21.05.18
ED. 5871

Petrobras ainda busca o “ponto ótimo” do compliance

A troca de guarda na nevrálgica área de compliance da Petrobras é cercada de expectativas na companhia. Segundo o RR apurou, Rafael Mendes Gomes assume hoje a diretoria de Governança e Conformidade em substituição a João Elek com uma missão prioritária conferida pelo alto comando da estatal: reestruturar o departamento de apuração de denúncias. O preço da Lava Jato será sempre a eterna vigilância e um grau de rigidez por vezes um tom acima.

No entanto, a área tem sido alvo de críticas dentro da Petrobras: os funcionários enxergam muitos excessos e baixa efetividade. O departamento é questionado por acolher acusações pouco fundamentadas, pela falta de qualidade técnica das investigações, pela baixa transparência e por penalizações consideradas indevidas. Há hoje um caso notório dentro da sede, na Av. Chile: um gerente que atuava no projeto da Petroquímica Suape foi demitido por justa causa devido a acusações graves de irregularidades.

No entanto, o funcionário contesta a denúncia. Em carta enviada à Ouvidoria, elenca uma série de questões que põem em xeque a profundidade das investigações internas. O cenário hoje em nada lembra a terra-arrasada de 2015, quando João Elek assumiu a área de Governança e Conformidade – única diretoria da Petrobras em que o titular deve ser obrigatoriamente contratado no mercado. Elek chegou em meio ao turbilhão da Lava Jato e da maior crise da história da Petrobras.

Em três anos, estruturou o modelo de compliance da companhia e encerrou as ações coletivas das quais a estatal era alvo nos Estados Unidos, fechando o acordo de US$ 3 bilhões no ano passado. Elek, é bem verdade, teve um sobressalto na sua passagem pela empresa: em agosto do ano passado foi afastado temporariamente do cargo devido à contratação direta, sem licitação, da Deloitte, no momento em que sua filha se candidatava a uma vaga de emprego na empresa de auditoria – acabaria contratada pouco depois. O caso chegou ao Comitê de Ética da Previdência da República. Elek foi inocentado.

Teve melhor sorte do que as dezenas de funcionários da estatal que passaram pelo crivo da sua diretoria e acabaram demitidos por conta de denúncias até mais brandas. Desse episódio, surgiu, inclusive, um cargo sui generis na Petrobras. A área de compliance é a única a ter um diretor adjunto. Segundo informações filtradas da companhia, o posto foi criado profilaticamente para suprir uma eventual suspensão definitiva de Elek. Curiosamente, a função foi mantida mesmo após a volta do executivo.

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