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06.07.15

De grão em grão , o superávit enche a meta

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, é sensível a ditos populares. Do tipo “não há bem que sempre dure nem mal que nunca se acabe” ou “pedra mole em água dura tanto bate até que fura”. Recentemente, teria incorporado “meta de superávit primário não se revisa até o fim do ano fiscal”. Levy fez a autocrítica em relação ao rebaixamento da meta em 0,1 ponto percentual – de 1,2% para 1,1% do PIB. É pouco, por isso mesmo dispensável. Além do que sinaliza mal. E, finalmente, pode não ser necessário. A boa novidade é que a Fazenda volta a considerar viável a meta original de superávit ou um percentual bem próximo, na contramão dos até 0,6% do PIB antecipado pelas proféticas instituições financeiras. Os motivos seriam: a forte e repentina melhoria nas operações externas; a contribuição da agricultura; a convicção de que receitas extraordinárias serão maiores do que as enxergadas pelo mercado; e o aumento da arrecadação até o final do ano, puxada, em parte, pelo comércio exterior. O quinto motivo é um truque maroto: as contas intramuros do Tesouro são mais conservadoras do que as oficialmente anunciadas. Se a estratégia colar, há um dividendo psicológico: ela quebra as expectativas do mercado, que está pessimista até a medula. Levy poderia usar, então, um novo aforismo: “O jogo só termina quando acaba.” Bem, por enquanto o que se vê é a solidão do goleiro na hora do pênalti. Mas são extremamente racionais os sinais de que o ministro da Fazenda não é somente um turrão com suas metas ou que esteja fazendo um jogo de gato e rato com as expectativas.

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