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06.04.20

Os “coronafilhos” alertas e vigilantes

O deputado Eduardo Bolsonaro tem insistido com o pai para que o libere em uma ação diplomática junto aos Estados Unidos. A proposta é costurar um encontro com o governo norte-americano em Brasília. Os assuntos a serem tratados seriam uma colaboração entre os países para o combate da pandemia do novo coronavírus e soerguimento da economia. O verdadeiro objetivo, já que ninguém acredita na efetividade dessa troca de apoios, é reafirmar o alinhamento entre as duas nações.

Eduardo seria o embaixador excepcional do Brasil. O chanceler Eugênio Araújo permaneceria dormitando no Ministério das Relações Exteriores. Antes que alguém imagine o envolvimento direto de Donald Trump nessa história, o convite seria feito a uma autoridade do Departamento de Estado norte-americano. Quem vier, é jogo. Ainda com relação ao “03”, Eduardo fala permanentemente com Olavo de Carvalho, pedindo sugestões e prestando contas das estratégias do Palácio do Planalto.

Bolsonaro, seja lá por qual protocolo informal ou acordo feito com o filho, não conversa com o guru. É informado diretamente pelo caçula sobre as reflexões e dicas do Rasputin da Virgínia. Por essas e por outras, pode se dizer que Olavo está confinado virtualmente no epicentro do governo. É um ministro sem pasta, que responde unicamente ao filho do presidente. O ódio não tem, nem terá fim. O
presidente Jair Bolsonaro não aceita pressão para que o filho Carlos, o “02”, seja deslocado do Planalto, onde encontra-se lotado por sua própria vontade.

Carlos comanda um grupo de operadores de internet, chamado de “gabinete do ódio”. É quem está por trás das campanhas mais pestilentas destiladas nas redes sociais contra os adversários de Bolsonaro. O ministro chefe do GSI, general Augusto Heleno, considerado o “militar do Planalto” com maior influência sobre o presidente, tentou apeá-lo do Palácio pelo menos duas vezes. Em ambas, ouviu defesa radical da atual importância de “02” e da sua lealdade absoluta. Para quem não lembra, a influência de “Carluxo” pode ser medida pela presença no Rolls Royce que levou Bolsonaro ao Planalto, na posse do presidente.

Não há precedente para tamanha manifestação de prestígio. O filho Flavio Bolsonaro, o “01”, tem passado os seus dias bastante dividido. Flávio é o mais apavorado com a pandemia e, ao contrário do pai, não dá apertos de mão ou entabula conversas a menos de um metro de distância. Se, por um lado, o coronavírus lhe causa pavor, por outro colabora para esfriar os seus rolos no Judiciário. Flávio ganha tempo e acredita que a sociedade não voltará a ser a mesma depois que a epidemia passar. O senador quer ficar recluso um bom tempo ainda. É distanciamento social do STF, do Legislativo, Polícia Federal etc. Melhor em casa do que na prisão.

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