11.09.15
ED. 5204

“Não fazer o que é correto é falta de coragem”

Em sua fase confucionista, Dilma Rousseff vai seguir pelo caminho do meio. A presidente tomou a decisão de fazer um blended do malte de Joaquim Levy com a cevada de Nelson Barbosa. Talvez seja possível. Dilma seguirá Confúcio, que recomenda agir antes de falar, exatamente o que ela não fez no episódio do rebaixamento pela S&P. Confúcio, em seus Analetos, dizia: “Não são as ervas más que afogam a boa semente, e, sim, a negligência do lavrador”. Ou seja, leseira é governar somente depois dos fatos e lambança é antecipar os fatos, mas ficar esperando eles acontecerem para tomar as medidas que haviam sido anunciadas antes e não foram executadas. Dilma vai pegar Levy por um braço e Barbosa por outro. Mesmo que os meninos só se olhem de soslaio, o sentido de unidade da equipe deve prevalecer nessa nova fase de ativismo junto aos meios de comunicação. Gafanhoto, eis algo a evitar: dois ministros disputando espaço na mídia e entulhando o noticiário com medidas que, na maioria das vezes, não passam de conjecturas. Dilma, a confucionista, pretende usar as palavras do filósofo para professar a quintessência da verdade: “Querem que vos ensine o modo de chegar à ciência verdadeira? Aquilo que se sabe, saber que se sabe; aquilo que não se sabe, saber que não se sabe; na verdade é este o saber.” Ou seja: o pacote de medidas do ajuste sempre esteve pronto, à disposição da mão tíbia da presidente. Portanto “quem de manhã compreendeu os ensinamentos da sabedoria, à noite pode morrer contente”. Melhor dizer: “Saber o que é correto e não fazer é falta de coragem”. Por exemplo: confundir presidencialismo de coalizão com mandarinato de servidão ou czarismo poltrão. Se estivesse vivo, Confúcio diria: “Faz o que tem de ser feito agora, que compromisso da boca para fora é semente que não germina.” Pacífica e suave como em poucas vezes, Dilma atravessaria a pé a distância que separa o Palácio do Planalto do Congresso Nacional e, acompanhada do ministro da Defesa, dos comandantes militares e do presidente do STF, entregaria solenemente sua proposta de ajuste fiscal ao presidente do Senado Federal. Ato contínuo, discursaria sobre a gravidade da crise no plenário da Câmara, pedindo a colaboração dos congressistas em transmissão direta pela TV. Remediaria com água benta uma inundação.

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