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Destaque
Governo se mobiliza para blindar Gabriel Galípolo
26/05/2025Gabriel Galípolo é um presidente do Banco Central à prova de balas. Ao menos de “fogo amigo”. Há no governo uma “operação blindagem” com o objetivo de evitar novas manifestações histéricas contra a política monetária, notadamente a taxa de juros. Essa mobilização é capitaneada pelo próprio Palácio do Planalto – até porque o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, está esterilizado.
Existe uma preocupação com qualquer questão ou declaração que possa fragilizar Galípolo. O Palácio tem procurado tratar dos assuntos relacionados às taxas de juros a portas fechadas com o próprio presidente do Banco Central. Lula vem se reunindo com Galípolo, algumas vezes a sós, para assuntar sobre o nível da Selic.
Afinal, há uma eleição logo ali na frente, e os juros e seu impacto sobre a atividade econômica serão um dos temas mais nevrálgicos da campanha. Nesse contexto, as consultas a Galípolo se dão até em agendas que não são diretamente da alçada do Banco Central, mas podem ter algum imbricamento com a questão fiscal e consequentemente com as taxas de juros. É o caso das mudanças da IOF.
Ainda que a matéria não tenha passado pelo BC, conforme o próprio Haddad confirmou, na última quinta-feira à noite, Galípolo foi chamado ao Palácio do Planalto pelo ministro da Casa, Civil, Rui Costa, para discutir a medida. Naquele momento, ressalte-se, Haddad não se encontrava em Brasília. Gabriel Galípolo, a quem Lula denominou um “menino de ouro”, virou a âncora do bom senso do presidente da República em relação ao Banco Central. Atacar Galípolo seria torpedear um chefe da autoridade monetária escolhido por Haddad e endossado pelo próprio presidente.
Ao menos por ora, os arroubos e despautérios disparados contra o BC, personificado em Roberto Campos Neto, parecem ter ficado no passado. Mesmo com a elevação acumulada da Selic em 2,50 pontos percentuais nas três reuniões do Copom já conduzidas por Galípolo, Lula ficou mudo. Algo muito diferente do que se viu na gestão de Campos Neto, uma espécie de Emmanuel Goldstein do governo do petista, em referência ao personagem da obra de 1984 – de George Orwell -, que era usado pelo Estado para canalizar o ódio popular.
Durante os dois anos de interseção dos mandatos de Lula e Campos Neto, em 2023 e 2024, ao menos em 11 ocasiões o presidente da República criticou o chefe da autoridade monetária publicamente, de forma quase ofensiva, invariavelmente atribuindo a ele a responsabilidade total pelas altas taxas de juros. E, assim, Lula encontrou uma forma matreira de desviar o foco de outros assuntos ao povoar a mídia com seus bombardeios contra o presidente do BC.
Segundo levantamento feito pelo RR junto aos 80 veículos jornalísticos de maior audiência do país, nesses dois anos houve 6.282 menções a críticas do petista contra Campos Neto. É o equivalente a quase nove citações diárias, em média, ao longo de 2023 e 2024. Lula era o principal vocalizador das barbáries contra Campos Neto. Mas não o único. O PT como um todo sempre considerou as taxas de juros nas alturas inaceitáveis.
Sendo assim, outros petistas despejaram sua bílis sobre Campos Neto. No mesmo período, foram registradas 3.412 inserções com declarações de Haddad contrárias ao economista. Vez por outra, a então presidente do PT, Gleisi Hoffmann, também era escalada para disparar contra Campos Neto. Entre 2023 e 2024, é possível encontrar 781 citações na mídia com ataques de Gleisi ao então no1 do BC. Ao contrário de Galípolo, aos olhos do governo Lula, Campos Neto, escolhido por Paulo Guedes e Jair Bolsonaro, era o presidente do Banco Central ideal para ser alvejado.
Economia
André Lara e Pérsio Arida ressurgem na bolsa de apostas para o Banco Central
19/06/2024
Finanças
Galípolo é uma fragrância de André Lara Resende na diretoria do BC
26/04/2024Em reunião realizada no último sábado, com a participação de intelectuais que atuaram ativamente no Plano Real e potentados empresariais de vários setores, a grande atração foi o speech de Gabriel Galípolo, novo diretor de política monetária do Banco Central. Galípolo assustou os presentes pela semelhança das suas ideias com as do economista André Lara Resende, pavor de toda audiência por seus conceitos heterodoxos. Um dos partícipes do encontro, talvez o mais sofisticado integrante do governo FHC, contudo, se empenhava em diluir as preocupações já reinantes. Primeiramente porque, mesmo que Galípolo venha a assumir a presidência do BC com o encerramento do mandato de Roberto Campos Neto, em novembro, não seguirá a cartilha de Lara Resende. Ainda que a autoridade monetária seja independente, Lula é, na prática, algo correspondente ao comandante em chefe das Forças Armadas. Só que nas áreas sob controle do Banco Central. O presidente da República não tem o poder de vetar decisões do BC, mas pode pressionar draconiamente o presidente e o colegiado da instituição para que tomem decisões alinhadas às políticas de governo. Mais um dado: até o fim do governo, a diretoria do BC será praticante toda indicada pelo Lula/PT. E mesmo se não houvesse todos esses óbices, o mercado brecaria a alucinada nova teoria monetária, um dos pilares da admiração de Galípolo por Resende. Há menos problemas nessa área do que pensam alguns ansiosos ou paranoicos.
Economia
Governo já tem script para mudança no BC e queda dos juros
9/05/2023O roteiro para a redução da taxa de juros – não um tiquinho de 0,5 ou 1 ponto percentual, mas algo em torno de dois pontos – ainda neste ano já está escrito. Lula quer essa queda da taxa básica de qualquer forma; o PT está impregnado com essa obsessão; e o próprio Fernando Haddad, mesmo com toda a sua parcimônia, já não esconde que ingressou no bloco da política monetária “dovish”. Todos acima acreditam que o arcabouço fiscal vai funcionar, sem o que os juros “fora do lugar” seriam um suicídio da política econômica no médio prazo. O arcabouço, hoje, é representado por duas bandas: a do governo, que já está dada, conforme visto acima; e a do mercado, que faz cálculos e mais cálculos para demonstrar sua inexequibilidade e explora dúvidas de ordem política para carregar ainda mais nas dúvidas. Essa é a casca do problema. Mas a ordem de encaminhamento dessa redução na marra já tem um script, iniciado, ontem, com a indicação do Secretário Executivo do Ministério da Fazenda, Gabriel Galípolo, para a diretoria de política monetária do Banco Central. O caminho que o RR identificou, e o seu passo a passo, é o seguinte:
- Galípolo vai para a diretoria de política monetária como abre-alas: entra para criar espaço e pressionar a política monetária por dentro do BC – não esquecer que, contando com ele, até o final do ano serão quatro o número de indicados por Lula para um colegiado de nove diretores:
- Galípolo tem a admiração e confiança de Haddad, e, portanto, caso Campos Neto jogue a toalha, seria um nome forte para a presidência do BC. Mas há uma alternativa, na qual o RR vem martelando, que seria formar um colegiado em sintonia com a política econômica da Fazenda. Galípolo pode ter proeminência nessa diretoria, mas não precisaria ser necessariamente o presidente da autoridade monetária.
- O nome de preferência de Lula, e do PT, conforme o RR já disse e repisou, é do economista André Lara Resende, que, inclusive, é uma espécie de mentor de Galípolo no que diz respeito à política monetária. Lula adoraria ter um projeto heterodoxo que virasse a ortodoxia dos juros pelo avesso. Um “Plano Real” para chamar de seu. De certa forma, o arcabouço fiscal é uma perna do “Plano Real” lulista. A outra está no BC.
- Daqui para frente, de acordo com o RR, vai ser pau puro em cima de Campos Neto, que não sinaliza disposição de jogar a toalha, mas pode muito bem mudar de ideia em junho, quando se reúne o Conselho Monetário Nacional (CMN). Na ocasião será discutida a meta de inflação. O governo tem maioria no CMN. Nove entre 10 integrantes do alto escalão do governo apostam que a meta será alterada e transformada em um alvo de mais longo prazo. Entre eles, há um consenso: não é o aumento da meta que fará a redução dos juros agora; mas é a atual meta estreita que, uma vez mantida, não permitirá a redução dos juros no próximo ano, por exemplo.
- A presidência do BC está apalavrada com André Lara Resende, mas não há nada que impeça um troca-troca entre ele e Galípolo, formando uma siderúrgica dobradinha na instituição. Lara Resende, como se sabe, já foi diretor influente do BC, teve um banco e é um nome vinculado à academia. Atualmente, sua cruzada contra a teoria econômica ortodoxa pode contar muitos pontos no encantamento de Lula, um personagem que sempre remou contra a maré. Mas o principal motivo é que é o único economista com uma racionalização estruturada sobre um novo constructo monetário capaz de fazer os juros “caírem”.
- Há quem aposte que Galípolo entrará no BC para fazer mais do mesmo. O RR duvida, até porque teria de se desdizer em vários pontos das suas declarações recentes. Até pode ser, mas Haddad estaria trocando seis por meia dúzia. Não é impossível. Mas é muito difícil.