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13.03.20

Coronavírus é mais uma enfermidade para o futebol brasileiro

Observatório

Por Claudio Fernandez, jornalista.

O coronavírus ameaça provocar um estrago no PIB da bola, com sérias consequências para o futebol brasileiro. Além do impacto direto com o iminente cancelamento de eventos esportivos no Brasil e a consequente queda de arrecadação, há uma ameaça tão ou mais expressiva que vem de fora para dentro do país. A paralisia do futebol europeu poderá desencadear um efeito dominó em que as últimas peças cairão nos mercados mais frágeis da indústria do entretenimento e do esporte. Uma área de risco? A próxima janela de transferências de atletas, no meio do ano.

Como tudo que diz respeito à pandemia, os desdobramentos sobre a cadeia de negócios do esporte ainda são imprevisíveis e dependem fundamentalmente de uma variável: tempo. Até quando partidas e competições do futebol europeu permanecerão suspensas? Quanto os clubes da Europa perderão em venda de ingressos e receita de TV? Qual será a resiliência dos assinantes de pacotes de pay per view no velho Continente sem transmissões esportivas? São questões que podem interferir, em menor ou maior dosimetria, no poder de fogo dos clubes europeus ao fim desta temporada. Se houver fim da temporada.

Moeda fraca, clubes em crise crônica e, portanto, com baixo poder de barganha, menor revelação de grandes talentos… Todos estes fatores têm contribuído para achatar o valor pago pelos europeus por atletas brasileiros. Além disso, a pescaria vem caindo. O número de contratações de jogadores no Brasil diminuiu nas últimas janelas de transferência da Fifa. O coronavírus pode agravar esse quadro. Com campeonatos suspensos, bilheteiras fechadas e eventual perda de receita de TV, a tendência é que os clubes da Europa recolham os flaps e sejam bem mais comedidos no meio do ano.

No ano passado, a exceção das exceções – como em quase tudo que se trata do futebol brasileiro – foi o Flamengo. O clube contabilizou R$ 299 milhões com a venda de direitos econômicos de jogadores. O valor representou 31% da receita total, um índice atípico – basta dizer que em 2018 a soma com a transferência de atletas foi de R$ 64 milhões. Talvez o Flamengo, dono da maior receita do futebol brasileiro, não alcance nem este nível em 2020.

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