02.07.19

“Olavocracia” é um golpe também nos militares

Uma fonte palaciana informou ao RR que Arthur Weintraub, irmão do ministro da Educação, Abraham Weintraub, está cotado para a diretoria da Correios. Arthur, que hoje ocupa o cargo de Assessor-Chefe Adjunto da Presidência da República, seria uma espécie de “VP do PDV”. Caberia a ele cuidar do enxugamento do quadro de funcionários e do fechamento de agências com vistas a uma eventual
privatização. Sob certo ângulo, seria um personagem tão ou até mais forte do que o novo presidente dos Correios, o general Floriano Peixoto, que deixou o posto de ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência. Prosaico, não? Seria simples assim se Arthur não fosse mais uma peça de encaixe em uma trama que combina loucura e poder.

Seu nome faz parte de um sistema de ocupação dos cargos do aparelho de Estado, pilotado com absolutismo pelo bruxo Olavo de Carvalho. Os “olavistas” no governo constituem uma verdadeira hidra que já preencheria cerca de 130 cargos relevantes na esfera do Executivo. São ex-alunos, que indicam ex-alunos e amigos de ex-alunos cujos pontosde interseção são o sectarismo e a fúria anti marxista, regidos por Olavo através da Internet. A tomada do Estado se daria através da sua infiltração pelos “olavistas”, combinada com a instrumentalização do ódio anticomunista nas redes sociais. Os irmãos Weintraub estão entre os elos dessa coalizão “Olavo bolsonarista”.

Ambos têm serviços prestados ao Capitão desde o período de transição, quando integraram a equipe que começou a discutir a reforma da Previdência. Abraham ganhou um afago público de Olavo ao assumir a Pasta da Educação. Na ocasião, o “filósofo” postou em seu Twitter que o novo ministro “conhece minhas ideias melhor do que as conhecia o seu antecessor”, em referência a Ricardo Vélez. Arthur, por sua vez, tem mantido razoável proximidade de Bolsonaro. Na semana passada, por exemplo, integrou a comitiva presidencial que viajou para a reunião do G-20, em Osaka.

A crescente participação de “olavistas” no governo descortina a escalada para um dogmatismo radical. São todos soldados com permanente disposição para o combate, vide o episódio protagonizado ontem por Carlos Bolsonaro. O vereador disparou publicamente contra o general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), insinuando que o principal colaborador do seu pai é um marxista disfarçado – disse que não aceita os seguranças oferecidos pelo GSI porque eles “estão subordinados a algo que não acredito”. Carlos não será repreendido assim como Olavo nunca foi desautorizado. Bolsonaro já deu demonstrações de que nutre as mesmas dúvidas que o “guru”, inclusive em relação às Forças Armadas, cujo simbolismo foi um dos seus principais, se não o principal cabo eleitoral. Tudo leva a crer que Heleno poderá ocupar o lugar que pertenceu ao general Santos Cruz como o inimigo a ser abatido.

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