Cortando as unhas do debate sobre a taxa de juros

  • 21/02/2017
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O debate entre André Lara Resende e os ortodoxos da academia sobre o “Triângulo das Bermudas” – juros, inflação e política fiscal -, que envolveu acusações de patrulhamento ideológico e argumentos fora de lugar, curiosamente omitiu qualquer menção às Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), engenhoso instrumento de política monetária trazido pelo Plano Cruzado. Lara Resende e Pérsio Arida foram os idealizadores do título indexado à taxa Selic. A justificativa, à época, é que o novo instrumento daria mais previsibilidade à política monetária e expurgaria eventuais ganhos expressivos quando de flutuações bruscas na taxa de juros.

A LFT também foi bastante questionada pela academia conservadora. Mas, nos idos do Plano Cruzado, parafraseando o poeta, tudo valia a pena se a inflação ficasse pequena. Quando o Plano começou a derreter, os ortodoxos reclamaram que o novo título introduzia um efeito riqueza quando do aumento da taxa de juros, o que levava a uma certa passividade da política monetária e, consequentemente, à presença de rigidez nos encargos com o pagamento dos custos sobre a dívida pública.

Lara Resende parece ter se esquecido da sua paternidade na fórmula de indexação dos juros, que levou à aritmética perversa da política monetária. Os demais gregos da academia também passaram ao largo da consulta aos alfarrábios. A impressão é que são mais tentadores os brilharecos teóricos do que uma boa espiadela nas páginas da história. Lara Resende agradece. Foi elevado à condição de ícone no debate econômico.

#LFT

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