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22.07.16

Há segredos no fundo da xícara da Ipanema Coffees

 Há uma espécie de laranjal sendo plantado nas fazendas de café da Ipanema Coffees. A aquisição do seu controle pelo empresário Fernando Prado, dono da cafeeira Santa Colomba, parece encobrir um segundo movimento. Prado seria o fronting da empresa enquanto a lei que restringe os capitais estrangeiros em latifúndios não for mudada, conforme é a intenção explícita do governo Temer. Ato contínuo, segundo fonte do RR que acompanha o negócio, o empresá- rio reduziria sua participação na Ipanema Coffees para que a Tchibo – maior rede de cafeterias da Alemanha – e a trading Mitsubishi assumissem o controle. Atualmente as duas multinacionais detêm 36,5% do capital. Prado é proprietário de 24%. A proposta é que Prado chegue o mais rapidamente possível ao patamar de 51%. Para isso, ele e as duas transacionais comprariam os 40% da Ipanema Coffees hoje pertencentes à norueguesa Friele, à Paraguaçu Participa- ções e ao investidor Washington Rodrigues. Se non é vero, é ben trovato.  Procurada, a Ipanema Coffees afirma que a Paraguaçu e Rodrigues não têm a intenção de deixar o capital. Está feito o registro. Mas, de acordo com a fonte do RR, se pudesse a dupla nipo-germânica compraria agora o controle e o assunto estaria resolvido. Conversa- ções já foram mantidas nesse sentido. O negócio só não é vapt vupt porque é necessário esperar a aprovação no Congresso Nacional do Projeto de Lei 4059/2012, que libera a aquisição de maiores extensões de terras por empresas multinacionais. Como uma portaria da AGU, de 2010 estabelece que apenas empresas com 51% de capital nacional podem adquirir terras no Brasil, as duas companhias não puderam comprar as ações da ML Participações, pertencente aos fundadores da Ipanema Coffees. A companhia precisa manter o status de empresa nacional para poder adquirir fazendas de café. Apesar da disposição do presidente interino, a concordância no Congresso não é tão simples, pois o assunto evolve a área militar e sua visão de soberania. Em relação à eventual mudança na lei sobre capital estrangeiro, a Ipanema Coffees diz que a alteração “fortalece nosso projeto de crescimento”.  De qualquer forma, no fim do primeiro ato da opereta, a Santa Colomba ficará com 51% das ações e o restante do capital será repartido entre os grupos europeu e o asiático. A desnacionalização ficaria para o epílogo. A Ipanema Coffees têm três unidades de produção em Minas Gerais, com extensão total de três mil hectares. Tem capacidade de cultivo de 130 mil sacas de café por safra. Deverá fechar o ano com receita próxima de R$ 250 milhões, mas o plano da Tchibo, da Mitsubishi e da Santa Colomba é chegar a R$ 1 bi em três anos.

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