13.07.17
ED. 5660

Espólio de Edson Bueno se equilibra entre o fato e a versão

O espólio de Edson Bueno, falecido em fevereiro, tornou-se objeto de cobiça de grandes investidores da área de saúde. Pesos-pesados do setor têm procurado os herdeiros do empresário interessados na compra dos seis hospitais do Grupo Ímpar, holding que reúne os negócios da família. Os dois principais pretendentes seriam a Rede D ́Or São Luiz e a norte-americana UnitedHealth, que, em 2012, adquiriu a própria Amil, fundada por Bueno.

Segundo o RR apurou, ambos já teriam entabulado conversações com Pedro Bueno, filho do empresário. Procurada pelo RR, a Rede D ́Or negou as negociações. A UnitedHealth e o Grupo Ímpar não quiseram comentar o assunto. O destino dos negócios de Edson Bueno, por sinal, está no meio de um tiroteio cruzado entre a realidade e a intriga. Há informações desencontradas, notadamente em relação aos próprios herdeiros. Circulam relatos de divergências entre Pedro Bueno e sua madrasta Dulce Pugliese, viúva do empresário e sócia do Grupo Ímpar.

Uma das versões aponta que Pedro teria iniciado conversações com outros grupos do setor sem autorização dos demais herdeiros. O RR consultou fontes próximas à família e apurou que não existem atritos entre Dulce e seu enteado. Os dois, inclusive, passaram juntos o último fim de semana. Na visão da matriarca, Pedro tem um papel importante na administração do Grupo Ímpar.

Segundo uma fonte, ambos estão alinhados e entendem que este não é o momento para a venda de ativos, muito menos nas cifras aventadas no mercado. Este, aliás, é outro ponto de colisão entre o fato e a versão. O RR recebeu a informação de que os seis hospitais do Grupo Ímpar estariam avaliados em torno de R$ 5 bilhões. Provavelmente trata-se de uma cifra soprada de fora para dentro da empresa.

O valor não bate com as apurações junto a fontes ligadas à família. Por esse valor, os herdeiros de Edson Bueno não vendem sequer o 9 de Julho sozinho. Trata-se do terceiro maior hospital de São Paulo, atrás apenas do Albert Einstein e do Sírio-Libanês. Estes dois últimos, ressalte-se, por serem entidades filantrópicas, seguem outro regime tributário.

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