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19.11.19

A Força no divã

Observatório

Por Nelson During, editor do Defesanet

O Exército Brasileiro enfrenta desafios agudos. O Projeto de Lei 1645, que trata da reforma do Sistema de Proteção Social das Forças Armadas e da Reestruturação da Carreira Militar, traz uma profunda alteração na estrutura da Força Terrestre. São mudanças discutidas internamente, mas muito pouco conhecidas pela sociedade. Uma das mais contundentes diz respeito ao próprio tamanho do Exército, com a possibilidade de redução de 50% no contingente profissional. A discussão do PL 1645 tem gerado enorme desgaste para o Exército, pois grupos com a perspectiva de assumirem liderança política tentam elevar a temperatura da caserna.

A Aeronáutica e a Marinha do Brasil também sofrem tentativa similar. Há menos de um mês, o Ministério da Defesa se viu obrigado a vir a público e responder de forma enérgica a críticas de “supostas” entidades representantes dos praças. Por mais paradoxal que possa soar, a Pasta teve de subir a temperatura para amenizar o clima. Rebateu a narrativa que se tentava construir de que a reforma traria privilégios para o andar de cima e deixaria as raspas e restos para o chão do quartel. “As Forças Armadas se baseiam na hierarquia e disciplina.

A confiança entre comandantes e comandados é inerente à profissão das Armas. Chefes militares não abandonam os seus subordinados. A desestabilização desse princípio não faz bem. Há de ressaltar, principalmente, o trabalho do general Richard Nunes, comandante do CCOMSEx (Centro de Comunicação Social do Exército). A questão salarial e todas as tensões que ela provoca vêm sendo superadas graças ao esforço inaudito do general Richard, em ativa pregação nos principais centros de instrução da Força. Porém, as incertezas de futuro operacional são maiores.

Como reagir passivamente a cortes orçamentários drásticos e assumir silenciosamente que ações estratégicas de defesa nacional não serão cumpridas devido às restrições orçamentárias? Dizer em público os fatores expondo o Planalto e o Congresso? Não há essa hipótese. As Forças Armadas estão comprometidas com a Constituição e a ordem democrática. Os militares, ressalte-se, não são intocáveis. Tampouco avessos a discussões das suas questões nevrálgicas junto à sociedade. A categoria não vive em uma redoma blindada, como muitos querem fazer crer. Mas é fundamental não confundir democracia com isonomia entre militares e civis, o que não ocorre em lugar nenhum do mundo.

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