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07.07.15

Fábrica da JAC Motors é um carro em ponto morto

No setor automotivo, o senso comum é que só Sergio Habib ainda acredita em Sergio Habib – ou, ao menos, se empenha para parecer que acredita. A cada quilômetro percorrido, um pedaço do projeto JAC Motors, montadora que Habib trouxe para o Brasil em 2010, vai ficando pelo caminho. O apoio financeiro da matriz rareou; a expansão do número de concessionárias foi para a gaveta; e as vendas da companhia desembestaram ladeira abaixo – no auge, a JAC chegou a comercializar três mil veículos por mês no país; neste ano, a média mensal não passa de 460 unidades. Nesse ambiente adverso e pouco mais de um ano após ser forçado a entregar o controle e a gestão estratégica da JAC Motors do Brasil para os próprios chineses, Habib tenta tirar do atoleiro o grande projeto da empresa: a instalação de uma fábrica na cidade de Camaçari (BA). Difícil tarefa! Tudo parecia razoavelmente dentro do script até outubro do ano passado, quando a Desenbahia aprovou um financiamento para a JAC no valor de R$ 120 milhões – o investimento total está orçado em R$ 1 bilhão. Ocorre que, até o momento, nem uma gotícula desse combustível financeiro pingou no tanque da companhia. Com dúvidas em relação a  viabilidade do projeto – ou seriam certezas? -, a agência de fomento passou a exigir novas contrapartidas financeiras para liberar os recursos. Oficialmente, a JAC confirma que as negociações ainda estão em curso e garante que aguarda o empréstimo para iniciar as obras civis – o serviço de terraplenagem já foi concluído. Sergio Habib pode até acreditar em Sergio Habib, mas, ao contrário do que aparenta, talvez não leve muita fé no governo baiano. Diante do impasse com a Desenbahia, o empresário caiu na estrada em busca de um Plano B, inclusive com o raro apoio dos chineses. Nos últimos meses, abriu conversações com outros estados na tentativa de encontrar um berço para aninhar sua fábrica. A JAC Motors nega tratativas com outras localidades. Mas, segundo o RR apurou, a empresa manteve gestões com os governos do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. No entanto, noves fora contrapartidas em infraestrutura, nenhum dos dois teria acenado com qualquer subsídio.

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