30.06.15

Quem ainda escreve o que Armínio diz?

Dois momentos de flagrante desonestidade intelectual no debate econômico. Caberá ao leitor julgar em qual deles foram maiores o oportunismo e a tentativa de desestabilizar o ajuste fiscal. Trata-se de uma decisão difícil. Data da opereta: meados de março. Meta de superávit primário estipulada em 1,2% do PIB. O percentual era considerado tímido pelo mercado, que queria mais. Armínio Fraga vai a  mídia e mais o que dobra o cacife. Diz que o superávit teria de ser, no mínimo, de 3% do PIB durante alguns anos. Com isso, cumpre sua intenção de piorar as expectativas. Data: último fim de semana.Meta de superávit primário de 1,2% na corda bamba, com sua revisão para baixo já quase reconhecida pelo governo. O mercado aposta em uma meta entre 0,6% e 0,8%. Armínio Fraga, que defendia um arrocho fiscal de 3% do PIB, diz na mídia que Joaquim Levy errou ao não colocar a meta lá embaixo logo na partida. Segundo Armínio, o número de Levy é inviável e terá de ser revisado. Conclusão: Armínio não deu um pio para justificar a mudança da sua revisão megalomaníaca original por absoluta falta de isenção. Pelo contrário. O ex-futuro ministro da Fazenda fala com o ressentimento de quem nunca foi e, provavelmente, nunca será. Posfácio morno de mais 20 dias, Armínio Fraga deverá dar uma nova entrevista a  imprensa. Seja lá o que evy fizer e qualquer que seja a percepção do mercado naquele momento, todos aguardam uma nova ondenação da política econômica, não bastante a convicção geral de que Armínio, noves fora algumas miudezas, faria mais ou menos do mesmo jeito que está sendo tocado pelo ministro da Fazenda. Esperar nobreza d?alma é o que nunca será, é o que não faz sentido.

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