07.11.18
ED. 5989

Paulo Guedes ensaia sua lua de fel com a indústria

Há três hipóteses perambulando na avenida da indústria brasileira. A primeira delas é o ministro da Economia, Paulo Guedes, conseguir se impor junto aos empresários e retirar barreiras às importações, cortar subsídios, reduzir o BNDES e esvaziar as entidades do setor. A segunda: Guedes tenta, tenta, há uma forte reação dos industriais, e ele não leva. Finalmente, a terceira e mais provável: Guedes fica soltando seus balões de ensaio e Jair Bolsonaro vai furando um por um. Em todas as alternativas, é previsto o conflito entre o ministro e o setor. Guedes não tem a menor afeição aos industriais. A recíproca também é verdadeira. O economista declarou em outras oportunidades que o sumiço de certos setores da indústria seria bom para o país. Assim, segmentos sem vantagem competitiva estrutural, como o têxtil, moveleiro, calçados e brinquedos, só para citar alguns, poderiam muito bem desaparecer. Guedes acha que são os empresários acostumados aos favores do Estado que tornam a indústria ineficiente. Os industriais consideram o contrário: não há concorrência possível se os fundamentos são assimétricos. Juros, tributos, infraestrutura, custo do trabalho, o Brasil perde em todas na comparação com o exterior. A briga é boa. Um “desindustrialista” contra empresários industriais, em período no qual a participação do setor no PIB desaba.

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