09.07.19

O risoto da Previdência

A bancada ruralista vai celebrar a votação da PEC da Previdência com uma chuva de arroz. Em meio à tramitação da “reforma de todas as reformas” do governo Bolsonaro, a Frente Parlamentar da Agricultura está prestes a arrancar um programa de subsídios para os produtores do cereal no sul do país. Segundo o RR apurou, os recursos poderão somar cerca de R$ 300 milhões. O acordo deverá ser selado nas próximas duas semanas, na contramão dos esforços do ministro Paulo Guedes para reduzir esse tipo de incentivo. Os termos do benefício foram discutidos na semana passada em uma reunião entre a ministra da Agricultura, Teresa Cristina, e ruralistas, escoltados pelo deputado Luiz Carlos Heinze, um dos próceres da FPA. Os produtores do Rio Grande do Sul estimam um prejuízo de mais de R$ 600 milhões com as enchentes do início do ano.

As “remake news” de Paulo Guedes

O governo vai detonar uma blitzkrieg de estímulos já manjados para reverter as expectativas negativas em relação ao comportamento da economia em 2019/2020. A ação da equipe econômica é um remake das operações de marketing feitas no passado: o governo refoga iniciativas já anunciadas e as apresenta como algo orquestrado e essencialmente novo. O tal plano estruturado a ser divulgado após a votação da Previdência tem por função o reforço nas bolsas e nos mercados do impacto da votação da principal reforma estrutural. Como se sabe, a Previdência será saudada como a conquista da Copa Jules Rimet. Só que à vera ela somente mexe com as expectativas neste ano – interfere pouco na realidade fiscal em 2019 e 2020. O projeto é pedalar, no bom sentido, a reforma acoplada com as outras medidas animadoras das expectativas. A lista, que foi guardada para pós-aprovação da reforma, é de velhíssimas novidades: o choque de energia barata, o saque antecipado do PIS/Pasep e FGTS, aceleração do programa de privatizações, reforma tributária, redução do Estado brasileiro e melhorias no campo microeconômicos, com novas regras para debêntures incentivadas de infraestrutura. Todas as propostas já foram despejadas na mídia, sempre com a condicionalidade da mudança do regime de aposentadoria. A grande expectativa é se Paulo Guedes vai abrir um flanco e liberar medidas fiscais e parafiscais para dar um gás na economia do curto prazo. As reformas e iniciativas mais pretensiosas ainda estão por ser buriladas e só começarão a vigorar a partir do próximo ano. Agora um estímulo na veia talvez seja o que falta para que a malta – e não apenas o mercado de valores mobiliários – compre o conjunto de medidas estruturais.

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