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27.03.20

Talvez falte um Proer para as empreiteiras

Observatório

Isaak Kaleh, macroeconomista.

Um dos grandes estragos realizados na economia do país foi a demolição da indústria pesada. A Operação Lava Jato fez o que Roberto Campos chamava de jogar o bebê fora junto com a água suja. A Lava Jato enquadrou os corruptos, mas destruiu também as empresas, que tiveram canceladas sua carteira de obras no setor público, além de suspensas as linhas de crédito com os bancos do governo. Mais de 37 mil pessoas foram demitidas e empreendimentos, paralisados. E o Brasil perdeu soberania, ficando refém do capital estrangeiro para tocar suas grandes obras de infraestrutura. Na atual circunstância, por exemplo, temos quase 1.000 obras paradas e um oceano de projetos greenfield de saneamento para serem construídos. Recursos existem.

Se deixarem, o BNDES tem R$ 100 bilhões em caixa para investimentos em capital fixo. Mas quem vai meter a mão na massa? Os chineses? Os russos? Podem esquecer. Somente se a outorga for a preço de banana e a regulamentação for um presente de pai para filho. O pior é que tínhamos algumas das empreiteiras internacionalmente mais competitivas. Curioso como os pesos e medidas foram diferentes com o setor bancário. Na quebradeira de grandes instituições financeiras no século passado, o governo fez o correto. Separou a borra do vinho. Retirou os acionistas do controle, salvou os bancos e os transferiu para outros donos.

Esse programa de recuperação foi batizado de Proer. Passados mais de 40 anos, vivemos uma crise setorial semelhante. Mas com uma diferença radical: houve uma dizimação integral da construção pesada, justo no momento em que mais precisávamos desse setor, para gerar empregos, reduzir o gap da infraestrutura e dar condições de dignidade à vida das pessoas. Talvez fosse o caso de um Proer para as empreiteiras. Muitos desempregados agradeceriam…

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