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Planos
16.08.19
ED. 6180

Não há democracia que misture Bolsonaro, Santa Cruz e Maia no mesmo balaio

No dia 19 de agosto, próxima segunda-feira, quando o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, atravessar a linha demarcatória entre a calçada e o prédio localizado na Quadra 5, Lote 1, Bloco M, para participar como convidado especial da reunião do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), estará sendo firmada uma ponte entre o presente e o passado, que liga assuntos desconfortáveis a assuntos desconfortáveis. Maia não fará um desagravo somente a Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, militante da Ação Popular (AP) desaparecido em 22 de fevereiro de 1974 sem ter tocado em uma arma de fogo. Fernando é pai do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, que protagoniza uma batalha campal com Jair Bolsonaro.

O presidente da OAB repudia a tortura, e o presidente da República acata a prática em “situações de guerra”. Ainda que silenciosamente, Maia estará fazendo um desagravo também às origens do seu pai, Cesar Maia, nascido em 28 de fevereiro de 1948, militante da organização Corrente, ligado a Carlos Marighela, participante da luta armada e considerado um “perigoso subversivo” pelo regime militar. Se Cesar não tivesse escapado para o exílio, não é improvável que Rodrigo, então com dois anos, tivesse apenas memórias distantes do pai. Rodrigo Maia vai à OAB falar em nome dos mortos e dos desaparecidos, dos exilados, contra os apologistas da tortura e em favor dele mesmo. O presidente da Câmara, que vem sendo chamado de “Sr. Democracia” nos corredores do Congresso, encontrou seu mote de campanha: uma improvável bandeira dos direitos humanos, em uma luta ainda mais improvável pelas causas humanistas que dispensa a presença da esquerda. Rodrigo Maia vs. Jair Bolsonaro.

Trata-se de um embate entre conservadores, com participação especial dos grupos progressistas. Junto com a OAB naturalmente se perfilam a ABI, a CNBB e, possivelmente, o Clube de Engenharia, entre outras organizações da sociedade civil. No lado da direita anti-bolsonarista, o “novo democrata” do DEM, Rodrigo, e todos seus bluecaps. E na extrema da extrema, a força de um presidente da República, a maior parte dos seus colaboradores – notadamente os militares da reserva – e os conservadores da bala, ruralistas e outros grupos de reconhecida afinidade. Se for procedente a frase atribuída ao general Eduardo Villas Bôas, Bolsonaro poderia contar ainda com 300 mil homens armados.

Melhor desconfiar da veracidade da declaração. Em um determinado momento, Rodrigo Maia até tentou colocar panos quentes na situação. Articulou com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, uma distensão através do Congresso. Ninguém teria de estender a bandeira branca. Bastava somente os parlamentares serem convencidos. O primeiro seria a deputada Joice Hasselmann. Ela teria de ser dissuadida a levar adiante a ideia do projeto de lei propondo a extinção da contribuição anual obrigatória dos advogados à Ordem. Em outro front, o governo deveria frear o PL do deputado José Medeiros (Pode/MT), que prevê o fim do Exame da Ordem como exigência para inscrição na OAB. O cenário, porém, foi se radicalizando, e Rodrigo foi enxergando ali uma jazida. O confronto entre a Ordem e a extrema direita, digamos assim, é um desserviço à Nação. Mas atende de alguma forma a interesses múltiplos. A OAB de Felipe Santa Cruz ressurge pontificando a resistência aos ventos fortes do autoritarismo. Rodrigo Maia vai poder fazer um pêndulo entre o DEM e as forças progressistas, um enredo que nem nos seus mais distantes sonhos foi possível. O real, real mesmo, sem viés, nu e cru, pode ser traduzido na curta frase ao RR do ex-presidente da OAB Roberto Busato: “O ataque é um dos mais graves que a instituição passou, fruto do radicalismo exacerbado, tanto da esquerda como da direita”. No ponto.

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16/08/19 11:30h

carlos.rsl

disse:

"Trata-se de um embate entre conservadores (...)" O autor CLARAMENTE não faz ideia do que é Conservadorismo e mostra que nunca leu as obras de João Pereira Coutinho, Roger Scruton, Russell Kirk, entre outros. Não, Rodrigo Maia NÃO É um conservador. Tampouco Jair Bolsonaro o é.

16.08.19
ED. 6180

A era das demissões voluntárias

Goste-se ou não, Jair Bolsonaro está entregando uma de suas promessas de campanha: a redução do funcionalismo. Menos de um ano após seu último Plano de Demissões Voluntárias, a Casa da Moeda passará por mais uma lipoaspiração. A direção da estatal já aprovou um novo PDV, com a meta de cortar cerca de 200 funcionários – algo como 10% da força de trabalho. Entre outras iscas, a Casa da Moeda oferecerá indenização de 80% sobre o FGTS e plano de saúde por 42 meses. A estatal tem amargado queda de receita devido à suspensão do Sicobe (Sistema de Controle Fiscal de Produção de Bebidas) e pelo contingenciamento das verbas do BC para novas encomendas de cédulas e moedas.

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16.08.19
ED. 6180

Os prejuízos bilaterais da Honda

O Mercosul tinge o balanço da Honda de vermelho. Além das perdas que levaram os japoneses a encerrar a produção de automóveis na Argentina, a montadora ainda terá, ao menos, cinco anos de prejuízo com a fábrica de Itirapina, no interior de São Paulo. Segundo o RR apurou, nas projeções da própria Honda é o tempo que ela levará para começar a recuperar o valor de R$ 1 bilhão investido na construção da planta mais os gastos de manutenção. Embora as obras tenham terminado em 2016, a unidade ficou fechada até março deste ano, por conta da crise econômica.

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16.08.19
ED. 6180

Curriculum vitae

O físico Ricardo Galvão, que não serviu para o INPE dos sonhos de Jair Bolsonaro, já teria recebido dois convites para assumir instituições internacionais da área de meio ambiente.

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16.08.19
ED. 6180

Neymar é uma festa

Neymar flerta com um novo modelo do Legacy, jatinho produzido pela Embraer. O brinquedinho custa em torno de US$ 28 milhões. O avião chegaria para preencher um vazio na vida do craque. Em abril, a Receita bloqueou um Cessna Citation 680, de propriedade de Neymar, além um helicóptero, como garantia de uma multa de R$ 69 milhões por sonegação fiscal.

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16.08.19
ED. 6180

Boa briga

Segundo fonte do próprio MPF, o órgão vai entrar com uma ação na Justiça pedindo o desbloqueio de verbas do Orçamento para a educação. A briga promete ser boa.

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16.08.19
ED. 6180

German nas nuvens

German Efromovich confidenciou a uma fonte do RR os planos de montar uma companhia aérea na Costa Rica. Só não disse de onde sairá o combustível financeiro para tirar o projeto do chão. Efromovich vem de dois reveses: a perda da Avianca na Colômbia e a recuperação judicial da Avianca Brasil.

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16.08.19
ED. 6180

Crowdfunding da ONU no vermelho

A visita do Alto Comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, a Roraima, prevista para hoje, faz parte, sobretudo, do esforço de captação de recursos do organismo internacional. A “conta-Venezuela” está no vermelho. A ONU estabeleceu como meta arrecadar US$ 740 milhões em doações para os países da América do Sul e do Caribe que têm recebido refugiados venezuelanos. Por ora, no entanto, a “vaquinha global” alcançou apenas 25% desse valor.

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16.08.19
ED. 6180

Direto da Arábia

A Red Sea Housing, uma das grandes empresas imobiliárias da Arábia Saudita, busca um parceiro para a construção de casas de perfil mais popular em São Paulo.

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16.08.19
ED. 6180

Bye, bye, Crivella

João Doria e Bruno Covas já dão como favas contadas a renovação do contrato para a realização da F-1 em São Paulo.

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16.08.19
ED. 6180

Ponto final

Os seguintes citados não retornaram ou não comentaram o assunto: Casa da Moeda, Avianca e Honda.

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