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20.12.19

BBB do Moro

Observatório

Por Kelly Nascimento, jornalista.

O ministro Sérgio Moro termina 2019 com uma vitória com gostinho de derrota: aprovação de uma versão bastante desidratada de sua principal bandeira: o Pacote Anticrime. Mas o ex-juiz não se deu por vencido. Para 2020, Moro tem planos ousados: idealiza proporcionar um choque de tecnologia na segurança pública brasileira. Sua meta mais ambiciosa responde pelo nome de Banco Nacional de Perfis Genéticos. O objetivo do ministro é criar um instrumento de vanguarda para a elucidação de crimes.

Um projeto-piloto da iniciativa foi implementado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública neste ano. O governo recolheu 67 mil perfis genéticos de criminosos. A maioria vem do estado que é berço da maior facção do Brasil: São Paulo. Para funcionar de maneira robusta e ter cobertura nacional, o projeto necessita de um maciço investimento tecnológico.

A ideia de Moro é usar a inteligência artificial para analisar os dados coletados e, numa segunda fase, oferecer análise preditiva criminal. Seria a materialização do maior sonho de policiais e investigadores de todo o Brasil: antecipar onde e quando acontecerá um crime e agir preventivamente para evitá-lo. Mais futurista, impossível.

As bases desse sistema já começaram a ser montadas neste ano, por meio do projeto Big Data e Inteligência Artificial. Foram investidos R$ 32 milhões em infraestrutura digital para facilitar a integração e análise de grandes volumes de dados de segurança pública. Um total de 14 estados já recebeu alguma ferramenta tecnológica para iniciar o mapeamento. São eles Acre, Alagoas, Amapá, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Pará, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Roraima, Sergipe e Tocantins. Em 2020, a ideia do governo é levar o programa para os estados das regiões Sul e Sudeste. Moro planeja fechar o próximo ano com o Banco Nacional de Perfis Genéticos e as ferramentas de inteligência artificial alimentando o sistema de segurança pública do Brasil, de forma integrada e sem custos aos estados.

Se a promessa sair do papel, o ex-juiz levaria o país a um outro patamar na área de segurança pública. A ideia é fornecer acesso em tempo real de ocorrência, ações policiais e acompanhar imagens geradas a partir de câmeras espalhadas por vias e espaços públicos de todo o Brasil. Outra funcionalidade prevista é o “Google criminal”: buscar informações sobre indivíduos e itens roubados, por meio do acesso a bancos de dados de todos os estados do país.

Entretanto, não há certeza de que Moro vá navegar em águas tranquilas em 2020. Fontes que circulam pelo Planalto Central ventilam a possibilidade de o presidente Jair Bolsonaro recriar o Ministério da Segurança Pública para abrigar o amigo e ex-deputado Alberto Fraga (DEM). A divisão do Ministério passa, necessariamente, por redução de verba. Sem falar que projetos de combate à criminalidade sairiam da alçada do ex-juiz. Seria um balde de água fria.

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