29.11.16

Neeleman transforma a TAP em trincheira

Bastaram poucos meses como acionista da TAP para David Neeleman mandar a diplomacia pelos ares e se indispor com o governo português e a francesa Vinci Airports, concessionária do aeroporto de Lisboa. O empresário, dono também da Azul, tem jogado sobre os ombros das autoridades locais e da operadora aeroportuária a culpa por atrasos no plano de expansão da companhia aérea. Ele alega que a TAP não consegue abrir mais duas rotas para os Estados Unidos e outras seis dentro da Europa por falta de espaço no aeroporto de Lisboa e pela má vontade da Vinci em resolver o problema. Hoje, a TAP mantém 25 voos semanais para cidades norte-americanas. Neeleman afirma que este número poderia chegar a 70, mas, para isso, é preciso que “Portugal seja mais eficiente”.

A relação se esgarçou ainda mais depois que Neeleman começou a usar a imprensa para desferir seus ataques. No início deste mês, em entrevista ao jornal português Expresso, chegou a dizer com todas as letras que “Somos todos uns idiotas. Não fazemos mais pelo turismo porque não temos espaço no aeroporto”, numa indireta mais do que direta às autoridades e à Vinci.

Para atravessar ainda mais o fado, David Neeleman resolveu levantar uma bandeira polêmica. Como forma de pressionar a Vinci, tem defendido a transformação da base militar de Montijo, do outro lado do Rio Tejo, em um aeroporto civil. Trata-se de um empreendimento que costuma causar urticária na maioria da população portuguesa. Os estudos para o projeto começaram no governo do então primeiro-ministro José Sócrates, envolvido em uma série de denúncias de corrupção.

• Procuradas, as seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: TAP.

 

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