fbpx
27.01.20

O dólar furado

Observatório

Por Frank Geyer Abubakir, empresário.

Eu sou frequentemente perguntado se o dólar em R$ 4 é bom para as grandes empresas brasileiras. Tenho a percepção de que há uma dose de esoterismo nesse debate. É como se fosse uma tentativa de buscar uma relação entre as moedas, o que não faz sentido para o chão da fábrica. A cotação do dólar deve estar ligada diretamente aos custos de produção. É fácil de entender: se a nossa energia for quatro vezes mais cara e a nossa burocracia custar quatro vezes mais, se comparadas a países competitivos, a nossa moeda precisa valer muito menos. Isso porque precisamos compensar os custos mais altos para vender os nossos produtos no exterior. O câmbio, gostemos ou não, deve estar atrelado à nossa realidade para que possamos gerar mais empregos, especialmente no momento em que a taxa de desemprego ainda é muito elevada. Câmbio mais baixo – ou apreciado, como dizem os economistas – dá uma sensação de consumo em alta, como ocorreu até meados de 2013, mas no médio prazo é bom para uma minoria. Faça chuva ou faça sol, esses privilegiados sempre ganham muito dinheiro, enquanto muitos perdem os seus empregos, sobretudo na indústria. Dólar baixo lembra o faroeste “O Dólar Furado”, estrelado, em 1965, pelo ator Giuliano Gemma, que interpretou um soldado que retorna da guerra para lutar uma outra em casa. Sem que ele soubesse, seu irmão transformou-se num pistoleiro infame chamado Black Jack, que derrota os criminosos locais. Portanto, dólar baixinho é uma grande furada, um devorador de vidas, como no filme.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.