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23.06.20

A lista de Weintraub

O ex-ministro da Educação e indicado para a diretoria do Banco Mundial, Abraham Weintraub, deixou como generosa contribuição um verdadeiro almanaque de indicações para todos os Conselhos da Pasta. São sete nomes para a Câmara de Educação Básica (CEB), cinco para a Câmara de Educação Superior (CSE) e outros cinco para o Conselho Nacional de Educação (CNE). Desses 17 nomes, seis são discípulos do guru Olavo de Carvalho.

Não está contemplado nenhum militar, poucos doutores e nenhum com produção acadêmica. Weintraub cercou bem o perímetro para manter sua influência e de “Olavão” no Ministério. Em geral, o ministro da Educação indica à Casa Civil os nomes que formarão os colegiados dos Conselhos. É fora do protocolo que um exministro apresente nomes, ainda mais a granel, para ocupar cargos de relevância, notadamente no CNE. Weintraub teve o cuidado de deixar encaminhada a “privatização” do CNE.

Do trio indicado, dois são empresários do setor – Antonio Veronezi (Universidade de Santo Amaro) e Wilson Matos (Unicesumar). Ambos não têm doutorado, uma exigência tácita para a presença no CNE, algo que durante a gestão do ex-ministro passou a ser desconsiderado como requisito. A lista de Weintraub exclui nomes indicados pelas instituições acadêmicas. O atual presidente da Câmara de Ensino Superior do CNE e pró-reitor da FGV, Antônio Freitas, teve sua recondução pedida pela maioria do setor. Ele sequer consta da lista dos 17 nomes de Weintraub, o que, a essa altura, pode até significar um distintivo. A julgar pelo abraço de despedida do ex-ministro em Jair Bolsonaro, frente às câmeras, é improvável que Weintraub e “Olavão” não emplaquem vários nomes nos Conselhos da Pasta.

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