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Planos
05.08.19
ED. 6171

Subsolo brasileiro será a moeda de troca do embaixador Eduardo Bolsonaro

Uma missão prioritária está reservada para Eduardo Bolsonaro, futuro Embaixador em Washington e chanceler in pectore do governo Bolsonaro. Caberá ao “03” colocar em marcha uma política de troca de recursos minerais estratégicos por acordos comerciais bilaterais. O projeto nasce da premissa de que o Brasil não tem outra moeda de negociação com o mundo: o subsolo é o único grande ativo que sobrou para ser colocado sobre o tabuleiro das relações internacionais. A ideia explica a ênfase com que Bolsonaro tem se referido à abertura de reservas indígenas e de áreas de proteção ambiental para investidores privados, assim como sua insistência em nomear Eduardo para a Embaixada do Brasil em Washington.

Os Estados Unidos despontam como parceiros preferenciais. Para além da relação de proximidade ideológica entre Donald Trump e Bolsonaro, razões de ordem geoeconômica empurram os norte americanos para o negócio. O governo Trump teria todo o interesse de reduzir o espaço para a entrada dos chineses na extração de minerais estratégicos no Brasil. À exceção de minério de ferro, manganês, nióbio e cobre, abundantes nestas terras, um acordo com o Brasil faria da China um monopsônio das importações dos demais minerais do país. Ela poderia se tornar o único ou, ao menos, o principal comprador, transformando as reservas nacionais em enclaves orientais em solo brasileiro. Seria uma guerra fria polimetálica se o Tio Sam já não fosse o eleito.

No que depender das motivações de parte a parte, a Amazônia tem tudo para virar uma espécie de 51º segundo estado norte-americano. O projeto envolveria dois grandes perímetros territoriais da Região Amazônica: a Reserva Nacional do Cobre (Renca) e a Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Jair Bolsonaro quer dar sequência ao que Michel Temer ensaiou, mas não fez, notadamente no caso da Renca. Em agosto de 2017, Temer assinou decreto extinguindo a Renca e liberando a área para a exploração privada. Um mês depois, diante da pressão que sofreu, revogou a decisão. Guardadas as devidas proporções, a Reserva Nacional do Cobre é uma espécie de pré-sal da mineração. Trata-se de uma próspera província metalogenética.

No subsolo de seus mais de 46 mil quilômetros quadrados espalhados pelo Pará e Amapá, repousam, além do metal que lhe dá nome, ouro, titânio, fósforo, estanho, tântalo e grafita, segundo dados da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM). Há ainda registros de bauxita, manganês e diamante. A Reserva Raposa Serra do Sol, por sua vez, ocupa uma extensão de 17 mil quilômetros em Roraima. O governo Bolsonaro oferecerá aos investidores internacionais, de acordo com estudos da CPRM, seu subsolo cravejado de diamante e ouro. Nesse grande projeto de entrada de investidores internacionais nos “santuários” minerais do Brasil, ficariam faltando apenas os nódulos polimetálicos. São depósitos de minerais no fundo do oceano.

A costa brasileira está cheia deles. O maior e mais cobiçado é a Elevação do Rio Grande, na altura do Rio Grande do Sul. Essa Atlântida multimineral está localizada além das 200 milhas náuticas. Mas existe uma possibilidade do país ampliar seu mar territorial caso fique comprovado que a área é uma extensão geológica de terras brasileiras quando da separação da América do Sul da África.O governo já solicitou permissão à Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos para fazer pesquisas no local. É mais fácil dizer o que não há naquelas profundezas. Já foram comprovadas as presenças de cobalto, níquel, cobre e manganês, além de zincônio, tântalo, telúrio, tungstênio, nióbio, tório, bismuto, platina, cério, európio, molibdênio e lítio. Vão para o portfólio com que Eduardo Bolsonaro correrá o mundo.

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05.08.19
ED. 6171

Operação tartaruga no STJ?

A decisão do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), João Noronha, de não convocar um magistrado substituto para o ministro Félix Fisher, afastado por razões de saúde, causou estranheza entre os demais membros da Corte. Os processos da Lava Jato na 5ª Turma, relatados por Fisher, terão de ser distribuídos um a um. Essa lenta roleta vai atrasar toda a pauta de julgamentos. Ganha quem ainda não foi levado ao banco dos réus e perde quem aguarda a apreciação de recursos. É o caso do ex-presidente Lula, que espera pelo veredito em relação ao seu pedido de transferência para o regime aberto.

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05.08.19
ED. 6171

Trabalho temporário

A decisão do Palácio do Planalto de suspender a extinção do Conselho Nacional do Trabalho (CNT) não aquietou seus integrantes e, muito menos, as lideranças sindicais. Há um temor de que a determinação tenha sido apenas para cumprir tabela: em setembro, o governo brasileiro terá de enviar obrigatoriamente à OIT (Organização Internacional do Trabalho) um relatório sobre a situação das relações de trabalho no país. Depois disso, há o risco de o mercurial Jair Bolsonaro reabrir fogo contra o conselho.

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05.08.19
ED. 6171

O “Tarcísio da ANTT”

Homem de confiança do ministro Tarcisio Freitas, o novo diretor da ANTT Davi Barreto entrou como um trem-bala na agência reguladora. Está revendo processos de compliance e vasculhando antigos contratos. Quem olha nem lembra que Barreto tem um superior hierárquico, o diretor-geral da ANTT, Mario Rodrigues Junior, citado em denúncias de corrupção.

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05.08.19
ED. 6171

Risco Passaredo

A decisão da ANAC de entregar à Passaredo 14 dos antigos slots da Avianca em Congonhas foi mal recebida por outros órgãos públicos do setor aéreo. As áreas técnicas da Infraero e do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo) têm preocupação quanto à capacidade financeira da empresa de operar as estruturas e voos no aeroporto. Não bastasse ser uma companhia pequena, a Passaredo ainda traz as sequelas de quem enfrentou um processo de recuperação judicial há dois anos.

O RR apurou que a Passaredo tem planos de operar três voos diários de Congonhas para cidades do interior de Minas Gerais. Procurada, a empresa diz que está “trabalhando na elaboração de uma malha para iniciar operações em 27 de outubro”. Informa ainda que “irá se adequar aos requisitos operacionais exigidos para atuação no aeroporto.”

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05.08.19
ED. 6171

Cartilha

O subprocurador Augusto Aras fez chegar ao Palácio do Planalto sua palavra de que manterá Deltan Dallagnol da Lava Jato caso assuma a PGR. Aras é apontado como o favorito do clã dos Bolsonaro para o cargo.

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A rádio-corredor da Polícia Federal informa: uma nova fase da Operação Greenfield estaria prestes a sair do forno. Ela seria resultado de centenas de documentos e informações passadas à PF pela Funcef sobre investimentos em dois fundos: o FIP Global Equity e o FIP Sondas, leia-se a famigerada Sete Brasil. Procurada, a PF diz que não comenta “eventuais investigações em andamento”.

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05.08.19
ED. 6171

Proposta sobre a mesa

A Brookfield teria apresentado uma proposta para a compra da Argo, empresa de transmissão de energia controlada pelo Pátria Investimentos. A colombiana ISA CTEEP e a franco-belga Engie também estão no páreo.

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05.08.19
ED. 6171

Novas “Tabatas”

Mais traições à vista no PDT: o senador Acir Gurgacz (RO) já é considerado, dentro do próprio partido, voto certo a favor da reforma da Previdência.

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05.08.19
ED. 6171

Ponto final

Os seguintes citados não retornaram ou não comentaram o assunto: Funcef, Pátria e Brookfield.

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