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Empresa
XPeng é mais uma montadora chinesa disposta a produzir no Brasil
7/04/2026O RR apurou que a montadora chinesa XPeng abriu conversações com os governos de São Paulo e de Goiás em torno do projeto de instalação de uma fábrica no Brasil. O movimento ocorre em paralelo aos preparativos da companhia para iniciar sua operação comercial no país. A partir do segundo semestre, a empresa deve começar a vender seus primeiros automóveis, importados da China. Listada nas bolsas de Nova York e Hong Kong, a Xpeng tem a Volkswagen como um de seus acionistas minoritários. Em 2025, a montadora chinesa vendeu 429 mil veículos em todo o mundo, um crescimento de 126% na comparação com o ano anterior. A abertura de uma fábrica no Brasil é vista pelos chinesas como peça-chave para competir com rivais chinesas já instaladas no país, como BYD e GWM, notadamente no segmento de veículos elétricos. A Xpeng produz exclusivamente modelos eletrificados. E agora avança para carros sem motorista. Em março, conseguiu autorização na China para testar táxis equipados com a chamada autonomia nível 4, ou seja, automóveis que se deslocam sem qualquer interferência humana.
Destaque
XPeng aumenta a carreata chinesa na indústria automotiva do Brasil
12/03/2024Na esteira da transição energética, o Brasil está se tornando uma espécie de colônia da indústria automobilística chinesa. A julgar pelo crescente número de empresas e, sobretudo, pelo ritmo dos investimentos anunciados, as montadoras do país asiático ameaçam conquistar um território que, historicamente, sempre esteve nas mãos das big four – Volkswagen, Fiat, GM e Ford (essa última nem está mais no Brasil). O nome da vez é a XPeng.
O RR apurou que a fabricante de veículos elétricos prepara sua entrada no mercado brasileiro. A montadora conversa com dois grupos de concessionárias multimarcas com o objetivo de iniciar a venda de seus veículos no Brasil – na partida, seriam dois modelos. Essa primeira investida funcionaria como um test driver para um projeto ainda maior: a instalação de uma fábrica no Brasil.
Fundada em 2017 pelo empresário He Xiaopeng, tido como um dos grandes nomes da área de tecnologia e inovação na China, a XPeng é uma emergente da indústria automobilística em seu país. Tem entre seus acionistas a gigante Alibaba e a própria Volkswagen, com uma participação minoritária de 4,9% – as duas montadoras mantêm uma parceria operacional. A empresa chinesa fatura cerca de US$ 6 bilhões e tem valor de mercado da ordem de US$ 9 bilhões.
Não são poucas as montadoras chinesas que, em um passado recente, desembarcaram no Brasil, mas não aguentaram completar nem a segunda curva. É o caso, por exemplo, de Geely, Lifan e Dongfeng, que vieram e partiram com a mesma velocidade. Ao que parece, serviram apenas de “cobaias”. Tudo indica que a segunda leva está chegando ao mercado brasileiro para ficar. Vide os valores já colocados sobre a mesa.
A BYD, que produz ônibus elétricos em Campinas, vai investir cerca de R$ 3 bilhões em Camaçari para a fabricação de veículos movidos a eletricidade. A Great Wall Motors (GWM), por sua vez, comprou a antiga fábrica da Mercedes em Iracemápolis (SP) e promete desembolsar R$ 10 bilhões no Brasil ao longo da próxima década. A Chery, que mantém parceria com o Grupo Caoa, já comercializa quatro modelos híbridos e um elétrico no Brasil. Há dois anos, os chineses respondiam por apenas 8% das vendas nesse segmento de mercado no país. Em 2023, bateram os 30% de market share.
A carreata de montadoras chinesas é garantia de mais octanagem nos investimentos do setor automotivo no país – até 2030, estão previstos aportes de R$ 117 bilhões. O Brasil é um receptor natural de projetos na produção de veículos elétricos e híbridos. Poucos países no mundo detêm tamanha vantagem comparativa no fornecimento de insumos para a transição energética – água, sol, vento e minerais como lítio e cobre, para ficar nos exemplos mais gritantes.
Ou seja: o Brasil tem facilidades para a produção de carro verde e, consequentemente, para se tornar um hub de exportações. BYD e GWM já anunciaram a intenção de usar sua operação brasileira como trampolim para outros mercados, notadamente na América Latina.