 

O aumento da incerteza sobre a duração e a gravidade da crise gerada pelo coronavírus, no Brasil e no mundo, levará forte pressão aos mercados, na segunda feira. Por aqui, por exemplo, tudo indica que as percepções estarão muito mais em linha com as de estudo da FGV indicando queda de 4,2% do PIB em 2020 do que com a do governo, que aponta para crescimento de 0,02%. Pode-se esperar-se nova rodada de medidas econômicas e evolução das já anunciadas, tanto internamente, com o ministro Guedes de volta à cena, quanto nos EUA e Europa.

PSICOSSOCIAL

Liderança presidencial pode erodir

 

No Brasil, será central a definição inequívoca, da parte do governo federal, de qual a estratégia para enfrentar a crise. Incentivo ao máximo isolamento social e restrição de circulação, com ampliação das medidas para mitigar os efeitos econômicos, estratégia que vem se expandindo pelo mundo e hoje foi adotada pela Califórnia, nos EUA? Ou um meio termo, com isolamentos parciais e probabilidade de maior contágio? Esse processo envolverá uma ampla gama de decisões, no âmbito da saúde e da economia, mas também da infra-estrutura. E parece inadiável.

A mensagem do Planalto, no entanto, continua extremamente confusa. Em coletiva, à tarde, enquanto o ministro Mandetta falou em possibilidade de colapso do sistema de saúde em abril e de crescimento de casos até agosto, Bolsonaro chegou a tratar o vírus como “uma gripezinha”.

A percepção de falta de liderança – e direção – da parte do presidente levará a um novo risco de crise institucional, dessa vez mais grave, com os estados, particularmente Rio de Janeiro e São Paulo, que começam a pôr em prática políticas quase independentes de combate ao coronavírus. Avançando inclusive sobre prerrogativas federais, no caso do Rio, como o controle de estradas e aeroportos.

Em um cenário no qual o contágio e as mortes continuem aumentando e os prognósticos globais sejam nebulosos, o risco de erosão acelerada da liderança do presidente, com prejuízo à centralização das políticas públicas – excetuando-se parcialmente a economia – será cada vez mais real.

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19.03.20

O presidente X o governo?

Termômetro

INSTITUCIONAL

O presidente X o governo?

 

Um fenômeno já em curso pode se consolidar nos próximos dias: o divórcio entre o presidente e os ministérios da Economia e da Saúde, os quais, nas próximas semanas –  talvez meses – serão o núcleo de enfrentamento ao coronavírus, e, paralelamente, o crescimento da liderança nacional dos governadores João Doria e Wilson Witzel, cujos estados (São Paulo e Rio de Janeiro) são, simultaneamente, os mais afetados e os mais mobilizados.

É o que projeta a reação do mercado, dos agentes produtivos e da opinião pública, hoje. Ainda que com diversos questionamentos e críticas, o Ministério da Economia começa a transmitir algum alento com medidas de estímulo e diálogo  ao menos aparente  com o Congresso.

ECONOMIA

Guedes, EUA e os Bancos Centrais

 

Para além das iniciativas em si, ganha mais força a percepção de que não se deixará o setor de serviços simplesmente quebrar, como indica, por exemplo, o compromisso em pagar os primeiros 15 dias de salários de trabalhadores que estiverem com a Covid-19. Essa imagem, longe de consolidada, precisará ser sustentada diariamente. E implicará um cavalo de pau na ortodoxia liberal do ministro Guedes. Mas criou-se um caminho.

Mais importante, no entanto, é o início mais efetivo de uma cooperação global, baseada nos bancos centrais e capitaneada pelo FED  que pode significar a injeção de até US$ 60 bilhões na economia brasileira. Os EUA parecem pôr em marcha um verdadeiro esforço de guerra, e esse movimento tem enorme poder de estímulo. Resta saber se o presidente Trump, que passou a contar com o apoio da oposição para seu plano emergencial, conseguirá conter a retórica e evitar conflito com a China. Que pode ser um ponto decisivo de apoio, não apenas econômico como, sobretudo, na área de saúde, pela experiência adquirida, capacidade de produção e pelo fato de que avança para o controle da epidemia em seu território.

Trata-se, no entanto, de um horizonte, que, se mantido, como tudo indica, vai diminuir o pânico generalizado. Mas não evitará forte volatilidade.

Nos próximos dias começarão a aumentar os dados e projeções econômicas que já evidenciam o impacto global do coronavírus na produção e nos serviços. Avançará o consenso em que o mundo  e o Brasil  passarão por recessão em 2020.

No pontual, destaque nesta sexta para a prévia da Sondagem da Indústria de março (FGV). Dados negativos não surpreenderão, mas a depender do grau podem ser um fator, secundário, de volatilidade.

PSICOSSOCIAL

A paralisação global e a curva do coronavírus

 

O cenário de saúde é impressionante, com estimativas de contaminação e mortes em escala inédita desde a Segunda Guerra Mundial, caso não sejam implementadas pesadas medidas de restrição à circulação de pessoas. Salvo a descoberta de uma vacina ou de um medicamento extremamente eficaz (possibilidade que começa a ganhar mais corpo com anúncio hoje de utilização de remédio contra a malária para o combate à Covid-19, nos EUA, mas cuja eficácia ainda parece limitada), o Brasil e o mundo vão evoluir, diariamente, para uma quase paralisação econômica. Rio e São Paulo vão, paulatinamente, fechar ou controlar duramente os shoppings, os transportes e todos os serviços não essenciais. Serão acompanhados por outros estados, mais cedo ou mais tarde. Lojistas já começam a pedir isenção de aluguéis, e esse processo tende a se aprofundar.

Além de tudo isso, o cenário de saúde apenas começa a se delinear. Crescerão amanhã, por exemplo, os questionamentos no Ministério da Saúde sobre a curva de contaminação no país, que, até o momento, pela velocidade, parece se aproximar mais dos países europeus do que dos modelos de sucesso asiáticos (como Coreia e Cingapura).

Ainda que as bolsas já precifiquem esse processo, novas quedas são dadas como certas.

POLÍTICA

Linha de confronto não será suficiente

 

É nesse contexto que o modelo de conflito permanente do presidente Bolsonaro encontrará um prazo de validade. Seria muito precipitado apostar em uma perda imediata de sustentação, já que ele mantém uma forte base de apoio. Se não mudar o estilo, no entanto, será engolido pelos acontecimentos, como ocorreu hoje com o deputado Eduardo Bolsonaro e suas críticas à China.

A politizarão da saúde, por exemplo, repetindo a prática de fritar um ministro em benefício de uma autoridade do setor próximo a ele – no caso o diretor da Anvisa – não tem chances de prosperar. Mas pode ser nova fonte de desgaste.

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18.03.20

Copom e coletiva: sentido de urgência

Termômetro

ECONOMIA

Copom e coletiva: sentido de urgência

A decisão do Copom de baixar em 0,5% (para 3,75%) a taxa de juros e a entrevista coletiva dada pelo presidente Bolsonaro, ao lado dos ministros da saúde, economia e infra-estrutura, transmitiram, pela primeira vez desde o início da crise do coronavírus, um sentido de urgência. A partir daí, se delineia uma agenda a ser apoiada pelo Congresso e a se desenvolver nos próximos dias, criando um polo de ação coordenada – e de “boas notícias” – a ser implementado ao longo da semana.

Destaques serão o auxílio a trabalhadores informais, apoio a companhias aéreas e a micro e pequenas empresas (que poderão ter parte dos salários pagos pelo governo), linha de crédito no Banco do Brasil e possibilidade de se reduzir jornada e salário de funcionários (mais controversa).

POLÍTICA E PSICOSSOCIAL

Calamidade pública e guerra política

Esse conjunto de medidas começará a ser implementado amanhã em um contexto político que envolverá, espera-se, a aprovação hoje à noite, pelo Congresso, do estado de calamidade pública, que vai liberar recursos para o governo federal. E mandar mensagem de que é possível uma ação coordenada entre o Planalto e o Parlamento. O movimento – de ambas as Casas – será alimentado pela notícia de que o presidente do senado, Davi Alcolumbre, está com coronavírus

Outro ponto muito importante é a mensagem mais enfática – de um ministro Guedes mais calmo – de que a cada 48 horas serão avaliadas novas medidas a serem tomadas, de acordo com o avanço da situação. Pode ser chave para dissipar a imagem de paralisia ou dificuldade de reagir à gravidade do momento.

A guerra política, no entanto, continuará – mesmo que em paralelo a algum tipo de colaboração. A questão será em qual grau. O presidente adotou tom menos agressivo, apesar de criticas a imprensa, procurou mostrar maior alinhamento com seu ministro da saúde e, sobretudo, fez acenos a Câmara e ao Senado. Tudo isso indica certa pacificação, só que, até o momento, apenas retórica. E a desconfiança entre os poderes é total.

Também ficou para ser definido se o governo federal adotará linha fortemente restritiva à circulação de pessoas, como vinha indicando o ministro Mandeta e estão implementando os estados, ou se tentará uma mitigação, sob a alegação de não paralisar a economia. Novas mortes, hoje, vão aumentar o medo da população e, consequentemente, a cobrança da mídia por iniciativas mais duras.

Essas duas questões – relação pratica com o Congresso e direção da política de sanitária – serão respondidas, parcialmente, nesta quinta, com movimentações da articulação política, do próprio presidente e do ministro da saúde. Bem como em reações de Rodrigo Maia e Alcolumbre.

Um ponto no entanto parece claro: os próximos passos de Bolsonaro serão fortemente influenciados pelo resultados de manifestações (“panelaços”) – contra e a favor – marcadas para hoje à noite.

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16.03.20

Plano de Guedes é um passo, mas ainda aquém do necessário

Termômetro

POLÍTICA E PSICOSSOCIAL

Plano de Guedes é um passo, mas ainda aquém do necessário

 

O anúncio do programa emergencial do Ministério da Economia, no final do dia de hoje, terá efeito positivo pelo valor anunciado (R$ 150 bilhões), pela injeção de recursos na economia (para empresas e famílias) e pelas medidas de incentivo fiscal. Que se somam a aumento de liquidez dos bancos, implementado mais cedo pelo Conselho Monetário Nacional. Outro ponto importante será a percepção de maior compromisso do Ministério com reação permanente a efeitos do coronavírus, inclusive no que se refere a recursos para a saúde.

Ao mesmo tempo, ainda parece haver, no tom do ministro, um subdimensionamento do pânico global provocado pelo coronavírus. A provável necessidade de se ampliar o isolamento da população brasileira, inclusive dos jovens, por exemplo, pouco entrou nas contas apresentadas. E os valores expostos – como antecipação do 13º de aposentados e pensionistas e aumento do alcance do Bolsa Família – não representam propriamente novos recursos. Também não está claro se haverá apaziguamento com o Congresso – na verdade o ministro, em cobranças por privatização da Eletrobrás, assumiu linha de certo confronto.

No geral, especialmente se comparada à abordagem adotada por governos ao redor do mundo, o planejamento exposto hoje, ainda que com direção certa, parece aquém das necessidades e da urgência do momento.

A expectativa será de que – como aventado pelo próprio Guedes – novas iniciativas sejam tomadas nos próximos dias. À frente delas, algum tipo de articulação com o Congresso, sem a qual as cobranças por reforma feitas hoje pelo ministro da Economia – PEC Emergencial à frente – terão pouco fôlego. Bem como o impacto no mercado do plano anunciado.

O pânico global

 

O grande problema é que qualquer iniciativa, como o planejamento que começou a ser delineado pelos EUA, articulando diversos Bancos Centrais e prevendo a injeção de trilhões de dólares na economia, pode ser apagada, momentaneamente, pelo impacto no imaginário de pesadas ações de controle social, que se espalham pelo mundo. E vão piorar, diariamente, antes de melhorarem. Apenas a consistência, coordenação e reiteração de medidas conseguirão amenizar as oscilações.

Os fatores Brasil: Congresso e governadores

 

No Brasil, o panorama torna-se ainda mais volátil porque o presidente e o Congresso avançam para um estado de conflito permanente, quase em um rompimento institucional. Pode até haver composições, através da pauta econômica, mas, politicamente, o embate permanecerá como fator de instabilidade.

À medida que os estados entram no combate ao coronavírus, sentindo a pressão sobre seus sistemas de saúde e máquina pública, também crescerão como atores nesse jogo – o que já fica claro hoje. Doria e Witzel disputarão protagonismo com Bolsonaro nos próximos dias. Tentarão mostrar paralisia do presidente apresentando, de forma coordenada com outros governadores, plano nacional para enfrentar a crise.

INSTITUCIONAL

STF, Congresso e Ministério da Saúde

 

O Ministério da Saúde pode se consolidar como outro polo de estabilização institucional, a partir de reunião de hoje, do ministro Mandetta com o presidente do STF e lideranças do legislativo. Ao mesmo tempo, o encontro deve marcar um alinhamento do Legislativo e do Judiciário diante de desacordos com o presidente Bolsonaro.

ECONOMIA

Dados dos EUA

 

Números de vendas no varejo e produção industrial de fevereiro nos EUA devem trazer crescimento moderado (respectivamente em torno de 0,2% e 0,4%). Positivo, mas ainda sem computar efeitos do coronavírus.

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13.03.20

Entre estabilização e incerteza

Termômetro

POLÍTICA E ECONOMIA

Entre estabilização e incerteza

Anúncio do ministro Paulo Guedes, de que apresentará em até 48 horas plano emergencial (com injeção de recursos e crédito, sem abandonar o ajuste fiscal) para enfrentar efeitos econômicos do coronavírus, pode tirar o governo da defensiva e gerar contraponto importante à volatilidade do mercado. A possibilidade ficou clara, hoje, pela forte e rápida reação da bolsa à mudança de tom do ministro.

Se Guedes der continuidade, nos próximos dias, à agenda de medidas específicas, que transmitam coordenação e iniciativa, os parlamentares se verão duramente pressionado a dar uma resposta para a sociedade e para o mercado. Crescerão exponencialmente as chances de que ganhem tração não somente medidas de estímulo como a PEC Emergencial, o processo de privatização da Eletrobras e o novo marco do saneamento. As reformas administrativa e tributária, no momento, devem permanecer na geladeira.

Os ventos positivos devem vir, também, da percepção de maior mobilização dos EUA, com declaração de estado de emergência (e liberação de US$ 50 bilhões anunciados hoje pelo presidente Trump) e da Alemanha (que se comprometeu com “apoio ilimitado” a empresas afetadas). Em segundo plano, boas notícias sobre o combate ao vírus na Coreia do Sul, Japão e China.

Qualquer evolução no cenário, contudo, se dará em avanços e recuos, de acordo com notícias do dia. Na política, o maior risco é o esgarçamento da articulação entre governo e Congresso, que se deteriorou não somente em termos institucionais como pessoais – entre o ministro Guedes e Rodrigo Maia e, sobretudo, entre lideranças da Casa e o presidente Bolsonaro. Nova troca de acusações reporá percepção de paralisia e impactará rapidamente – para pior – as expectativas econômicas.

Psicológica e economicamente, os efeitos negativos virão da expansão por todos os países europeus – e pelos EUA – de medidas duras (ainda que em menor grau que as da Itália) e pela situação no Brasil, cuja população apenas começa a realizar as consequências no cotidiano que se farão sentir, em breve, mesmo com atuação eficiente do Ministério da Saúde. O principal exemplo, nos próximos dias, será o fechamento de escolas e Universidades.

Entre domingo e segunda feira serão divulgados os dados de venda no varejo e da produção industrial na China, no primeiro bimestre de 2020, e o indicador do FED para a indústria de Nova York, em março. Fortes quedas estarão dentro do esperado, em função do coronavírus.

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