30.10.19

No Zimbabwe, mulheres com treinamento de comandos caçam os caçadores

Observatório

Por Marcio Scalércio, historiador e professor de Relações Internacionais na PUC- Rio.

A caça é proibida no Parque de Phundundu, às margens do rio Zambezi na república africana do Zimbabwe. Segundo as leis locais, nas áreas de preservação, colecionar troféus e tirar selfies com carcaças da vida selvagem é crime grave. Na verdade, hoje em dia, os caçadores é que são impiedosamente caçados, e por mulheres. Elas patrulham o parque armadas com fuzis de assalto modernos e, exibindo altivez e apreço por seu trabalho, recebem um treinamento similar ao das tropas especiais da Austrália.

São as “Akashinga” – que significa “as Bravas” no idioma Shona. As Akashinga são recrutadas nos aldeamentos fronteiriços ao parque. O projeto é pago pela ONG International Anti-Poaching Foundation. Poaching significa “caça furtiva”. O encarregado direto do programa é o militar australiano aposentado das Forças Especiais Damien Mander. O projeto, além de tentar preservar a vida selvagem, procura melhorar as condições de vida da população paupérrima da região. Mander faz uso de dados da ONU e de organizações internacionais para conduzir suas práticas.

Segundo elas, as mulheres são mais resistentes ao suborno dos caçadores furtivos do que os homens. Além disso, segundo as pesquisas, gastam 95% do que ganham com suas famílias, ao passo de que os homens em média repassam apenas 35%. O projeto prioriza o recrutamento de mulheres que foram vítimas de traumas: órfãos de aidéticos e vítimas de abuso sexual ou violência doméstica. O duro treinamento a que são submetidas restaura-lhes o amor próprio e empresta-lhes um propósito. E, uma vez em serviço, a vida dos caçadores furtivos torna-se infernal. Nada de refresco. Elas não aliviam nada. No Parque de Phundundu, as Akashinga patrulham altivas. Bom para a vida selvagem, bom para elas e suas famílias, péssimo para os caçadores furtivos. Desde que passaram a agir, houve uma queda drástica na mortandade de elefantes e leopardos.


Referência: Wildlife Watch, National Geographic.

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