22.10.15
ED. 5232

O réu perpétuo e o vampiro de Curitiba

Marcelo Odebrecht deve representar um perigo horrível: o risco de se escafeder para os confins do mundo, levando consigo a caixa de Pandora do Lava Jato. Se vacilar, Sérgio Moro vai evoluir dessa versão tupiniquim de Guantánamo para o panóptico, do filósofo Jeremy Benthan. Esta última geringonça era um idealizado cárcere, transparente e permanentemente vigiado de forma que o presidiário não tivesse privacidade sequer para piscar os olhos – ou fazer suas necessidades. A prisão preventiva do empresário, que não admite a presunção de inocência a despeito das provas incitarem mais dúvidas do que confirmações, é fundamentada nos cuidados para que Marcelo não “dê sinais capazes de colocar em risco a investigação”. Como os computadores, celulares e arquivos do empreiteiro já foram varridos, a preocupação deve ser com métodos incomuns, tipo batucar com o lápis em algum bloquinho, que pode muito bem ser interpretado como código morse. Por esses critérios, Marcelo pode ficar preso até ao fim da vida, basta não ter cometido ilicitude e, por uma questão de hombridade, recusar-se a confessar o crime que não cometeu. Bem, pelo menos Moro deu uma aliviada e, graças a uma determinação do STF, excluiu o “risco a ordem pública” como justificativa para a permanência do réu na prisão. Se Moro tirasse aquela camisa preta para higienizar o pensamento, talvez chegasse à conclusão de que deixar Marcelo Odebrecht obrar seria mais vantajoso para o país do que tratá- lo como Dillinger. Era capaz de ele já ter colocado mais de 1% do PIB nos canteiros de obras do Brasil.

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