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02.12.19

Faroeste caboclo

Observatório

Por Kelly Nascimento, jornalista.

O desempenho na área de segurança será uma das variáveis-chave nas eleições presidenciais de 2022. Esse é o pano de fundo do recrudescimento precoce das desavenças entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. Para o segmento de eleitores que ambos disputam – a direita conservadora –, bandido bom é bandido morto. Nesse duelo, Witzel saiu na frente. Sob sua gestão, o Instituto de Segurança Pública do Rio alcançou um recorde.

Segundo dados divulgados no fim de novembro, 2019 foi o ano em que a polícia fluminense mais matou, desde o início da série histórica em 1998. Até outubro, a tropa de Witzel matou 1.546 pessoas. Mesmo sem contabilizar os últimos dois meses do ano, o uso da força letal chega a um novo paradigma no estado do Rio. Pode-se discordar do ex-juiz, mas não se pode acusar de não cumprir o que prometeu. Ele foi eleito defendendo que “a polícia mirasse na cabecinha e… fogo!”.  Com a recente prisão do traficante 3N, o ex-juiz, que aspira ser presidente, fecha em grande estilo seu primeiro ano de governo.

Está entregando o combinado. Por sua vez, Bolsonaro não se fez de rogado e revidou. Sacou do coldre a proposta de excludente de ilicitude, que estabelece situações em que militares e agentes de segurança podem ser isentados de punição ao cometer algo considerado proibido por lei. Os críticos chamam a medida de “licença para matar”. Para o presidente, é apenas a garantia da lei e da ordem. Enquanto o Pacote de Anticrime do ministro Sergio Moro descansa na geladeira do Congresso Nacional, o Planalto tenta abalar a maior facção criminal brasileira com as ferramentas que tem.

No final de novembro, Moro deflagrou uma força-tarefa para cumprir mandados de prisão contra 110 pessoas suspeitas de integrar a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o propósito da operação não foi apreender armas e drogas, mas isolar os novos líderes do cartel. O combate à criminalidade não protagoniza o debate pré-eleitoral só por essas bandas. Nos Estados Unidos, Donald Trump agora trabalha para que cartéis de droga sejam enquadrados como organizações terroristas. A mudança atingiria em cheio as facções mexicanas, que estariam suscetíveis a penas ainda mais duras. Não é segredo que Bolsonaro sonha ser o Trump tupiniquim. É possível que engatilhe uma proposta nessa linha, inspirada no ídolo norte-americano. Seria sua bala de prata em 2022.

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