18.07.18

Ciro Gomes ajusta o dial do seu programa econômico

Há uma preocupação no PDT e potenciais alianças mais à esquerda, notadamente o PSB, em relação às sinalizações de Ciro Gomes de que poderá moderar suas propostas econômicas. O que Ciro vai fazer nesse amplo arco da moderação é que são elas. O timing da mudança de discurso é essencial, assim como o espaço negociável dos planos anunciados pelo pedetista.

Até o irmão Cid Gomes acha que o tom da guinada não deve ser tão intenso a ponto de parecer covardia ou tão tímido que demonstre ser uma farsa. A ideia de uma “Carta ao Povo Brasileiro” foi descartada. Ciro não quer renegar o que falou. Prefere que a flexibilização das propostas se dê no contexto de um programa de governo mais amplo, que seria apresentado à discussão.

Depende, em parte, de uma suavização do discurso de Ciro o apoio do chamado Centrão (DEM, PP, SD e PRB). Os dois líderes do DEM, Rodrigo Maia e ACM Neto, são cabos eleitorais do pedetista. Também Ronaldo Caiado, candidato ao governo de Goiás, “cirou” abertamente. Pode se afirmar que o núcleo duro do Centrão, a exceção do PRB, está com meio pé na candidatura do PDT.

Para afinar o discurso do presidenciável foi proposto um encontro para “discussão técnica de ideias” com Cesar Maia, guru econômico enrustido do DEM. A reunião traz riscos de forte desencontro de propostas. Ciro topa diferir no tempo medidas, reduzir o impacto de algumas proposições, ir esvaziando aos poucos umas e outras sugestões dadas no calor de entrevistas. Não aceita o papel de quinta coluna. Carta ao Povo Brasileiro renegando tudo o que foi dito, jamais, em hipótese alguma.

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