21.02.18
ED. 5810

Inmetro se afoga em um mar de denúncias

O RR apurou que o diretor de administração e finanças do Inmetro, Alexander Assis de Oliveira, deverá ser confirmado até a próxima quinta-feira como o novo presidente da autarquia, em substituição a Carlos Augusto de Azevedo. A nomeação não traz consigo calmaria. Oliveira carrega uma torrente de denúncias de corrupção e favorecimento a prestadores de serviços da estatal. De acordo com informações filtradas do próprio Inmetro, no último dia 6 de fevereiro, três graduados funcionários do instituto prestaram depoimento à Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro, no âmbito do inquérito policial no 0991/2017-1.

O trio não poupou munição contra Oliveira. De acordo com os depoentes, o executivo teria autorizado a contratação da Becape Automação Industrial sem licitação – o caso já gerou processos na CGU (no 00106.013093/2017-19) e no Ministério Público Federal (no 2017.0028858/2017), conforme o RR informou em 27 de dezembro. Procurado pelo RR, o Inmetro não se pronunciou até o fechamento desta edição. Segundo os depoimentos colhidos pela PF, em reunião realizada em novembro de 2016, Alexander Oliveira teria proposto o pagamento de R$ 140 mil à Becape, mesmo sem um contrato formal de prestação de serviços.

No mesmo encontro, na presença de outros dirigentes do Inmetro, teria sugerido que o repasse poderia ser feito por meio do contrato da autarquia com outra empresa, a Eletrodata. Alexander de Oliveira tem relações pessoais com Bernardo Almeida, filho do dono da Becape, Peterson de Lima Almeida. Ambos foram sócios de uma empresa chamada Câmara de Comércio Brasil-Cuba (Cambrac). Procurado pelo RR, Bernardo confirmou a antiga sociedade. Ele garante, no entanto, que a Becape jamais prestou serviços ao Inmetro ou recebeu qualquer pagamento do órgão, direta ou indiretamente. A Eletrodata não se manifestou.

Segundo as denúncias de funcionários do Inmetro à Polícia Federal, Alexander de Oliveira teria utilizado outro prestador de serviços, a Liderança Limpeza, para a contratação de pessoas vinculadas à Igreja Presbiteriana. Também procurada pelo RR, a Liderança não se pronunciou. As acusações têm gerado investigações internas. Segundo o RR apurou, há 20 procedimentos/ processos administrativos em curso na autarquia envolvendo acusações de corrupção e outras irregularidades. As apurações, no entanto, caminham a passos de quelônio, sem qualquer efeito prático, relatórios concluídos e muito menos sanções. As acusações contra Alexander de Oliveira poderão respingar no prefeito Marcelo Crivella, um dos principais artífices da sua indicação à presidência do Inmetro. A nomeação passa obrigatoriamente pelo PR, de Crivella, partido que comanda o Ministério da Indústria e Comércio. O executivo, por sinal, tem pontos de conexão com Crivella que vão além das vinculações partidárias. Oliveira é pastor evangélico, da Igreja Presbiteriana.

Para poder comentar você precisa estar logado. Clique aqui para entrar.