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17.08.16

Dório Ferman não merecia tamanha ingratidão

 Um dos mais longevos e leais colaboradores de Daniel Dantas, Dório Ferman tornou-se um refém do banqueiro, encarcerado pelas algemas de ouro que impedem sua saída do Opportunity. Notoriamente o grande estrategista da gestora de recursos, o economista e engenheiro não está conseguindo a concordância de Dantas para fazer a cisão da carteira, deixar o grupo e montar sua própria asset management. Consultado, o Banco Opportunity declarou que essa informação não procede. O fato é que o impasse tem gerado situações constrangedoras no dia-a-dia do banco. Dantas recusa-se a tratar do assunto. Nas reuniões, quando Dório entra na sala, o banqueiro não lhe dirige a palavra e se cala por completo, com o claro propósito de expô-lo diante dos demais. Acionista do Opportunity desde os tempos em que ele se chamava Banco Lógica, no início dos anos 80, e sócio de Daniel há 22 anos, Dório não merecia tamanho mau trato.  A cisão da gestora é fruto que Dório Ferman amadurece há alguns anos, notadamente a partir de 2008, quando passou dois dias preso por conta da Operação Satiagraha. Desde então, enfrenta forte pressão da família para se desvincular de Daniel Dantas, principalmente de seus dois filhos – um mora nos Estados Unidos e o outro, na Inglaterra. O próprio Dório costuma dizer que, se tivesse deixado a sociedade naquela época levando consigo seu valioso quinhão na gestora, teria sob sua administração um volume de recursos cinco vezes maior do que a atual carteira do Opportunity. Faz todo o sentido. O Custo Daniel Dantas é um peso difícil de ser carregado. Se o histórico de litigâncias e polêmicas do banqueiro não tem um impacto ainda maior sobre o desempenho comercial da gestora, isso se deve fundamentalmente à presença cleaner de Dório, além, é claro, de sua reconhecida competência para fisgar clientes e multiplicar riquezas. Apesar dos pesares, cabe ressaltar que o Opportunity é um negócio dos mais prósperos. Só as taxas de administração geram uma receita anual da ordem de R$ 180 milhões, com uma alta rentabilidade devido aos reduzidos custos operacionais. Ainda assim, o negócio mudaria de patamar no caso de uma cisão entre Daniel Dantas e Dório Ferman. A equação é simples: Opportunity menos Dório é praticamente igual a um family office.

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