26.02.19
ED. 6063

Pedro Parente abrevia sua via crucis na BRF

A nomeação do ex-presidente da Petrobras Ivan Monteiro como CFO da BRF é vista na própria empresa como um rito de passagem. O RR apurou que Pedro Parente antecipará sua saída da presidência da companhia, inicialmente prevista para junho. Caberia a Monteiro a missão de substitui-lo, em um déjà vu do que ocorreu na Petrobras. De acordo com a mesma fonte, Parente vai se unir a um grupo de investidores na montagem de um fundo de private equity. A princípio, permanecerá apenas como hairman da BRF. Não chega a ser uma posição confortável se o exemplo mais recente, o de Abilio Diniz, for o modelo de comparação. A mudança na gestão executiva coincide com o turning point da companhia. A BRF terá pela frente um labirinto de negociações com a Justiça e órgãos de controle da República até fechar a Caixa de Pandora da Operação Carne Fraca, que investiga pagamentos de propina a fiscais do Ministério da Agricultura. Segundo a fonte do RR, os próprios advogados da empresa estimam que a negociação do acordo de leniência não estará concluída em menos de oito meses, considerando-se apenas as tratativas com o Ministério Público Federal (MPF). O MPF ainda terá de designar um comitê de investigação para submergir nas entranhas da BRF e conduzir todo o trabalho de apuração dos malfeitos. Após a conclusão dos trabalhos do comitê de investigação do MPF, a BRF ainda será obrigada a implantar um
novo sistema de compliance e higienizar os seus processos internos. Somente, então, poderá ter o sinal verde dos procuradores e sacramentar o acordo de leniência. O enigma é: que BRF existirá ao fim deste calvário? Estima-se que a empresa terá de vender algo próximo a R$ 4 bilhões em ativos para levar seu passivo para um nível razoavelmente palatável – no último balanço divulgado, no terceiro trimestre de 2018, a relação dívida líquida/ebitda era superior a seis para um.

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