Pestana reestrutura a Leader em causa própria

  • 23/06/2015
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Os óculos retangulares e o cabelo repartido da esquerda para a direita lembram o próprio André Esteves, controlador da Leader Magazine. Mas é a imagem de Enéas Pestana e não a do banqueiro que se projeta sobre o futuro da companhia. Para todos os efeitos, o ex-Pão de Açúcar e agora onipresente consultor foi convocado por Esteves para comandar o processo de reestruturação da rede varejista – a  semelhança do que ocorre na Máquina de Vendas e na BR Pharma, também do BTG Pactual. No entanto, na própria Leader, cresce a percepção de que, neste caso, o termo “Reestruturação” não passa de um eufemismo: para muitos, a real missão de Pestana é arrumar a casa e preparar a venda do controle da empresa, da qual o BTG detém 70% – o restante das ações pertence aos acionistas fundadores, a família Gouvêa. Há quem vá mais além e afirme que Enéas Pestana interpreta dois personagens neste enredo: primeiro, vai fechar lojas, renegociar o aluguel dos imóveis, cortar pessoal, arrochar fornecedores, estressar executivos, impor novas metas de performance e tudo mais que couber no papel de consultor; em um segundo momento, o executivo tiraria o figurino de verdugo e, então, entraria em cena o investidor. Pestana enxergou uma oportunidade maior e está reunindo fundos de private equity interessados na aquisição da Leader. Ele próprio teria uma participação no bloco de controle. Ressalte-se que a fatia do BTG na rede varejista estaria avaliada em aproximadamente R$ 900 milhões. Nos últimos meses, André Esteves chegou a engatilhar um novo aporte de capital na Leader Magazine. No entanto, segundo o RR apurou, esta hipótese perdeu força. Esteves dá sinais de que cansou de ser dono de loja de departamento e quer empurrar o negócio para alguém do ramo. Se não for Enéas Pestana, será outro. O fato é que a Leader se junta a  Sete Brasil e a  própria BR Pharma na lista de recentes insucessos de Esteves. No caso da varejista, o banqueiro subiu no avião errado na hora errada. Desde que assumiu o controle da empresa, em 2012, o setor só faz andar para trás, empurrado pela redução da oferta de crédito e pela retração do consumo. Mesmo com o cenário adverso, Esteves ainda esticou a corda, na tentativa de dar massa crítica a  sua operação no varejo. Em 2013, comprou a Lojas Seller. Há pouco mais de um ano, chegou a articular a aquisição de um ativo bem mais graúdo, a Lojas Renner. Largou o carrinho no corredor e não chegou sequer a  fila do caixa.

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