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Planos

Termômetro do Amanhã

Fique por dentro das tendências do dia seguinte, baseadas na análise da pauta do dia, seus desdobramentos e repercussões. O Termômetro do Amanhã antecipa o clima do noticiário.

15.05.20

Fortes turbulências no horizonte

Termômetro

POLÍTICA

Fortes turbulências no horizonte

Com o pedido de demissão do ministro da Saúde, hoje, é grande a possibilidade de que manifestações do presidente Bolsonaro – que pode fazer novo pronunciamento nacional amanhã – evoluam para enfrentamento conflagrado com governadores, particularmente com João Doria. E os sinais são de que, ao contrário do que ocorria até pouco tempo atrás, teria apoio explicito de ministros militares nessa linha.

Outros dois pontos importantes no cenário dos próximos dias serão: a escolha do ministro da Saúde, que, hoje, tenderia para nome disposto a seguir estritamente as orientações do presidente (como a liberação da cloroquina); as movimentações do Centrão, que começa a apresentar divisões. Nesse sentido, ainda que busque relacionamento mais ameno, particularmente na área econômica, Rodrigo Maia atuará para desidratar a base de apoio do presidente na Câmara. Pode ser ajudado no processo por conflitos de parlamentares com o ministro Paulo Guedes, que hoje subiu o tom em críticas a projeto que libera aumento para o funcionalismo público.

Já na segunda feira retomará força o vídeo de reunião ministerial, que será assistido – e pode ser liberado para divulgação pública – pelo ministro Celso de Mello, do STF.

Paralelamente, tende a ganhar fôlego o debate sobre reabertura gradual de atividades econômicas. Sem que haja nenhum norte para a questão, no entanto, ainda mais com a indefinição na pasta da Saúde, o movimento será confuso e tende a ser decidido regionalmente, mesmo diante de pressões do presidente Bolsonaro. No curto prazo, devem ser apresentados apenas horizontes de reabertura ou medidas pontuais, especialmente enquanto se mantiver a curva ascendente de casos e mortes por coronavírus.

ECONOMIA

Monitor do PIB e relação EUA-China

Em relação aos índices econômicos, destaque na segunda feira para o Monitor do PIB (FGV). O indicador tem apresentado maior precisão do que o IBC- Br (que previu queda de 5,9% em março), mas a expectativa é por curva similar.

Internacionalmente, atenções continuarão voltadas para a evolução do conflito entre EUA e China que, por enquanto, ficou mais na retórica do que em ações definitivas. Já nos Estados Unidos crescerão as movimentações do presidente Trump para reabrir a economia, ainda que gradativamente. Terão influencia nesse processo os primeiros sinais apresentados pela retomada na Europa.

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14.05.20

Aproximação com Maia não pacificará instituições

Termômetro

POLÍTICA

Aproximação com Maia não pacificará instituições

A tentativa de aproximação entre Jair Bolsonaro e Rodrigo Maia, que chegou a animar o mercado hoje, indica que o presidente da Câmara não quer ser identificado como inimigo do governo. Ou seja, vai manter posição contra o impeachment, no atual cenário (que pode mudar com divulgação de vídeo de reunião ministerial), e adotará, nos próximos dias, linha mais conciliatória em projetos da área econômica. Maia age, também, para não ser isolado pelo Centrão.

O cenário de instabilidade institucional, no entanto, se manterá amanhã. Será alimentado por guerra aberta entre o presidente e o governador de São Paulo, João Doria, – que tem como bastidor a disputa pelo apoio do setor empresarial. Também continuará em pauta a MP editada hoje por Bolsonaro, protegendo agentes públicos de responsabilização por atos na crise do coronavírus.

A iniciativa provocará polêmica no Congresso e rejeição no STF, sob o escrutínio negativo da mídia. Crescerá a preocupação com tendências autoritárias do governo e visão negativa – que até pouco tempo atrás era contida – sobre o comprometimento de militares com Bolsonaro. Artigo do vice-presidente Hamilton Mourão, hoje, contribui para esse processo.

ECONOMIA

Petrobras e Varejo nos EUA

Destaque no Brasil para o balanço da Petrobras no primeiro trimestre do ano, que dá medida do impacto – e das projeções – da pandemia do coronavírus na operação da estatal. Também está prevista a PNAD Contínua Trimestral (IBGE), ainda que dados divulgados no final de abril já apontassem para tendência de aumento no desemprego (12,2%) em março.

No exterior, saem as Vendas no Varejo nos EUA em abril, para as quais estima-se queda vertiginosa (-12, sobre -8,4% em março), e o PIB Trimestral da Alemanha, que deve apresentar recuo na casa de 2,2%, refletindo parcialmente (até março) os efeitos da pandemia.

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13.05.20

Exames favorecem o presidente, mas vídeo de reunião ministerial será decisivo

Termômetro

POLÍTICA

Exames favorecem o presidente, mas vídeo de reunião ministerial será decisivo

Revelação de que exames do presidente Jair Bolsonaro para detectar a presença de coronavírus deram negativo ajudará a galvanizar sua base de apoiadores e fortalecerá seu discurso diante da mídia, amanhã, em meio ao embate com o ex-ministro Sergio Moro. Mas está longe de ser suficiente para tirar o fôlego de especulações acerca do vídeo de reunião ministerial na qual Bolsonaro teria mostrado querer intervir na PF.

O tema continuará a crescer nesta quinta, alimentando temor de impeachment e fazendo aumentar – e muito – a conta a ser paga ao Centrão. A não ser que o conteúdo do vídeo seja divulgado e se mostre aquém dos relatos bombásticos apresentados até o momento, o grande prejudicado no processo será o ministro Paulo Guedes. O que resta da política de controle de gastos – a começar pelo veto ao reajuste do funcionalismo público – seria sacrificado em negociações com parlamentares.

ECONOMIA

Retomada da indústria na China, desemprego nos EUA

Indicadores internacionais amanhã devem trazer panorama dúbio: por um lado, novos pedidos de seguro desemprego nos Estados Unidos (semanais) devem seguir altos, acima de 2 milhões; por outro estima-se que a produção industrial chinesa em abril apresente crescimento na faixa de 1,5%, após tombo em fevereiro (sobretudo) e março.

Ainda que haja receio de segunda onda de contaminação no país, o número representaria importante alento quanto a possibilidades de retomada econômica da Europa e dos EUA após o controle da disseminação da doença.

Também na China dados do varejo, ao que tudo indica, ainda trarão queda (em torno de – 7%), mas abaixo do registrado em fevereiro (- 20,5%) e março (- 15,8%).

No Brasil, destaque para os dados regionalizados da Pesquisa Industrial Mensal (IBGE) de março, que mostrarão os estados mais afetados pelo recuo de 9,1% já anunciado na produção para o mês, nacionalmente. A depender de como a queda se divida, pode ser um fator no embate político entre o presidente e os governadores (especialmente os de São Paulo e Rio de Janeiro).

INSTITUCIONAL

Ministro da Saúde no limbo

Nova crise na saúde se avizinha com desgaste crescente do ministro Nelson Teich, que não consegue se articular com estados e municípios nem agradar aos apoiadores do presidente. Se Bolsonaro aprofundar o discurso contra o isolamento social, nos próximos dias, tendência é de que o ministro seja jogado em um limbo político institucional, tonando-se quase uma figura de fachada.

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12.05.20

Guedes X Centrão

Termômetro

POLÍTICA

Guedes X Centrão

Deve retomar força, amanhã, a próxima “ameaça” ao ministro Paulo Guedes: as negociações entre o presidente Bolsonaro e o Centrão acerca de veto a reajuste do funcionalismo público.

O presidente declarou publicamente que seguiria recomendações do ministro, no entanto, a necessidade de concessões ao grupo político é cada vez mais premente dado os riscos que pairam sobre seu mandato. O principal deles, agora, é a divulgação de vídeo, cujo conteúdo já foi vazado hoje, no qual teria declarado abertamente que precisaria de acesso a PF do Rio para proteger os filhos (entre outros pontos extremamente delicados).

Nesse contexto, parece cada vez mais forte a chance de nova “fritura” do ministro Guedes, que se daria não com o recuo no veto e, sim, com negociações de bastidores para que fosse derrubado no Congresso, sem oposição do governo. A possibilidade torna-se ainda maior com a recomendação do ministério da Economia para que mesmo os profissionais da saúde tenham os salários congelados.

Seria medida com potencial muito negativo para as bases dos deputados do Centrão – que já ganharam promessa de verbas para o combate ao coronavírus em seus redutos eleitorais.

No final das contas, o presidente se verá diante de escolha difícil: se desautorizar o ministro, aumentará incerteza no mercado e perderá apoio empresarial; se desagradar o Centrão se verá sem base no Congresso no momento mais frágil do seu mandato.

O resultado desse embate ainda é incerto, mas os sinais começarão a surgir mais claramente nesta quarta.

ECONOMIA

Comércio no Brasil; indústria e PIB na Europa

Após retração pesada nos serviços anunciada hoje (queda de 6,9% em março), espera-se panorama similar na Pesquisa Mensal do Comércio de março (IBGE), que será divulgada amanhã. No exterior, a Europa também deve apresentar dados negativos, com recuo na casa de – 12% na produção industrial da zona do Euro (março) e de -2,5% no PIB Trimestral do Reino Unido.

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11.05.20

O impacto do coronavírus nos serviços em março

Termômetro

ECONOMIA

O impacto do coronavírus nos serviços em março

Sai amanhã a Pesquisa Mensal de Serviços de março (IBGE), que, estima-se, deve ser o primeiro dado oficial refletindo mais completamente os efeitos do coronavírus no setor – que já vem de queda de 1% em fevereiro.

Números de amanhã vão se somar ao crescimento de 22% nos pedidos de auxílio desemprego em abril (nos últimos dois meses 1,5 milhões de trabalhadores formais foram demitidos) e serão fundamentais para projetar os efeitos da pandemia (e o PIB 2020). Politicamente, vão influenciar tanto as cobranças por aceleração na injeção de recursos do governo na área quanto o discurso do presidente Bolsonaro contra o isolamento social.

Também nesta terça será divulgado o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola para abril – índices de março apresentaram algum recuo, mas ainda com projeções positivas (crescimento de 1,5% na safra de grãos) para o ano.

No exterior, tudo indica que o Índice de Preços ao Consumidor de abril nos EUA trará deflação – a segunda seguida -, a exemplo do que se verificou no Brasil, no final da semana passada.

Novos pacotes

Devem crescer, amanhã, especulações sobre o formato de pacote do governo federal voltado para companhias aéreas e para o setor de energia elétrica.

INSTITUCIONAL

Bolsonaro e a PF

Há grande expectativa por exposição, amanhã, em encontro fechado com a presença do ex ministro Moro e procuradores do MPF, do vídeo de reunião em que o presidente Bolsonaro teria pedido acesso a relatórios da PF.

O material pode ou não ser tornado público nesta terça pelo ministro Celso de Mello, responsável pelo caso do STF, mas, de toda forma, a reunião vai alimentar especulações – e prováveis vazamentos.

Aposta na reabertura econômica e no conflito institucional

Inclusão em decreto presidencial de academias, salões de beleza e barbearias provocará nova fonte de atrito entre o presidente Bolsonaro e governadores, amanhã – além de críticas na mídia e possivelmente de parlamentares. Iniciativa é mais um capítulo na ação política do presidente Bolsonaro para defender a reabertura do comércio.

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08.05.20

Lockdowns no horizonte

Termômetro

PSICOSSOCIAL

Lockdowns no horizonte

Diante da curva crescente do coronavírus no país (751 mortes registradas nas últimas 24 horas) e, em especial, em algumas regiões e capitais, vão evoluir nos próximos dias as ilações – e possivelmente anúncios – de lockdowns em grandes centros, totais ou parciais. Tudo indica, tanto por declarações do governador quanto pelo resultados de estudos e grupos de trabalho, que o estado do Rio de Janeiro capitaneará o processo. O estado se aproxima do colapso no sistema de saúde e pode ver cenas na linha do que tem ocorrido em Manaus.

As iniciativas nesse sentido – que também já são aventadas em São Paulo – vão alimentar o conflito político com o presidente Bolsonaro, mas o cenário no Rio será desafiador para o presidente, já que o lockdown, ao que tudo indica, terá o apoio do Prefeito Crivella, seu aliado. A possibilidade de ampliação de restrições também deve gerar novas manifestações por parte do setor empresarial.

Não se pode descartar, ainda, entreveros com o STF e mesmo protestos de apoiadores do presidente  no Rio. A situação trará constrangimento ao ministério da Saúde, que tem indicado apoio ao reforço do isolamento social  em regiões mais atingidas pelo coronavíus.

POLÍTICA

Os cargos para o Centrão, o vídeo de Moro e o exame do presidente

Para sustentar sua posição no Congresso, o presidente deve ampliar a negociação de cargos com o Centrão. Após ceder a diretoria do Departamento Nacional de Obras Contra Secas (Dnocs) e da Secretaria de Mobilidade do Ministério do Desenvolvimento Regional, especula-se que o grupo político assumirá o Instituto Nacional de Colonização e

Reforma Agrária (Incra) e o Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit).

Paralelamente, deve se intensificar o embate em torno de denúncias do ministro Moro. No centro da polêmica estará a possibilidade de divulgação do vídeo da reunião ministerial na qual o presidente teria tentado intervir na PF. Se tornado público, o conteúdo promete gerar desgaste e, consequentemente, reação enfática do presidente Bolsonaro, de acordo com seu padrão de atuação política.

A manifestação da Justiça Federal de São Paulo, determinando que a União entregue com urgência os exames realizados pelo presidente para verificar a contaminação por coronavírus, também trará novas turbulências ao ambiente em Brasilia.

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07.05.20

Conflito com o STF e os governadores; Guedes ainda na corda bamba

Termômetro

INSTITUCIONAL

Conflito com o STF e os governadores; Guedes ainda na corda bamba

O Presidente Bolsonaro, ainda que busque aparências mais institucionais, aprofundará o conflito com o STF e os estados, nos próximos dias, ao mesmo tempo em que abrirá crescente espaço no governo para o Centrão e para os militares.

Será sua única alternativa diante do crescimento vertiginoso do impacto tanto econômico quanto de saúde pública do coronavírus, somado às investigações que o atingem. Nada aponta, no entanto, para a reabertura econômica “na marra”.

O presidente investirá na ampliação de serviços essenciais, mas não conseguirá reverter no Supremo a autonomia de estados – que já ensaiam lockdown, em alguns casos. E parece interessado em manter dubiedade no próprio governo federal, já que, apesar de suas movimentações, o ministério da saúde não caminha para nenhuma medida concreta de flexibilização no isolamento – pelo contrário, até o momento.

Em outro polo estratégico estará a posição do ministro Paulo Guedes. O presidente Bolsonaro, pelo alinhamento com o Centrão e a aproximação com ministro militares que defendem ampliação de investimentos públicos, terá dificuldade de manter apoio à linha do ministro da economia. A tendência é de que se ampliem, como tem ocorrido nas ultimas semanas, idas e vindas de Bolsonaro, ora enfraquecendo Guedes, ora o defendendo publicamente.

ECONOMIA

O desemprego nos EUA pode se aproximar da Grande Depressão

Serão divulgados amanhã os dados gerais para o emprego nos EUA em abril. Segundo previsões, os reflexos do coronavírus no mês serão devastadores, com a taxa de desemprego alcançando a faixa de 16%, próxima da Grande Depressão. Se confirmados, os números influenciarão o processo político eleitoral norte americano e tendem a alimentar as movimentações do presidente Trump visando acelerar a flexibilizarão do isolamento social.

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06.05.20

Governo mais forte no Congresso X Enfraquecimento de Paulo Guedes?

Termômetro

POLÍTICA

Governo mais forte no Congresso X Enfraquecimento de Paulo Guedes?

Projeto de auxílio aos estados se manterá como pauta política central nesta quinta, agora de volta ao Senado, após novas mudanças na Câmara. O presidente da Casa (e relator do projeto), Davi Alcolumbre, recuou da decisão de reincluir professores no congelamento de salários de servidores públicos por 18 meses, mas iniciativa parece, até o momento, mais ligada a negociações com o próprio governo do que com o presidente da Câmara Rodrigo Maia.

Nesse sentido, os próximos dias serão importantes para definir o equilíbrio de poder no Congresso e o avanço de iniciativa do presidente Bolsonaro, que busca isolar Rodrigo Maia com apoio do Centrão (que já começa a ganhar cargos no governo) e articulação com senadores.

O outro ponto importante serão as consequências de negociações acerca do projeto para o ministro Paulo Guedes. Ele pode perder terreno, novamente, para alas “desenvolvimentistas” do governo, que defendem aumento de gastos e tem como base os ministros militares, articulados com o ministro de Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, e o próprio Centrão.

Paralelamente, aumentará a pressão sobre o presidente Bolsonaro com a curva ascendente de mortes por coronavírus. Pelo segundo dia seguido foram registrados mais de 600 óbitos no país.

ECONOMIA

Juros abaixo do esperado no Brasil; desemprego nos EUA

No Brasil, o dia será marcado pelo efeito – e análises – sobre o corte acima do esperado na taxa de juros, que foi para 3%.

Internacionalmente, terá impacto amanhã a divulgação dos pedidos de seguro desemprego nos EUA para a primeira semana de maio. Ainda que abaixo dos 3,838 milhões da semana passada, número deve se manter alto, na casa dos 3 milhões, o que levará o total de pedidos das últimas semanas a ultrapassar a marca de 30 milhões. Também nesta quinta está prevista a Balança Comercial da China para abril. Estima-se queda na faixa de 12% em importações e entre 12% e 15% em exportações.

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05.05.20

Corte da Selic e forte retração nos EUA e Europa em março/abril

Termômetro

ECONOMIA

Corte da Selic e forte retração nos EUA e Europa em março/abril

Sairá amanhã o resultado de reunião do Copom: expectativa é de corte de 0,5% na Taxa Selic, que iria de 3,75% para 3,25%, com sinalização de novo recuo em junho. Ainda que a medida perca impacto em função da crise econômica, deve ser bem recebida pelo mercado.

O panorama será prejudicado, no entanto, pelo anúncio de uma série de números negativos nos EUA e na Europa, caso se confirmem no patamar esperado. Destaque para o Relatório de Emprego Privado Não Agrícola (ADP) nos EUA em abril, que deve trazer queda pesada. O relatório é considerado uma prévia do balanço geral de empregos no país (payroll), previsto para sexta feira.

Na Europa, serão veiculados nesta quarta os números das Encomendas à Indústria na Alemanha e das Vendas no Varejo na zona do Euro, para março, e, para abril, do PMI de Serviços de Alemanha, França e zona do Euro e do PMI de Construção no Reino Unido.

A tendência é de retração vertiginosa de todos os indicadores, com corte pela metade, em média, nos PMIs de serviços e construção e recuo na casa de – 10% nas Vendas no Varejo e nas Encomendas à Indústria.

O contraponto deve vir de continuidade de recuperação nos números de serviços da China, cuja divulgação ficou para amanhã.

POLÍTICA

Intervenção na PF e jogo entre Câmara e Senado

Na política, atenções continuarão voltadas, nesta quarta, para dois temas centrais:

  • Troca de acusações entre o ex ministro Moro e o presidente, alimentada por liberação pelo STF de depoimento de ministro militares e de requisição de video de reunião na qual Bolsonaro teria solicitado relatório confidencial da PF; bem como por diligencias para apurar mudança na superintendência da PF no Rio;
  • Votação na Câmara de projeto de auxilio a estados alterado no Senado. Estará em jogo, nesse caso, a relação entre Maia e Alcolumbre, a atuação de um Centrão recentemente cooptado pelo governo e o posicionamento de estados do Sul e do Sudeste, prejudicados por mudanças implementadas no Senado.

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04.05.20

Radicalização e conflito institucional, mas tendência de acordos na economia

Termômetro

POLÍTICA

Radicalização e conflito institucional, mas tendência de acordos na economia

Pedido do ex ministro Moro ao STF para que seu depoimento à PF seja tornado público movimentará o Supremo e o mundo político, amanhã. Decisão caberá ao ministro Celso de Mello, crítico contumaz do presidente Bolsonaro. A iniciativa se somará à solicitação da PGR por vídeo de reunião citada por Moro, na qual Bolsonaro teria pedido acesso a relatórios da PF, e à substituição de superintendente da Polícia Federal no Rio, já indicada hoje pelo novo diretor geral da corporação.

Nesse contexto, aumentará a pressão sobre o presidente – e o risco de que a ele seja imputado crime de responsabilidade. A resposta tende a ser radicalização crescente do discurso, na linha do que foi feito nos últimos dias, mesmo que com idas e vindas. Apesar de declaração contemporizadora das Forças Armadas hoje, nada indica perda de apoio da ala militar do governo ao presidente, o que ampliará a sensação de instabilidade institucional.

Por outro lado, enquanto cresce o conflito com Moro e com o STF, aproximação de Bolsonaro com o Centrão pode gerar trégua momentânea na Câmara, ao menos na esfera da economia, com acordos para votação do orçamento de guerra e manutenção de mudanças decididas pelo Senado no projeto de auxílio aos estados. A conferir amanhã, mas Rodrigo Maia parece recuar de posição mais conflituosa tanto para dificultar a polarização pretendida pelo presidente quanto a imagem de divergência com o Senado.

ECONOMIA

Queda no Brasil e nos EUA; recuperação na China

No Brasil, sai nesta terça a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física de março (IBGE), para a qual se estima forte recuo, refletindo pela primeira vez o impacto do coronavírus no setor. No exterior, destaque para o PMI de Serviços (ISM) de abril nos EUA. Previsões apontam para retração de mais de 20 pontos (de 52.5 para 32). O contraponto deve vir, entre amanhã e quarta feira, do PMI de Serviços para abril na China, que tende a manter trajetória ascendente iniciada em março.

INSTITUCIONAL

Estruturação de operação do BNDES para capitalizar a Embraer sem se tornar acionista majoritário da empresa estará no centro tanto do planejamento do Banco quanto do projeto de socorro ao setor aéreo como um todo, nos próximos dias.

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