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Crise de inadimplência no agro vira terreno fértil para a JiveMauá

6/05/2026
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A entrada da JiveMauá no agronegócio, com o lançamento de seu primeiro Fiagro, no valor de R$ 500 milhões, vai além da criação de um novo instrumento financeiro. A interpretação no mercado é que a gestora está arbitrando um recuo dos bancos públicos no setor e consequentemente um ajuste estrutural na distribuição de poder no crédito rural brasileiro. O Banco do Brasil foi, é e sempre será o principal financiador do agro. No entanto, o BB, em larga escala, e outros bancos estatais carregam os hematomas deixados pelo aumento da inadimplência do setor rural. No caso do Banco do Brasil, os empréstimos não pagos já atingiram o recorde histórico de 6% da carteira de crédito do agronegócio – são dez trimestres consecutivos de alta. No meio dessa erva daninha, a JiveMauá enxergou um solo fértil.

O financiamento oferecido por estruturas como a da JiveMauá tende a chegar ao tomador a um custo superior ao do crédito rural tradicional. Não se trata de competir com o Banco do Brasil ou com linhas reguladas do Plano Safra no mesmo terreno. O fundo entra justamente onde o banco recua, onde a operação exige mais garantias, mais estruturação jurídica e maior prêmio de risco. No caso da JiveMauá, o Fiagro nasce com 22 operações e pipeline adicional de R$ 800 milhões. A estrutura tem traços típicos de crédito privado sofisticado: cota sênior com retorno-alvo de 15% ao ano, subordinação de 15% e instrumentos como CPRs, debêntures, CRAs e sale & lease back. A mensagem implícita é que o agro, antes financiado sobretudo por relacionamento, está sendo reprecificado por estruturas de risco. O preço do dinheiro passa a refletir não apenas safra, produtividade e commodity, mas também qualidade de garantia, prioridade de pagamento, subordinação, liquidez do ativo e capacidade de execução em caso de inadimplência. A arbitragem está justamente aí. Bancos públicos e privados precisam carregar o crédito no balanço, provisionar perdas, obedecer a limites prudenciais e responder a investidores quando a inadimplência sobe. Fundos estruturados têm outra lógica: captam recursos de investidores dispostos a receber prêmio maior em troca de risco maior, podem montar operações com garantias específicas e têm maior flexibilidade para negociar ativos estressados. Em um ambiente de aperto, o banco tende a recuar; o fundo tende a avançar, desde que consiga cobrar preço suficiente pelo risco.

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JiveMauá encontra um terreno fértil em meio a créditos podres

19/12/2025
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A JiveMauá, gestora com cerca de R$ 21,3 bilhões sob gestão, está se consolidando como um dos principais vetores de capital no mercado de créditos estressados do agronegócio, uma frente marcada por risco elevado, mas com potencial de retorno acima da média. A casa de investimentos já alocou aproximadamente R$ 2 bilhões na aquisição de carteiras inadimplentes ligadas ao setor rural — montante que, segundo interlocutores do mercado, deve crescer de forma relevante ao longo de 2026, à medida que bancos aceleram a limpeza de balanços e novas recuperações judiciais ganham tração no campo.
O foco da JiveMauá tem sido a compra de créditos com lastro real robusto, sobretudo operações garantidas por terras agrícolas no Centro-Oeste e no Sul, regiões onde a liquidez fundiária e o valor dos ativos ainda funcionam como colchão de proteção contra perdas mais severas. A gestora evita operações pulverizadas e privilegia exposições concentradas, em produtores médios e grandes, com histórico operacional e ativos capazes de sustentar uma reestruturação mais profunda.
Nos bastidores, a leitura é que a gestora também passou a monitorar ativamente processos de RJ em estágio inicial, buscando entrar antes da deterioração total do crédito. Esse movimento permite negociar diretamente com bancos originadores e produtores, capturando descontos mais agressivos e evitando leilões concorridos de carteiras já amplamente conhecidas pelo mercado.

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