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Especial
Cuba é a próxima na fila de capturas de Donald Trump
4/03/2026O RR teve acesso a um position paper do Carnegie Endowment for Internacional Peace, um think tank norte-americano que varre com ênfase o cenário latino. Usando de uma metáfora, a apuração que emerge é que Cuba, depois da Venezuela, esteve a um minuto de deixar de ser um museu castrista e voltar a ser uma Angra dos Reis de Miami. Tudo a seu tempo. O conflito no Oriente Médio empurrou para um segundo momento o destino inexorável da ilha na gestão Trump. Ou seja: o país regrediu na fila do pacote de submissões geopolíticas aos Estados Unidos. Vai acabar se ajoelhando, virar protetorado. A nomenclatura cubana também não baixa a crista para desanuviar a tempestade que virá com Trump. Agora mesmo um novo belisco: a declaração do presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, que classificou a morte do aiatolá Ali Khamenei um ato vil e execrável. “Khamenei será lembrado em Cuba como um destacado líder e estadista”.
A aposta maior é que, ao contrário da Venezuela, cujo modelo foi uma gestão “pseudo compartilhada” e amistosa, Cuba seria anexada. Seus comandos não são tão obedientes quanto as raspas e restos que sobraram da soberania venezuelana. Os generais da ilha podem ter bem menos recursos de defesa, mas cairiam atirando. Para dobrar as dobradiças que ainda seguram fragilmente o regime – os comandos e o sobrenome Castro do Primeiro Secretário do Partido Comunista de Cuba, o “Raul” – os norte-americanos utilizariam suas técnicas de intimidação hiperbolizadas por Trump. Os cubanos têm seu orgulho, e a maioria certamente não aceitaria posar de ovelhas. Queira-se ou não, a luta por uma sociedade mais justa está introjetada nos seus corações e mentes. Ao mesmo tempo, não há como negar que a população está cansada da pobreza; e não quer voltar ao prostíbulo de Fulgêncio Batista. Porém, não tem a mesma firmeza quando se trata do trade off entre hambúrguer do McDonald e o caldo de cana de açúcar.
Há também o fator tempo. A satanização de ancien régime tende somente a se diluir – mais de 60% dos atuais moradores da ilha viveram sua fase adulta longe da era Batista no poder; haverá dúvida no meio dos jovens entre o que aconteceu de verdade e o que foi folclore daquele período. Com os algoritmos da IA, a motivação e a luta revolucionária cubana podem ter muitas versões. Mesmo com o sobrenome Castro ainda tremulando em pavilhões ou as t-shirts com o rosto de Che aplicada no peito, tudo indica que a maioria anseia ardorosamente por resorts, cassinos, shoppings. Parece gozação, mas não seria improvável que Trump, um especialista no binômio hotel e jogatina, inaugurasse os investimentos no setor de turismo, segmento com maior potencial econômico da ilha. Seria um ganho de marketing enorme para o presidente norte-americano. E com batalhões de drones ali bem ao lado, na Flórida (150 km de distância).
Os EUA, desde o último triênio do século passado, já tinham o passaporte para se sentar em um sofá na sala de Cuba. Parece que não o fizeram não exatamente pela temperatura quente ou fria das condições geopolíticas, mas por alguma perversão freudiana. Convém pontuar a análise com uma condicionalidade: Qualquer solução de mudança do regime somente ocorreria depois de uns demonstração de amistosidade, tal como ofertas de alimentos e garantias de energia. Uma mistura de “dronepower” com softpower. Mas Cuba tem tão pouco a oferecer e tanto a desejar, que, para Trump, seria como dar a xepa da feira. O lixo de Nova York abasteceria 10 cubas, é o que deve pensar o presidente norte-americano. Na linha do greenfield, talvez fosse possível criar um polo de exploração da piscicultura, proteína do mar, pequenos quintais fazendas de moluscos que gerariam emprego e fonte alimentar. A título de chiste, a JBS está aí mesmo para ser convidada a participar de um empreendimento do gênero.
O território marítimo de Cuba é pequeno, mas ajudaria no quesito alimentação do turismo com proteína fresca. Na verdade, Cuba, do ponto de vista estratégico, não interessa a nenhum dos próceres ideológicos do mundo, tais como Vladimir Putin ou Xi Jinping. Mesmo para Trump também não passa de um pouco de caspa para espanar do ombro. Mas, com o protagonismo do advento do Irã, Cuba regressa ao seu lugar de pulga no cangote dos EUA e candidata ao esmagamento nesses três anos que restam a gestão Trump. Até que o cenário do Oriente Médio se desanuvie e os cubanos bilionários que dominam o mercado o mercado imobiliário da ilha possam entrar efetivamente no jogo com seu arsenal de dólares, o grande capital segue estudando se Cuba será um balneário para as velhinhas endinheiradas da Flórida ou uma Disneylândia adulta.