17.03.17
ED. 5580

Planalto busca um rosto para acelerar reforma da Previdência

A área de comunicação do Palácio do Planalto procura um personagem com perfil adequado para dar um testemunho televisivo sobre a importância fulcral da Reforma da Previdência. Algumas características são fundamentais, tais como alta credibilidade, empatia com o grande público, admiração e respeitabilidade. O Planalto está convicto de que, se não conseguir, em alguma medida, mobilizar a opinião pública em torno do tema, dificilmente o Congresso votará a proposta no prazo inicialmente traçado, até julho.

No governo, já se fala na hipótese de a reforma da Previdência não sair antes de outubro. A inspiração para a comunicação do Planalto está mais para o choro da professora Maria da Conceição Tavares no lançamento do Plano Cruzado do que para o medo de Regina Duarte diante da eleição de Lula. Mas, se não for encontrado um depoente com a força emocional de Conceição, poderão ser elencados vários testemunhais.

O perfil que mais encanta os comunicólogos é o da cantora Ivete Sangalo – ou algo parecido, se é que existe. Ela não tem o ranço intelectual que distancia das classes populares, é extremamente querida, idônea, trabalhadora e com capacidade de emprestar a gravidade e emoção necessárias ao convencimento. A ideia de convocar para a defesa da reforma uma pessoa aclamada pelo país inteiro surgiu após pesquisa de opinião que revela a rejeição da população à proposta e, principalmente, a dificuldade de compreensão das novas regras.

O consenso é que não há no governo ou na tecnocracia ninguém com os predicados necessários para defender uma mudança estrutural antipaticíssima desde a origem, a despeito da sua maior ou menor necessidade. A “mãe” ou o “pai” da reforma na televisão não deve ter pretensões eleitorais. E antes de tudo deve ser amado. Tudo aquilo que esse governo não é.

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