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30.07.20

Bolsonaro e Landim têm nova jogada ensaiada

A tabelinha entre Jair Bolsonaro e Rodolfo Landim, presidente do Flamengo, não se limita à polêmica MP 984, que alterou as regras para a venda de direitos de transmissão do futebol. Landim tem feito gestões junto a Bolsonaro pela mudança da Lei de Acesso Condicionado (SeAC), que regula a TV paga no país. A medida pode virar pelo avesso o concorrido mercado de aquisição de eventos esportivos no país. A principal guinada seria a permissão para que empresas de telefonia celular e operadoras de TV por assinatura possam comprar os direitos de exibição de partidas de futebol.

Aprovada em 2011, a Lei de Acesso Condicionado proíbe a participação cruzada de um mesmo player na produção e na distribuição de conteúdo. Pouco depois, diante da impossibilidade de atuar nas duas pontas, entre outros motivos, a Globo foi forçada a vender sua participação na NET. Se a MP 984 embaralhou o mercado e lançou insegurança jurídica sobre contratos em vigor, ao dar ao mandante a prerrogativa de negociar suas partidas, a alteração da SeAC poderá provocar um rebuliço ainda maior. A mudança abriria as portas desse setor para fortes players estrangeiros que hoje estão fora do game.

Vivo e Claro, por exemplo, poderiam entrar pesado na aquisição dos direitos de transmissão dos principais campeonatos de futebol do país, algo atualmente restrito às emissoras de TV e às plataformas de streaming – estas, por sinal, ainda vivem em um limbo regulatório. Com a alteração da lei, quem também poderia entrar no jogo é a Sky. Ressalte-se que o ex-presidente da operadora de TV por assinatura no país Luiz Eduardo Baptista, o BAP, é o atual vice-presidente de Relações Externas do Flamengo e um dos principais conselheiros de Landim nos assuntos referentes ao tema. À frente da Sky, BAP, muitas vezes, foi um antagonista de interesses comerciais do Grupo Globo. Jair Bolsonaro e Rodolfo Landim vivem uma conveniente simbiose.

Bolsonaro tem o poder de manejar as regras do jogo e, com isso, atender a pleitos do Flamengo; Landim, por sua vez, franqueou ao presidente da República o apoio do clube mais popular do país. O cartola rubro-negro, por sinal, é um expert em se pendurar em personagens dos quais pode obter benefícios imediatos. Foi assim com Dilma Rousseff, quando ele era presidente da BR Distribuidora e ela, ministra de Minas e Energia; foi assim com Eike Batista, de quem foi um dos “cavaleiros da távola do sol eterno”. No jogo atual, a MP 984 e a mudança na SeAC são faces da mesma moeda. Nos dois casos, a possibilidade de contrariar interesses corporativos da Globo parece galvanizar a relação entre Bolsonaro e Landim. O presidente do Flamengo, ressalte-se, recusou-se a vender à emissora os direitos de transmissão dos jogos do clube no Campeonato Carioca. E ainda levou a final da competição para o SBT, hoje uma espécie de “Sistema Bolsonaro de Televisão”. Foi tudo um jogo de cartas marcadas.

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