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Observatório RR

Análises técnicas e independentes produzidas por especialistas em diferentes campos de atuação. Observatório RR traz uma visão única, inovadora e independente sobre temas que pulsam nos cenários nacional e mundial.

10.01.20

A lógica do investimento

Observatório

Por Isaak Kaleh, economista.

É difícil pensar como na prática o antikeynesianismo do ministro da Economia, Paulo Guedes, vai transformar o país em um canteiro de obras na área da infraestrutura. Guedes acha que a mudança no ambiente de negócios, a arrumação das contas públicas – com uma vassourada também na estrutura do Estado – e a mudança da percepção de virtual insolvência do país, são suficientes para atrair o capital estrangeiro. O dinheiro de fora, e somente ele, seria o originador dos investimentos nos setores de logística, energia elétrica, saneamento, entre outros fundamentais, no qual o Brasil se encontra patinando na agenda de desenvolvimento do século XX. Em tese, há recursos de sobra no mundo em busca de aterrisagem. A rentabilidade dos ativos financeiros internacionais encontra-se no seu nível mais baixo.

O Brasil, portanto, proporcionaria possibilidade de retorno de longo prazo para os trilhões de dólares que passeiam pelas nebulosas de moeda escritural. Faz sentido, hipoteticamente. Mas não há qualquer evidência, sem o apoio de verbas do Estado, que esses investidores aportarão por essas praias em empreendimentos greenfield sem uma perspectiva de crescimento da economia bem maior do que os 2% a 3% que são a projeção realista para o futuro quinquênio – isso sem crises da economia internacional e outras acidentalidades de percurso. A lógica do investimento é contrária à do Sr. ministro.

Primeiro é preciso fazer o PIB andar. Depois convidar os parceiros para dançarem a valsa da infraestrutura. As  obras não prescindem do dinheiro estatal, pelo contrário. Já diziam cepalinos de boa cepa que em países periféricos é preciso injetar sangue no setor de construção pesada, equilibrando a dosagem entre parceiros nacionais, públicos e privados, devido à característica non tradable dos projetos. Há 3.000 municípios para fazer o saneamento. Parece irreal cogitar que essa missão seja cumprida pelo capital estrangeiro. Sem o Estado aportar recursos parece, no mínimo, improvável fazer o pas de deux que Paulo Guedes preconiza com convicção.

Ah, mas o déficit público. Essa foi a discussão que deu a tônica do século passado na economia. E parece que vai continuar dando nestes 100 anos seguintes. Dê-se como dado definitivo que desordens fiscal e monetária não combinam com crescimento. Chega a ser um truísmo. Mas entre o juízo na política econômica e a  inanição quase absoluta no investimento público vai uma distância maior do que entre a Chicago University e a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Existem recursos extraorçamentários que podem ser dirigidos para as obras em infraestrutura. Esse é um dos insumos do crescimento. E se não crescer primeiro, não adianta chamar que ninguém vem.

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09.01.20

O inventário que vem do “céu” (Parte 2)

Observatório

Por Eduardo Coutinho, CEO da Montreal

O Custo Brasil mora nos detalhes. A transformação digital e, mais especificamente, o uso de Unmanned Aerial Vehicles (UAVs), os populares drones, têm reduzido significativamente os gastos logísticos na operação de armazéns. Os benefícios comerciais dos drones são rapidamente realizáveis ​​para aplicativos de armazenamento – considerando gastos mínimos de capital, requisitos reguladores mais simples e acesso imediato a dados e insights, resultando em um curto tempo de valor. Os equipamentos representam uma extensão lógica que integra os processos de informações aos processos de armazenamento físico. Aos ganhos financeiros soma-se ainda uma importante questão de ordem regulatória.

O espaço aéreo e os reguladores de aeronaves em todo o mundo permanecem cautelosos com as aplicações comerciais de drones que envolvem: a) sobrevoar multidões; b) sobrevoar à noite; e c) sobrevoar a linha de alcance visual. O Warehouse 4.0 – a próxima onda de adoção de tecnologia por armazéns, impulsionada por IA (inteligência artificial), IoT (Internet das Coisas, na sigla em inglês), gêmeos digitais e drones comerciais – tem a vantagem exclusiva de aproveitar as leis de drones existentes para a adoção completa, sem aguardar o progresso regulamentar nas três restrições acima. Ao melhorar a integridade dos dados do inventário, a adoção de drones por armazéns transformados digitalmente aperfeiçoa imediatamente os KPIs, como tempo de ciclo, frequência de contagem de ciclo e funcionários.

Vantagens do modelo de uso

Com base em inúmeros projetos-piloto de prova de conceito e executados em armazéns modernos em todo o mundo, estima-se que bilhões de dólares em benefícios de receita, custo e segurança sejam realizáveis ​​por meio da adoção em larga escala de drones comerciais pelas partes interessadas no fornecimento. Entre as vantagens, destacam-se a navegação estável por drones em corredores estreitos de armazém e a menor necessidade de investimentos em capex e infraestrutura.

Auditorias de inventário com a utilização de drones podem economizar mais de 50% do tempo do trabalhador; os tempos de clique para envio no comércio eletrônico podem ser reduzidos em até 75%; e o pé quadrado do inventário pode ser aumentado em até 50%, já que os drones têm capacidade de navegar em espaços mais apertados. Os UAVs também oferecem benefícios de governança para armazéns na forma de dados de geolocalização (auditáveis), verificação de itens (baseados em IA) e vigilância contínua da equipe, inventário e infraestrutura. Ao melhorar diretamente a qualidade de vida dos trabalhadores, os drones podem mitigar os riscos de rotatividade de funcionários, estresse e lesões em armazéns.

Computadores e smartphones fornecem uma analogia perfeita para o hardware comercial de drones. Esse segmento está sendo interrompido pela DJI, que trouxe os drones ao mercado com uma combinação de preços de recursos 10 vezes melhor do que os drones proprietários criados para aplicações industriais específicas. Com a construção de uma frota de dispositivos pequenos e leves, complementados com alguns aplicativos específicos de ponta, os operadores de armazém e os integradores de sistemas podem reduzir drasticamente os custos iniciais e operacionais da adoção de drones em larga escala.

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08.01.20

Cliente e marca no mundo digital

Observatório

Por Ivana Quirce, publicitária, analista reputacional e gestora de marcas digitais.

À medida que a tecnologia avança, torna-se cada vez mais importante para as marcas investir em mecanismos que ajudem na construção e manutenção de uma boa imagem nos meios digitais. O que é dito a respeito de uma empresa ou produto no mundo online pode determinar a percepção do consumidor e influenciar diretamente a decisão de compra também no mundo físico. Uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) mostrou que nove em cada dez consumidores virtuais consultam a internet antes de fazer compras em lojas físicas.

É nesse momento decisivo que os comentários e experiências de outros consumidores podem pesar a favor ou contra na hora da escolha de uma determinada marca. Engana-se quem pensa que somente o público mais jovem tem o hábito de vasculhar a internet em busca de informações sobre produtos e empresas. Embora esse comportamento seja preponderante entre consumidores de 18 a 34 anos (93%), a pesquisa mostra que internautas das demais faixas etárias agem da mesma forma.

Os sites que oferecem ferramentas de comparação de preços e de características de produtos são os mais visitados pelos consumidores (62%), seguidos daqueles que medem o índice de reclamação de marcas e produtos (54%). Sites de e-commerce (47%), redes sociais (39%) e blogs especializados (36%) também são bastante consultados. Para construir uma boa reputação online, é fundamental estreitar o relacionamento com o cliente nos canais digitais e solidificar uma imagem positiva da marca. O que acontece no mundo físico reverbera no mundo digital. Os dois são faces de uma mesma moeda. Por isso, um cliente bem tratado volta para novas compras e fala bem da marca, compartilhando sua experiência, principalmente nas redes. Interagir de forma adequada com esse cliente é a chave para que ele se torne um embaixador da marca, ajudando na sua construção de valor e no reconhecimento de seus diferenciais perante a concorrência.

Graças às novas tecnologias, aproximar marca e cliente tem se tornado mais fácil. A internet e as redes sociais simplificaram esse contato, tornando-o mais direto, efetivo e personalizado. Mas não é uma tarefa para amadores. Vamos pensar, por ora, só nas redes sociais. Elas conectam bilhões de pessoas, ajudam a mostrar o lado humano da marca, a criar empatia, engajamento e uma relação de proximidade. E conseguem atingir um público numeroso, sem investimentos expressivos, quando comparados aos orçamentos para áreas do marketing tradicional. A variedade de redes sociais é grande e cada uma delas tem características e funcionalidades próprias; portanto, é preciso saber escolher aquelas que são relevantes para o negócio. Ter um perfil sem um propósito claro é inútil. Outro ponto crucial é fazer o gerenciamento adequado do perfil, com conteúdo de qualidade e adequado ao público, além de interação constante.

De nada adianta deixar comentários, mesmo os positivos, sem resposta. O timing é muito importante porque o tempo de vida dos conteúdos é curto e a internet é ultradinâmica, feita de micromomentos. Se passar muito tempo, já era. Por fim, fazer a análise criteriosa das ações desenvolvidas também é fundamental para medir seus impactos e orientar estratégias futuras. A Netflix é um bom exemplo do potencial de comunicação e de relacionamento que as redes podem oferecer. No Facebook, ela compartilha postagens irreverentes e tiradas inteligentes que causam tanta repercussão quanto seus filmes e séries, gerando milhares de likes, comentários e compartilhamentos.

O gerenciamento da página é de tal forma eficiente que não só consegue promover os serviços da provedora como também interage de forma bem individualizada. Mantém diálogo direto, autêntico e com personalidade com o seu público e tem a coragem de se posicionar, às vezes até respondendo de forma dura, mas bem argumentada, a seus seguidores. No Twitter, um exemplo criativo de engajamento do público foi o da Hellmann’s. Na campanha intitulada “Prepara pra mim”, a empresa criou uma hashtag em que o usuário dizia o que tinha em sua geladeira e a resposta era uma receita usando apenas aqueles ingredientes descritos. A campanha teve como objetivo incentivar novos usos para a maionese, que já é tradicionalmente adicionada no sanduíche e na salada de batatas. Outro caso emblemático foi o do Itaú, no YouTube.

Para promover seu aplicativo, o banco criou um filme em que duas vovós organizavam um chá da tarde com amigas por meio de um aplicativo de celular. O filme superdivertido fez enorme sucesso. Ganhou uma continuação, passou a ser transmitido na TV e transformou as vovós em vloggers. Essas experiências de sucesso nas redes sociais têm em comum alguns pontos-chave, que devem ser observados por qualquer empresa que queira interagir de forma inteligente com o seu público: não tiveram medo de ser autênticos e imprimiram nos seus canais uma voz própria, sem copiar modelos; se dispuseram a ouvir seus consumidores – e eles valorizam quem os ouve; tiveram foco na qualidade e na criatividade; e, por fim, incentivaram o público a compartilhar seus conteúdos.

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07.01.20

Space Force, Space Command e suas órbitas

Observatório

Por Márcio Scalercio, historiador e professor de Relações Internacionais na PUC-Rio.

Após uns dois anos de anúncios e algum alarde, o presidente Donald Trump assinou o “2020 National Defense Autorization Act”, ou NDAA, em 20 de dezembro último, criando a US Space Force e o US Space Command. Para o presidente, trata-se de uma instituição militar inteiramente nova, a ser acrescentada às já existentes – o Exército, a Marinha, a Força Aérea, o Corpo dos Fuzileiros Navais (US Marine Corp) e a Guarda Costeira. O presidente assinou o Ato e, com isso, vai constituindo o legado de seu mandato, uma preocupação de suma importância no âmbito do ego presidencial. Porém, o Ato foi assinado bem antes de se definir claramente quais as funções da nova Força Armada. Quando a US Air Force foi criada como instituição independente em 18 de setembro de 1947, foram incorporados o pessoal e o equipamento da antiga Força Aérea do Exército, além de controle do, na época, único vetor disponível para o lançamento da bomba atômica: as aeronaves bombardeiras de longo alcance.

A nova US Air Force – juntamente com as alas aéreas da Marina e dos Fuzileiros – deveria prestar apoio nos combates que os contingentes norte-americanos se engajavam pelo mundo afora, mas, sobretudo, encarregar-se da proteção do espaço aéreo do país. O controle do arsenal nuclear e a defesa do espaço aéreo doméstico foram integrados como tarefas do SAC – Strategic Air Command sob a responsabilidade da US Air Force. Nada de tão detalhado existe para a definição das tarefas da nova força espacial. A princípio, em termos de estrutura organizacional, o USSPACECOM e o USSPACEFORCE estão abrigados no Departamento da Força Aérea, assim como o Corpo de Fuzileiros está sob a responsabilidade do Departamento da Marinha. Ademais, boa parte do pessoal que integrará a nova força é procedente da Força Aérea.

Mas, em linhas gerais, bem gerais na verdade, pode-se dizer o seguinte: o USSPACECOM será responsável pelo planejamento da “guerra espacial”, isto é, decidir o que deve ser feito para o melhor aproveitamento do domínio espacial com vistas aos interesses de segurança dos Estados Unidos e seus aliados. Já a USSPACEFORCE deve ter a capacidade de executar as diretrizes do USSPACECOM, desenvolvendo tudo o que for necessário para prestar apoio às ações das forças norte-americanas a partir do domínio espacial. Claro que quando se fala de “domínio espacial”, não há, pelo menos a princípio, nenhuma relação com espaço profundo, disputa pelo predomínio no planeta Marte ou qualquer coisa desse tipo.

O fato é que, sem tirar nem pôr, o que está em tela é o “domínio orbital”. Trata-se de reorganizar e ampliar as operações militares dos Estados Unidos na órbita terrestre. Nesse caso, existe um problema: a existência do Tratado do Espaço Sideral, de 1967, proposto ainda com a Guerra Fria em vigor, pela URSS em parceria com os Estados Unidos, e que conta com a adesão de 103 países. O Acordo assegura a desmilitarização do espaço – incluindo a órbita terrestre – estabelecendo que o espaço é uma fronteira humana cuja exploração deve ser aberta para todas as nações em regime de cooperação. Em síntese, a nova Força Espacial dos Estados Unidos pode ser interpretada por muitos como uma violação do Tratado do Espaço Sideral, o que, nesse caso, pode abrir caminho para uma “corrida armamentista orbital”. Vejamos…

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06.01.20

2020 preservará as sombras de 2019

Observatório

Por Rodrigo de Almeida, jornalista e cientista político

O choro pode durar uma noite inteira, mas a alegria vem pela manhã – assim sugere uma conhecida lição vinda das Escrituras. No amanhecer de 2020, a questão a saber é quanto tempo durará a noite (e o choro), e quando chegará a manhã (e a alegria). Qualquer prognóstico de tempo será impreciso, mas é fato: a noite será longa. A questão acima está posta, claro, do ponto de vista de um democrata. Ou das forças democráticas, sejam quais forem – à direita, ao centro e à esquerda. Porque, sob qualquer lógica democrata hoje no Brasil, 2020 será isto: um ano de continuidade à trágica corrosão da democracia iniciada em 2019. Portanto, um ano ruinoso. A preservação daquilo que há de pior seguirá seu curso. O presidente Jair Bolsonaro dará continuidade ao seu grande projeto de destruir a democracia, corroer a ordem institucional por dentro e manter as instituições democráticas no mesmo estado de colapso em que já se encontravam desde as manifestações de junho de 2013.

O projeto autoritário bolsonarista também seguirá atuando com seu braço liberal, sob a mão pesada do ministro Paulo Guedes. Este é tão ou mais radical quanto o chefe, e não à toa propõe tantas e tão simultâneas mudanças radicais que torna impossível a tarefa de debatê-las. É o sonho de todo governo autoritário. Pois o liberalismo autoritário de Bolsonaro seguirá requerendo a eficaz união de discursos demonstrada em 2019: o nacionalista, o religioso e o tecnocrata. Juntos, vão continuar avançando sobre os direitos tão lentamente conquistados pela sociedade e pelos Três Poderes nos últimos 30 anos.

Bolsonaro é e continuará sendo a voz arrivista de um deles. Guedes é e continuará sendo a voz autocrata de outro. A terceira ponta é e continuará sendo complementar, com jeito de risível por fora, mas profunda por dentro, uma facada certeira nos campos das relações internacionais, da educação, da cultura, do meio ambiente e dos direitos humanos. Também não mudará para 2020 a bem-vinda resistência institucional do Congresso Nacional, que moderou, pelo menos em 2019, os ataques de Bolsonaro aos muros de contenção do autoritarismo. Entre tantas continuidades, a aposta de novidade é complexa: a possibilidade de revisão de uma direita liberalconvertida em centro-social.

Se de fato ocorrer, será essa conversão o primeiro movimento visível da união dos campos democráticos contra o principal inimigo em comum: Jair Bolsonaro e seu liberalismo autoritário. Essa união não é, nem poderia ser, eleitoral. Essas forças, lideradas por Lula, Luciano Huck/João Doria e, por fora, Ciro Gomes, se manterão como adversárias até segunda ordem – ou segundo turno da campanha de 2022. Não se trata, portanto, de uma inviável união programática, mas da identificação (e ação) de um adversário comum. Para que isso de fato ocorra, serão imprescindíveis algumas mudanças de mentalidade. Primeiro: que a centro-direita liberal pare de reclamar da “polarização” entre lulistas e bolsonaristas. Caberá a este centro encontrar um discurso digno de ser ouvido, especialmente por uma extensa faixa do eleitorado que não deseja nem Bolsonaro nem Lula.

Segundo: que todas as forças democráticas – e nelas se inclui uma massa cada vez mais extensa de forças sociais e cívicas – parem de agir como se estivéssemos diante de um governo normal. Essa “normalização” leva um descolamento nítido entre a constatação de que a democracia está em risco e a falta de urgência na ação para combater tal ameaça. Difícil? Sem dúvida. Porém, mais difícil ainda será enfrentar a longa noite promovida por um presidente subestimado, mas exemplarmente eficaz até aqui. Sem reação competente, Bolsonaro aprofundará sua prescrição antissistema, segundo a qual a saída autoritária é não só a melhor, mas a única possível. É por isso que 2020 exigirá muito mais do que orações ou meros gritos indignados.

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03.01.20

Tempo de profissionalismo na CNI

Observatório

Por Daniel Valente, empresário.

Fazem falta as articulações de Albano Franco, um sergipano arretado, que respirava política empresarial por todos os poros. Franco foi presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) por 14 anos, entre 1980 e 1994. Na casa, tanto protagonizou momentos notáveis na luta em defesa das empresas quanto pagou micos históricos à frente da entidade. Os primeiros foram muito maiores do que os segundos. Por força do cargo, ocupou também as presidências do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), do Serviço Social da Indústria (Sesi) e do Conselho Superior do Instituto Euvaldo Lodi (IEL). Franco foi tudo: deputado, senador, governador, constituinte e, por pouco, não foi presidente da República, bastando para isso um impedimento por qualquer motivo do presidente José Sarney. Lobistas profissionais trataram espalhar a hipótese no Congresso e pela Esplanada dos Ministérios.

Na mídia o noticiário registrou alguma coisa. A imprensa, aliás, é um capítulo à parte na história do sergipano. O presidente da CNI era um flautista encantador de jornalistas. Com sua voz de rouca a metálica, horrorosa, estava sempre cercado de repórteres fazendo-lhes inconfidências sobre informações que sairiam nas páginas do dia seguinte. Era amigo também dos donos dos jornais. Fez com Roberto Marinho uma dupla respeitável durante determinado tempo.

Era fabricante de Coca-Cola no estado de origem, mas pode-se dizer que sua maior empreitada foi a transformação da CNI em um verdadeiro potentado. Conservador, expressão pálida, cabeça grande, um sorriso enigmático que lembrava o de Getúlio Vargas, jeito de primeiro aluno de classe sujeito a bullying, Franco era tudo isso.  Mas sabia fazer da conspiração política a mais afiada das lâminas. Em 1982, já ocupando uma cadeira no Senado pelo PDS, a qual acumulava junto com o comando da CNI, foi discursar na conferência da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em Genebra, na Suíça. Na ocasião anunciou a existência de uma nova política dos homens de empresa sintetizada na “privatização dos meios de produção”, tendo como contrapartida “a socialização dos lucros através dos salários e outras participações dos empregados”.

Estranho! Albano falando em socialização dos lucros? Que deu no empresário? Reza a lenda que o discurso foi da lavra de Jorge Serpa, megalobista colaborador de Albano Franco, que defendia tese similar a do general Golbery do Couto e Silva, só que por uma via transversa. Golbery dizia que, sem a distensão política, iriam todos serem pendurados nas árvores. Serpa falava o mesmo se não houvesse um “pouquinho de distribuição de renda”. Entre articulações do arco da velha, convém lembrar, o plano de Albano com Serpa, Roberto Marinho e Raphael de Almeida Magalhães para eleger Antônio Ermírio de Moraes; toda essa travessura com a concordância de José Sarney, é claro. Como se trata de uma história grande, fica para outra vez. Mas, se por um lado, Franco foi onipresente à frente da CNI, por outro foi responsável por vacilos memoráveis.

Em 1987, por ocasião da votação do texto básico da Constituição, votou por engano a favor da nacionalização das companhias exportadoras de combustíveis, contrariando os interesses dos empresariados que representava. Ou seja, encerrava as operações de companhias estrangeiras – a anglo-holandesa Shell e as norte-americanas Esso, Texaco e Atlantic – e, ao mesmo tempo, transformava as empresas nacionais, como a Ipiranga, em meras concessionárias do poder público. Essa proposta era do deputado Fernando Santana (PCB), e ele tomou como sua. Mesmo com uma ou outra leseira, um cabra como Albano Franco vale não se sabe quantos Paulos Skaf – denunciado por desviar recursos da Fiesp para sua campanha política – ou Robsons de Andrade – preso por ter se locupletado com o dinheiro distribuído pela Odebrecht. Que falta faz Franco na CNI.

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02.01.20

China abre uma fresta para o futebol brasileiro

Observatório

Por Claudio Fernandez, jornalista e editor-chefe do Relatório Reservado.

A boa nova para os mais afortunados clubes brasileiros veio da China. Ainda que por vias oblíquas, a decisão da liga chinesa de futebol de estipular um teto salarial para seus atletas pode ter um efeito colateral benéfico para o Brasil já na próxima temporada. A partir de janeiro, jogadores estrangeiros somente poderão receber até três milhões de euros, ou algo como R$ 13,5 milhões, por ano. O segundo maior PIB do mundo continuará sendo um player emergente e altamente competitivo no frenético jogo das contratações. No entanto, a fixação de limites salariais deverá esmaecer o status da China como um eldorado do mundo da bola, abrindo a possibilidade de que determinados clubes brasileiros passem a disputar com os asiáticos estrelas de razoável grandeza do futebol.

Ao longo da última década, a China uniu-se ao chamado “mundo árabe” e à Major League Soccer (MLS), dos Estados Unidos, na condição dos grandes centros futebolísticos; noves fora, logicamente, a Europa. Se o PIB chinês triplicou de 2009 para cá, o valor do “pé de obra” no país cresceu mais de 15 vezes no mesmo período. Segundo dados do site Transfermarkt.com, a soma dos direitos econômicos de todos os jogadores que disputam o campeonato do país ultrapassa os 500 milhões de euros. Em números absolutos, os 67 jogadores estrangeiros representam apenas 13,7% dos atletas inscritos. Em termos financeiros, contudo, respondem por 84% do valuation de todos os elencos.

Não por acaso, o limite salarial para os forasteiros é duas vezes e meia maior do que o imposto aos próprios atletas chineses – considerados artigo de “segunda categoria”. O novo teto salarial promete mudanças significativas nesse jogo. É aí que o futebol
brasileiro – ao menos a sua casta superior – pode se aproveitar da decisão da liga chinesa. O sarrafo fixado pelos cartolas chineses significa um salário mensal equivalente a R$ 1,125 milhão. Está longe de ser uma cifra palatável para a maior parte dos clubes que disputam o Campeonato Brasileiro, mas é algo perfeitamente factível para aqueles com receita anual acima dos R$ 600 milhões. Nove atletas que disputaram a última edição do Brasileirão recebem um salário anual superior a R$ 12 milhões, ficando muito próximos, alguns até acima, do teto estipulado pela liga chinesa, caso de Daniel Alves, do São Paulo.

O que parecia inimaginável há alguns anos desponta como bastante exequível: a tendência é que clubes brasileiros possam disputar mercado com a China, especialmente na concorrência por um perfil específico de jogador: jogadores em reta final de carreira, sejam eles brasileiros ou estrangeiros, como Paulinho, titular da seleção brasileira em duas Copas do Mundo, ou Carrasco, que disputou a Copa da Rússia pela Bélgica. A não ser que o limite anunciado nesta semana seja apenas para “chinês ver”. O teto poderá ser facilmente furado se os clubes conseguirem burlar as novas regras, escondendo remuneração salarial dentro dos valores pagos no momento da contratação ou mesmo em bônus de performance. Tudo dependerá da vontade e da capacidade dos cartolas locais em fiscalizar e inibir o “jeitinho chinês”.

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27.12.19

Um elevator pitch para o carioca prudente

Observatório

Por Leonardo Braga, Capitão Submarinista da Marinha Brasileira.

Ao largo dos debates acalorados sobre o clima, há alguns consensos importantes que requerem a atenção dos cariocas prudentes. Entre o global e o local, viveremos mais um período propenso a eventos meteorológicos extremos, que por aqui acontecem usualmente do verão ao outono.

Consenso I – O clima esta mudando

Não há consenso sobre o que move a mudança no clima. Mas, na perspectiva do impacto a curto prazo, não importa se ele é antropogênico ou natural. O que importa é que os fenômenos meteorológicos extremos estão mais intensos e frequentes. A qualidade das evidências e a variedade de fontes é avassaladora. Se algumas áreas do conhecimento experimentam o risco das medições atuais serem mais abrangentes e precisas, criando uma impressão de falso aumento de casos, esse viés é incomum na ciência dos desastres. Normalmente os eventos mais conhecidos respondem pelo maior número de vítimas e destruição material, restando aos eventos esquecidos no tempo uma contribuição marginal. Assim, grandes desastres mobilizam não só as burocracias organizadas e a ciência, mas também a imprensa e a arte, reverberando pela sociedade e deixando assim seus registros fossilizados nas diversas camadas histórico-culturais.

Consenso II – Eventos extremos não são novidade

Choveu forte no Rio de Janeiro. Olhe para o lado e você verá alguém dizendo que a culpa é do aquecimento global. E compreensível, mas não é justo. No Rio de Janeiro sempre choveu muito. Alguns eventos tornaram-se verdadeiras narrativas homéricas, como registram os belos artigos de Andrea Casa Nova Maia, “Imagens de uma cidade submersa: o Rio de Janeiro e suas enchentes na memória de escritores e fotógrafos”, de 2012, e de Claudine Pereira Dereczynski, Renata Novaes Calado e Airton Bodstein de Barros, “Chuvas Extremas no Município do Rio de Janeiro: Histórico a partir do Século XIX”, de 2017.

Consenso III – O Impacto não depende somente da intensidade das chuvas

O grau de ameaça é somente um dos lados da equação. Do outro está a vulnerabilidade das regiões. A conformação das bacias hidrográficas, o tipo e declividade do solo, o grau de cobertura vegetal e as formas de ocupação do solo são alguns dos fatores que vão determinar a suscetibilidade das regiões aos eventos extremos. E quando falamos de ocupação do solo, quase todo mundo pensa que os problemas estão restritos às práticas ilegais. Isso não é verdade. Em alguns casos a dita modernidade é o que pode piorar a situação. A impermeabilização do solo resultante da construção de prédios e aplicação de asfalto nas ruas, por exemplo, aumenta a volume de água superficial, podendo provocar enchentes em locais sem registro prévio desse tipo de ocorrência.

Consenso IV – Quem avisa, amigo é

Contingência e continuidade de negócios vão, de um jeito ou de outro, tornarem-se top of mind no viver carioca.

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26.12.19

Que falta faz a velha Fiesp

Observatório

Por Daniel Valente, empresário e estudioso das entidades patronais.

Durante décadas, a Fiesp foi referência de entidade patronal orgânica ou pública, ou seja, voltada para o interesse nacional e não somente para o próprio umbigo. Tempos de Francisco Matarazzo e Roberto Simonsen. Décadas depois, por volta de 1970, o presidente da entidade era Theobaldo de Nigris, pelego prestigiado pelos seus pares, responsável pela construção do célebre prédio da Av. Paulista – símbolo de opulência e poder – e identificado com o desenvolvimento da indústria gráfica do estado de São Paulo. Seguiu a De Nigris o industrial Luiz Eulálio Bueno Vidigal Filho, proprietário de uma fábrica de bens de capital. Vidigal Filho inicia um trabalho de politização da Fiesp nos chamados “anos de chumbo”.

A Fiesp torna-se um bunker pela democracia. Os próximos presidentes são os anódinos Carlos Eduardo Moreira Ferreira e Horácio Lafer Piva, ambos descendo a ladeira do prestígio da entidade. Em 2007, tem início a era Paulo Skaf, identificada como a fase “self market maker” da instituição. Para começar, Skaf nunca foi industrial. A Fiesp deixou de falar dos seus feitos e passou a propagandear os de Paulo Skaf, que colocou a entidade a trabalhar em prol dos seus objetivos políticos.

E mais, o empresariado de São Paulo não forneceu ao Brasil. No Rio, a versão De Nigris foi a de Mario Leão Ludolf, que permaneceu “séculos” na presidência da Firjan. Ludolf tinha prestígio, mas pouca disposição de usar seus acessos em benefício do Rio, e muito menos do Brasil. Seguiu o industrial da construção naval, Arthur João Donato. Verdade seja dita, Donato lutou pela indústria do estado e também do país, na medida em que os estaleiros estavam entre os maiores setores fabris do Brasil.

Após Donato, tem início a longa gestão de Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira. Pertencente a uma família aristocrática, filho do advogado constitucionalista de 1945, João Pedro Gouvêa Vieira, o novo gestor  veio cheio de ideias modernizantes, entre as quais, a mais revolucionária foi a de aproveitar a iniciativa de Cesar Maia, que criou um conselho de “ases” para a cidade do Rio de Janeiro. Vieira foi buscar os mesmos nomes – Mario Henrique Simonsen, Eliezer Batista e Raphael de Almeida Magalhães – e criou o Conselho da Indústria do Rio; na realidade, com o forte apoio do seu escudeiro Amaury Temporal, que antes tinha ocupado a presidência da Associação Comercial do Rio de Janeiro.

Vieira foi polêmico, tanto pelo tempo de permanência quanto  pelo estilo voluntarista de governar. Mas todos os seus eventuais equívocos são esmaecidos pelo grande acerto que foi a Casa Firjan, um centro arquitetônico lindíssimo voltado para a inovação, arte criativa, startups e toda a moderna indústria 4.0. Enquanto o Rio, com todas as suas monumentais dificuldades urbanas, dá um passo à frente da capital financeira do país, São Paulo parece viver uma eterna ressaca dos tempos de Francisco Matarazzo e Roberto Simonsen. Era uma época em que as entidades empresariais estavam voltadas para o planejamento nacional, cumprindo um papel que ficou sem protagonista. Seria bom demais para o Brasil se a Fiesp voltasse às suas origens.

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23.12.19

Modelo de Organizações Sociais na saúde é solução, mas não mágica

Observatório

Por Renilson Rehem, médico, é presidente do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross).

O modelo de Organizações Sociais de Saúde (OSS) foi implantado no Brasil há mais de 20 anos. Por meio dele, governos estaduais e prefeituras firmam contratos de gestão com entidades da sociedade civil organizada, sem fins lucrativos, para o gerenciamento de hospitais públicos e equipamentos como ambulatórios médicos, postos de saúde, serviços de atendimento a urgência e laboratórios de diagnóstico por imagem, entre outros serviços. Ao introduzir o modelo, o país acertadamente partiu da premissa de que o serviço público não necessariamente precisa ser provido pelo estado.

Esse entendimento foi confirmado pelo STF ao julgar a ADIN 1923. Na saúde, diversas instituições do terceiro setor possuem expertise de décadas na prestação de assistência em saúde, podendo ser parceiras do poder público no atendimento aos pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde). Com as OSS foi possível ampliar expressivamente o acesso da população e levar assistência à população residente em regiões de periferia ou locais distantes dos grandes centros urbanos. Pessoas que, antes, tinham que passar por uma verdadeira via crucis para tentar atendimento no serviço público. Trata-se, portanto, de um conceito inovador, pois permite que o Estado ofereça atendimento 100% pelo SUS, por meio de ferramentas privadas de gestão, que são mais ágeis e eficientes em comparação às normas da administração pública.

Assim, serviços públicos de saúde não precisam depender de burocráticos processos de licitação para aquisição de insumos, medicamentos e materiais, tampouco de demorados concursos para a contratação de pessoal, embora tenham que obedecer a regulamentos que assegurem a observância aos princípios de publicidade, transparência, moralidade e impessoalidade. O modelo se mostrou também eficiente, com maior produtividade e custo menor para os cofres públicos. Uma análise econométrica do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina apontou que, se todos os hospitais daquele governo fossem geridos por Organizações Sociais, a economia obtida seria equivalente ao custeio de um complexo hospitalar com cerca de 600 leitos. Em São Paulo, um estudo da Secretaria de Estado da Saúde constatou que as OSS conseguem ser até 52% mais produtivas e 32% mais baratas para o estado em relação aos serviços da administração direta.

Além disso, diversos serviços de saúde geridos por Organizações Sociais possuem certificados de qualidade emitidos por instituições de acreditação, que atestam a boa governança e a adoção de medidas para garantir a segurança dos pacientes. Por isso, passadas mais de duas décadas, 23 estados brasileiros, o Distrito Federal e mais de 200 municípios em todo o país mantêm equipamentos públicos de saúde geridos em parceria com Organizações Sociais. Administrações de diferentes partidos, inclusive os de esquerda, que inicialmente criticaram o modelo e o contestaram na Justiça, se renderam às OSS. As Organizações Sociais vieram para ficar, e o saldo do modelo é positivo até aqui. É uma solução viável para a gestão de serviços públicos de saúde, mas que não pode ser confundido como solução mágica, tampouco sucesso garantido.

Sempre digo que o que dá certo também pode dar errado. Assim, o poder público precisa buscar conhecer a história das instituições para poder firmar boas parcerias, bem como saber planejar, contratar, monitorar, controlar e avaliar a gestão das OSS. Também é necessário combater os maus exemplos, além de banir empresas que, disfarçadas de Organizações Sociais, mancham a imagem do setor. É preciso esclarecer, do mesmo modo, que as Organizações Sociais de Saúde são instituições que realizam o gerenciamento de serviços públicos de saúde por meio de contratos de gestão regrados por fomento, ou seja, dependem de recursos exclusivos do gestor público para a sua completa operação. Isso significa dizer que, se um governo deixa de cumprir sua parte, isto é, de realizar a transferência de recursos financeiros, o funcionamento do serviço como um todo será comprometido, uma vez que faltarão recursos para a compra de medicamentos, pagamentos de funcionários e de serviços essenciais como água e energia elétrica.

Portanto, para que o modelo de OSS funcione bem, é preciso que o gestor público esteja  preparado para a escolha das instituições filantrópicas que serão suas parceiras, levando em conta a experiência e expertise das entidades na prestação de assistência em saúde pelo SUS. Mais do que isso, é necessário que os governos acompanhem e, principalmente, cumpram os contratos de gestão, repassando recursos financeiros às Organizações Sociais em conformidade com o cumprimento de metas assistenciais e de qualidade.  Este é o segredo. Adotar o modelo de OSS pode ser a solução para se aumentar a produtividade dos equipamentos de saúde, com racionalização dos custos. É um passo importante, mas que deve ser muito bem conduzido pelo gestor.

Outro ponto importante: a relação entre governos e instituições qualificadas como OSS deve ser enxergada como uma parceria, e não como mera prestação de serviços, como infelizmente temos visto em muitas situações. Esse, aliás, é o conceito original da concepção do modelo, e que em parte explica todo o seu sucesso.  As Organizações Sociais de Saúde são um caminho sem volta na saúde pública brasileira. As instituições filantrópicas verdadeiramente sérias e comprometidas com um SUS mais fortalecido e humano, bem como com a melhora na prestação de serviços à população, estão à disposição para auxiliar o poder público a trilhar esse caminho, no Rio de Janeiro e por todo o país.

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