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Empresa

Bancos credores querem ejetar CEO da SouthRock

7/06/2024
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O RR teve informações de que os principais credores da SouthRock, a exemplo de Banco do Brasil e Santander, avaliam entrar na Justiça pedindo o afastamento de Kenneth Pope da gestão da companhia. A relação entre os bancos e Pope, fundador da gestora, se esgarçou devido à dificuldade de renegociação do passivo de R$ 1,8 bilhão. Entre os credores, haveria também a percepção de que o empresário teria omitido informações contábeis sensíveis que sinalizariam, desde o ano passado, a deterioração financeira da empresa. Em abril, os bancos já pediram à Justiça a penhora de parte da remuneração de Pope. Em recuperação judicial, a SouthRock já perdeu a gestão do Starbucks e do Subway no Brasil. O RR fez tentativas de contato com a empresa, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. Também consultado, o Banco do Brasil informou que não comenta o assunto. O Santander não se pronunciou.

#bancos #Kenneth Pope #SouthRock

Finanças

Gestores independentes avançam no “Fla-Flu” com os grandes bancos

8/05/2024
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Há um enxame de asset managements, venture capitals, gestores de fortuna, family offices, escritórios de agentes autônomos, fintechs, etc, etc.., invadindo o mundo do dinheiro. No final de 2023, segundo dados da Anbima, o Brasil tinha R$ 460 bilhões administrados por 141 gestoras. Essas “empresas vagalume” competiam com os bancos, que administravam à época, R$ 1,99 trilhão por meio de private banking. Mas, apesar da queda da rentabilidade, da secura de IPOs e da concorrência mais forte, o setor das gestoras independentes tem crescido em um ritmo superior em comparação com praticamente todo o ano de 2023.

Dados obtidos pelo RR junto a um escritório de agentes autônomos que faz esse acompanhamento revelam que uma novidade vem estimulando essa expansão. Até o final do ano passado, o ritmo de consolidação dos “vagalumes” por grandes bancos era crescente. Hoje, houve uma reversão: aumentou o êxodo dos profissionais de alto desempenho das grandes instituições financeiras que vão tentar seus próprios negócios.

Os bancos continuam buscando as empresas de menor porte para acordos e gestão cooperativa, além das aquisições de sempre. Mas as gestoras mais antigas estão se aproximando das mais novas com uma velocidade maior. Há uma preocupação já antiga, e nem por isso menor, com a assimetria regulatória do tratamento da banca de maior peso e as condições diferenciadas desse enxame. Ou seja, esse custo comparativamente maior que os grandes bancos carregam pode aumentar ainda mais o volume de recursos destinado a agentes financeiros menores. Até porque as taxas de administração das gestoras independentes são inferiores às dos bancos. Esse é um corner que as instituições financeiras detetoras do bolo maior do mercado precisam resolver.

#Anbima #bancos

Destaque

Contratos em aberto ameaçam o setor cafeeiro no Brasil

13/02/2023
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A ameaça de safras com “inconsistências contábeis” em cadeia paira sobre o setor cafeeiro no Brasil. O risco em questão vem da crescente exposição dos players centrais – produtores, tradings e bancos – a contratos mercantis de entrega futura em aberto. Segundo uma fonte do setor, o estoque atual soma cerca de 10 milhões de sacas ou aproximadamente US$ 1 bilhão – o equivalente a pouco mais de 25% das exportações brasileiras do produto no ano passado. Essa cifra tem causado apreensão no mercado, especialmente nas instituições financeiras, a ponta final onde está pendurada toda a estrutura de crédito que faz a roda girar. Como o nome sugere, essa modalidade de contrato prevê a entrega física do café a futuro com base em projeções de produção e preço para os anos subsequentes. Esse tipo de operação, existente apenas no Brasil e na Colômbia, carrega riscos consideráveis e coloca toda a indústria sobre o fio da navalha. Hoje há um razoável grau de alavancagem, que deixa o setor à mercê do imponderável. Uma eventual repetição das condições climáticas adversas registradas no país em safras recentes pode afetar consideravelmente a capacidade de entrega do café e cumprimento do contrato, criando um efeito dominó nos balanços das tradings e, sobretudo, dos bancos.   

O compliance das grandes trading companies não permite que elas trabalhem com um risco excessivo. Essas multinacionais são obrigadas a fazer operações de hedge para o risco de preço e do não recebimento do produto. Ainda assim, não deixa de ser uma potencial bomba relógio: as tradings carregam o hedge para a frente e vão lançando sucessivamente em seus balanços a entrega do café a futuro. Com isso, a ameaça maior recai sobre as instituições financeiras. Não por acaso, diante do excessivo volume de contratos em aberto no país, já circulam rumores no setor de que bancos poderão brecar o crédito a tradings.   

A preocupação dos agentes do mercado cafeeiro no Brasil tem sido alimentada pelo alerta que vem da Colômbia. A modalidade dos contratos mercantis de entrega a futuro criou um rombo no setor no país vizinho. Neste momento, há algo em torno de US$ 200 milhões em acordos não honrados. Essa cifra tende a ser ainda maior. O volume em questão corresponde apenas a exportações firmadas no âmbito da Federação de Cafeicultores da Colômbia, uma espécie de “grêmio cafeeiro” com vinculações paragovernamentais. A Federação responde por aproximadamente um terço das vendas internacionais de café da Colômbia ou algo como US$ 1,2 bilhão. Significa dizer que os contratos mercantis em aberto representam cerca de 18% das vendas feitas pelos membros da instituição. Em tese, a Colômbia tem um hedge natural. Em razão da ligação da Federação com o governo, muito provavelmente o Tesouro colombiano entrará em ação para cobrir as perdas. No Brasil, esse colchão estatal não existe.   

O contrato mercantil para entrega física de café a futuro é um “produto” made in Brazil. A modalidade foi copiada do mercado de petróleo. Só que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Na indústria petrolífera, a imprevisibilidade é muito menor. Cada produtor tem suas reservas quantificadas e auditadas, com a garantia de que terá óleo para entregar. Além disso, um ponto fundamental: não tem seca ou geada a dois ou três mil metros de profundidade.    

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