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Planos
28.12.18
ED. 6023

Ano Novo começa sob a égide do liberalismo

Se o lendário economista Arthur Candal estivesse vivo, resumiria a pré-gestação do governo Bolsonaro como “um brutal acerto de diagnóstico”. Candal usava o adjetivo “brutal” inversamente a sua definição etimológica. A palavra vem do latim “brutale” e é utilizada para qualificar algo como “sem razão” ou “irracional”. Para o economista, ela se adequava ao termo em seu sentido contrário, ou seja, algo tremendamente correto.

Em comum com o então jovem Paulo Guedes, tinha o som e a fúria. Candal foi a estrela maior do Ipea nos anos de ouro, época em que a instituição de pesquisas era dirigida por João Paulo dos Reis Velloso. Na mesma constelação, estavam nomes como Pedro Malan, Regis Bonelli e Edmar Bacha. Para se ter uma ideia do peso do personagem, o empresário Paulo Cunha, um dos donos do Grupo Ultra e referência entre seus pares, responde de bate-pronto quando é perguntado sobre Candal: “Ninguém estudou ou entendeu mais a indústria do que ele”.

“Arthur, o vermelho”, conforme era chamado nas décadas de 60 e 70, se dizia “kaleckiano”. Aliás, ele e Maria da Conceição Tavares. Com uma diferença, Candal, quando se exilou, foi estudar com o mítico economista, uma espécie de “Keynes polonês”. Ele contava que antes do seu primeiro encontro formal com Michal Kalecki, na véspera de Natal, rondava pelas ruas de Varsóvia, quando decidiu entrar em um bar. O economista era um famoso “altero-copista”, difícil de  ser enfrentado em uma disputa etílica. Pois que, sem conhecer Kalecki, postou-se ao seu lado no balcão. E os dois, olhando-se de esguelha, derramaram toneis de vodka. Não trocaram uma palavra sequer. Só depois que Candal descobriu quem era o seu vizinho no bar.

Muitos anos depois, prosseguindo em suas autocríticas, Candal tornou-se fiscalista e privatista, passando a enxergar o déficit público como o demônio na terra. O economista dizia que quem fez sua cabeça foi Mario Henrique Simonsen, com quem tinha tido uma “brutal” discordância de décadas. Em uma inesquecível noite, no bar do Hilton Hotel, localizado à Av. Ipiranga, após um evento patrocinado pela então Pricewaterhouse sobre os rumos da indústria, Candal se declarou a Simonsen. Disse que o ex-ministro tinha acertado o tempo todo e ele não tinha enxergado o que estava à frente. Beberam até quase o dia raiar.

Naqueles idos, “Arthur, o ex-vermelho” já tinha identificado no jovem e acelerado Paulo Guedes um economista merecedor de observação. Leu um debate entre Conceição, uma velha amiga, e o jovem monetarista, realizado na Anbid, e disse: “A Maria perdeu essa”. E ganhar da Maria era um feito raro. A esquerda atacava o enfant gâté apelidando-o de “Beato Salu”, alusão a um místico catastrofista que fazia a graça de uma novela de televisão. Candal entendia os excessos de Guedes como estratégia: o rapaz elevava o tom muitos decibéis para enfrentar a maioria intelectual, em um período no qual o liberalismo, fosse lá qual a vertente, era satanizado como se tivesse a culpa pelos porões da ditadura.

Roberto Campos, ídolo de Guedes, quando perguntado quem seria seu sucessor entre os “chicaguianos” Paulo Rabello e Paulo Guedes, dizia que a ordem dos Paulos não alterava o resultado. Mentira! Guedes era um ultraliberal elevado a uma potência maior. Reza a lenda que em uma semana natalina, em Chicago, o jovem Paulo Guedes levantou-se na sala de aula e, para perplexidade geral, ousou discordar do velho professor, um tal de Milton Friedman. Ensaiou um debate com o Prêmio Nobel. Em comum com Candal, o “Posto Ipiranga” tem a “brutal” capacidade de argumentação. Ao que consta, nunca se encontraram. Guedes chegou aonde queria e está prestes a iniciar a contenda da sua vida em busca de um ajuste fiscal nunca dantes realizado. Pode ser que esteja errado. De novo, alguns tons acima. Mas, Arthur Candal, “o petroquímico”, aprovaria. Até talvez topasse alguma radicalidade a mais. Sempre melhor que briguem as ideias do que os homens. O RR deseja um Feliz Ano Novo a todos os assinantes!

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28.12.18
ED. 6023

Falta a Interpol

O ministro das Minas e Energia, Moreira Franco, está trabalhando feito um possesso, mais do que laborou durante todo o governo Temer. Moreira quer deixar um legado de leilões, licitações, editais e projetos. É uma forma de se creditar com Jair Bolsonaro e pleitear algum cargo no exterior. Moreira acha que exercendo uma função no estrangeiro ficará mais protegido do Ministério Público, Polícia Federal e agora do Ministério da Justiça. Se ficar por aqui, é bote certo.

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28.12.18
ED. 6023

A biruta de Viracopos vai mudar de direção

A “equipe de transição” da Zurich Airport e da IG4 Capital aterrissou na Aeroporto Brasil Viracopos (ABV). O grupo suíço e a gestora de capital já teriam iniciado o processo de due diligence para a compra da concessão do terminal de Campinas, pertencente à Triunfo Participações e a UTC Engenharia. Paralelamente, Zurich e IG4 intensificaram as tratativas com o TCU e a Anac com o objetivo de que a aquisição seja anunciada na primeira quinzena de janeiro. Os investidores querem garantias de que as cláusulas originais do contrato de concessão serão respeitadas, notadamente em relação aos prazos negociados para o pagamento dos valores atrasados da licença.

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28.12.18
ED. 6023

Petrodólares para dar e comprar

A Casa de Thani, leia-se a dinastia que governa o Catar, não vai poupar petrodólares para propagandear a Copa do Mundo de 2022. Além da Copa das Confederações, um ano antes, pretende fechar um pacote de amistosos da seleção brasileira no país para mostrar ao mundo os estádios do Mundial. O emirado vai gastar mais de US$ 30 bilhões para erguer suas suntuosas arenas.

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28.12.18
ED. 6023

Doria & Meirelles

João Doria pretende usar e abusar do capital reputacional de seu super-secretário da Fazenda, Henrique Meirelles, no exterior. A dupla prepara-se para viajar à China em fevereiro. Vai “vender” o pacote de privatizações e concessões do governo paulista, com ênfase na Sabesp e nas rodovias estaduais.

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28.12.18
ED. 6023

Diplomacia contra a antidiplomacia

O ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, estaria cabalando votos junto à “diplomatas da reserva”, digamos assim, para um manifesto contra a atitude de Jair Bolsonaro de desconvidar os presidentes de Cuba e Venezuela para sua cerimônia de posse. Segundo o ex-ministro, a medida é um atentado às práticas de civilidade nas relações diplomáticas.

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28.12.18
ED. 6023

Na escuta

Uma das “atrações” do mega-esquema de segurança do GSI para a posse de Jair Bolsonaro será um equipamento capaz de monitorar e bloquear sinais de celulares e mensagens de WhatsApp em um raio de até cinco quilômetros.

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28.12.18
ED. 6023

Educação e energia

A gestora norte-americana Neuberger Berman, que aportou R$ 375 milhões na Uniasselvi, prepara investimentos de alta voltagem em energia no Brasil.

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28.12.18
ED. 6023

Pesos e medidas

Além do Sesi, o nome de Magno Malta também é cogitado para dirigir a Autoridade de Governança do Legado Olímpico. Parece até provocação: o primeiro tem um orçamento da ordem de R$ 1,5 bilhão; o segundo, de R$ 35 milhões.

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28.12.18
ED. 6023

“Padim Ciço”

Prestes a deixar o Senado, Eunício de Oliveira pode ser acusado de tudo, menos de virar as costas para os seus. Desde novembro, empenhou-se na liberação de R$ 2 bilhões em emendas orçamentárias para o Ceará.

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28.12.18
ED. 6023

Cadeia da proteína

O fundo árabe Salic, que já é acionista do frigorífico Minerva, prepara seu próximo passo no Brasil: entrar na produção e distribuição de soja. Os árabes têm mais de R$ 1 bilhão para irrigar o projeto.

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28.12.18
ED. 6023

Ponto final

As seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: ABV, Zurich Airport, Neuberger Berman e Salic.

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