24.10.19

Sites de apostas entram em campo no Brasil

Observatório

Por Claudio Fernandez, jornalista e editor-chefe do Relatório Reservado.

O futuro do futebol brasileiro e – por que não? – o reequilíbrio de forças entre os grandes clubes passam, em razoável medida, pelas mãos do ministro Paulo Guedes e de sua equipe. Alguns dos maiores sites internacionais de apostas eletrônicas deverão assumir uma posição de protagonismo no patrocínio aos times nacionais, abrindo nova perspectiva para o marketing esportivo no país. Para isso, no entanto, é necessário que o Ministério da Economia regulamente a Lei 13.756, promulgada pelo então presidente Michel Temer, em dezembro do ano passado. A nova legislação autorizou a atuação de sites de apostas no Brasil.

O futebol brasileiro já começa esse jogo com ganhos garantidos. A lei prevê o repasse de 1% a 2% das apostas para os clubes que cederem “os direitos de uso de suas denominações, suas marcas, seus emblemas, seus hinos, seus símbolos e similares para divulgação e execução da loteria de apostas de quota fixa”. No entanto, o grande quinhão virá dos acordos de patrocínio, que tendem a ganhar uma proporção financeira bastante expressiva à medida que a atividade de aposta eletrônica for regulamentada.

Uma amostra do potencial de irrigação do nosso futebol com estes recursos já pode ser observada no atual Campeonato Brasileiro. Mesmo antes da regulamentação, dez dos 20 clubes da Série A já contam com patrocínios de plataformas de apostas eletrônicas. Vasco e Fortaleza mantêm acordo com o NetBet. O Atlético-MG fechou com a 188Bet; o Corinthians com a Majorsports; o Fluminense com a Kashbet. A CasadeApostas.com, de origem europeia, tem, até o momento, o maior elenco entre clubes brasileiros: Bahia, Botafogo, Cruzeiro e Santos.

O acordo mais recente foi firmado entre o Flamengo e o Sportsbet.io, pertencente ao Coingaming. Com sede na Estônia, o grupo reúne negócios que vão das apostas online a criptomoedas.

Por ora, os valores dos patrocínios são relativamente modestos, condizentes com um negócio ainda incipiente vis-à-vis os grandes mercados internacionais. Os números são pouco rigorosos, mas estima-se que os brasileiros gastem, por ano, entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões em apostas em plataformas sediadas no exterior. Esse valor, provavelmente, alcançará patamares muito mais expressivos no momento em que essas empresas operarem no país.

De toda forma, é animador que o número de clubes da Série A que já mantêm contrato com sites de apostas seja idêntico ao da Premier League – ainda que não necessariamente como patrocinadores máster. Na próxima temporada do Campeonato Inglês, empresas do setor estarão estampadas na posição central de dez camisas de clubes daquele país.

Outra possibilidade que se abrirá para os clubes brasileiros e mesmo para as arenas administradas por consórcios privados é o segmento de naming & rights. Na Championship, a segunda divisão da Inglaterra, o Bet365 dá nome ao estádio do Stoke City.

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