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24.02.15

Número de demissões na GM pode chegar a 1,2 mil funcionários

A ameaça de dispensa dos 798 trabalhadores que estavam sob regime de layoff seria apenas a ponta do iceberg. O número de demissões na fábrica da General Motors em São José dos Campos pode atingir exatos 1.209 operários, o equivalente a 23% de todo o quadro pessoal na unidade paulista. Segundo informações filtradas junto a  própria GM, além do eventual afastamento em definitivo dos funcionários que tiveram seus contratos suspensos entre setembro do ano passado e fevereiro, a montadora teria planos de fechar mais 411 postos de trabalho no Vale do Paraíba. O RR fez duas consultas a  GM sobre a possibilidade de um número ainda maior de demissões. Em ambos os casos, a montadora recusou-se a tratar especificamente do assunto. Em nota, a GM limitou-se a torpedear a greve e os sindicalistas. A montadora garantiu não ter sido “oficialmente comunicada pelo sindicato local, conforme determina a legislação”. Afirmou ainda que a proposta apresentada aos funcionários “foi deturpada pelo sindicato” e, em razão disso, tomará “as medidas legais cabíveis”. Por sua vez, o Sindicado dos Metalúrgicos de São José dos Campos garante que não aceitará demissões e “se houver cortes, ninguém trabalha”. Está prevista para hoje a primeira audiência de conciliação entre a GM e os funcionários de São José dos Campos, em greve desde sexta-feira. O Sindicato afirma que a paralisação será interrompida caso a companhia “aceite conceder estabilidade aos trabalhadores”. O fato é que as duas partes chegarão ao Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, em Campinas, trazendo na bagagem antigos ressentimentos. Não é de hoje que as relações entre a montadora e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos têm sido marcadas por um clima de belicosidade. A companhia insinua que os líderes sindicais da região agem movidos por interesses políticos. O Sindicato rebate e afirma que a GM “pretende fazer cortes drásticos na mão de obra da fábrica, apesar de todos os benefícios fiscais que tem recebido do governo federal”. Do lado da GM, em parte a opção pelo enfrentamento pode ser creditada na conta de Jaime Ardila, ex-presidente da subsidiária brasileira e hoje o principal dirigente do grupo na América do Sul. Nos anos em que comandou a montadora no país, Ardila mostrou- se um negociador implacável com os sindicalistas, a quem jamais cedeu um milímetro de terreno. Fez escola, na qual, tudo indica, estudou e se graduou Santiago Chamorro, diretor de vendas na gestão Ardila e seu sucessor na presidência da operação brasileira.

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