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Planos
03.08.18
ED. 5924

General Shopping se joga no carrinho de Aliansce e Sonae

Uma das maiores operações de M&A já realizadas no mercado brasileiro de shopping centers poderá ter não apenas dois, mas, sim, três protagonistas. A General Shopping surge como o terceiro elemento na operação que vem sendo desenhada pela Aliansce, do empresário Renato Rique, e pela Sonae Sierra Brasil, de origem portuguesa. Os responsáveis pela costura são o norte-americano Jaguar Real Estate Partners e o GIC, fundo soberano de Cingapura.

Sócios da Aliansce, ambos estão dispostos a dar o alicerce financeiro para a operação. A tríplice fusão daria origem a um grupo com 44 empreendimentos e valor de mercado de quase R$ 5 bilhões. Em número de shoppings, a nova companhia assumiria a ponta do mercado no país, à frente da BR Malls, com 39 centros de compra.

Procurada, a Sonae confirmou que “iniciou tratativas para uma potencial combinação de negócios com a Aliansce”, mas não há acordo firmado. Aliansce e General Shopping não se pronunciaram. Neste triângulo societário, o vértice mais frágil é a General Shopping. A família Veronezi, dona da empresa, está disposta a entregar os anéis para garantir sua participação na fusão trançada pela Aliansce e pela Sonae Sierra. Por anéis entenda-se abrir mão do controle e ficar com uma fatia minoritária, em uma venda folheada a fusão. O que está em jogo é a própria sobrevivência dos 15 empreendimentos da General Shopping. A empresa é pressionada por uma dívida líquida de quase R$ 1,8 bilhão, ou praticamente seis vezes o seu Ebitda.

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03.08.18
ED. 5924

Combustível fiscal (e eleitoral)

O diesel é o combustível de uma nova guerra fiscal entre Rio de Janeiro e São Paulo. O governador Marcio França já avalia diminuir a alíquota do ICMS do produto em resposta à redução do tributo no Rio de 16% para 12%, índice cobrado em terras paulistas. Além de evitar perda de arrecadação para o estado vizinho, a medida ainda pode pingar alguns votos no tanque de França.

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03.08.18
ED. 5924

Petrobras e Acron ainda sob impasse

Há arestas a serem aparadas para a venda da unidade de fertilizantes nitrogenados da Petrobras em Três Lagoas (MS) ao russo Acron Group. A mais pontiaguda delas diz respeito ao principal: o valor do negócio. O Acron quer deduzir do preço a cifra de aproximadamente R$ 1,5 bilhão que terá de desembolsar para concluir as obras da planta – ainda faltam aproximadamente 20% do projeto. Outro ponto ainda nebuloso é a obsolescência dos equipamentos já instalados. A construção da unidade está paralisada desde 2014, quando do estouro da Lava Jato.

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03.08.18
ED. 5924

Usucapião

Em seus próximos filmetes publicitários, Henrique Meirelles vai bater bumbo sobre as habitações populares entregues durante sua passagem pelo governo Temer. Meirelles vai praticamente posar de pai do “Minha Casa, Minha Vida”.

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03.08.18
ED. 5924

Modéstia a parte

O Santander, que alardeou a abertura de 80 agências no Brasil ao longo deste ano, terá um 2018 mais modesto. Puxa daqui, aperta dali, deverá parar nas 60 inaugurações.

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03.08.18
ED. 5924

Turbulência

A Zurich Airport caiu como um jumbo sobre os credores de Viracopos, a começar pelo BNDES. Faz pressão por um corte de mais de 80% no passivo da concessionária Aeroportos Brasil, de R$ 3 bilhões. Caso contrário, desiste de assumir a companhia, já em recuperação judicial.

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03.08.18
ED. 5924

Voz tucana

Geraldo Alckmin pode ficar tranquilo. Ou não. Após alguns dias na Europa, FHC retornou anteontem ao Brasil, a tempo de participar da convenção do PSDB amanhã, em Brasília. Espera-se, inclusive, que o Príncipe faça o penúltimo discurso, antes do próprio Alckmin.

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03.08.18
ED. 5924

Candidatos à Presidência não demonstram apetite para falar de fome

Nos primeiros anos da década de 60, o dramaturgo Augusto Boal encenou nas ruas uma peça argentina intitulada “Ninguém pode passar fome”. Fiel ao seu teatro do oprimido, Boal levou a obra às ruas, convidando os populares para interpretar o papel dos esfaimados. Ainda não havia Betinho por aqui, e sua perfeita tradução da magreza, com o seu bordão “A fome tem pressa”.

Boal e Betinho, iluminados pela extensa literatura regionalista que elevava a inanição à categoria maior e tendo a juventude a rebo- que, empurraram a batalha contra a fome decibéis acima de obras clássicas, tais como Graciliano Ramos e seu Vidas Secas. A fome parecia, então, ter entrado definitivamente na pauta política. É nesse caldeirão de luta social que o jovem Fernando Henrique foibeber e pareceu gostar. Anos depois, repaginado, FHC colocou a fome dentro do seu programa de governo como uma cereja em um sundae. Fez a versão preliminar do Bolsa Família, bem pobrezinha e acanhada. Seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, era um operário operístico e tinha a injustiça do Nordeste à flor da pele.

Embalou bem embalada a fome no programa Bolsa Família de FHC, fez ajustes e o turbinou devidamente. Aos poucos a fome foi saindo do palco. Diminuiu. Em um certo tempo chegou a ficar pequena, acusam os mapas da pobreza. Mas ainda grassa pelas regiões mais pobres do país configurando um abominável eczema social. O RR foi dar uma espiada se os atuais presidenciáveis acham o tema merecedor da sua atenção. Pois bem, pesquisa feita no Google com os principais candidatos – Geraldo Alckmim, Ciro Gomes, Jair Bolsonaro e Marina Silva – revela que a fome foi banalizada na campanha.

Se a decisão de não tratar do assunto é resultado de pesquisa de opinião feita pelos candidatos, ela revela que o eleitor não quer ouvir falar sobre barriga vazia. Isto em um momento no qual o Brasil volta a figurar no mapa da fome da ONU. O RR analisou as 50 primeiras páginas dos sites de busca onde os presidenciáveis falam sobre assuntos generalizados. A palavra fome foi mencionada em 2% das 200 páginas, cada uma com mais de uma dezena de matérias. Os candidatos Ciro e Marina foram os que mais falaram essa palavra profunda e oca, que exprime mais o vazio de humanidade do que o jejum compulsório do aparelho gástrico. Como que combinados, mencionaram 1% a dita cuja.

Militar acostumado a ranchos fartos, Bolsonaro citou a fome em 0,1% dos seus pronunciamentos. Saciado, com acesso aos bons restaurantes dos Jardins, Itaim e Vila Madalena, Alckmim não quis saber do estômago alheio. Citou zero vez a gigantesca palavra fome. Isso não é para o seu padrão social. Há algo de sintomático quando os candidatos esquecem a mais humilhante forma de miserabilidade.

É estranho também a mais gritante desonra nacional não estar na boca dos incontáveis movimentos sociais, que defendem individualidades, gêneros híbridos, direitos de aborígenes, borboletas, jabutis, matas, animais de toda a espécie, negros, pardos, haitianos, etc etc etc, menos o direito de não morrer de fome. Talvez o imperativo de evitar que crianças se alimentem de barro, velhas morram desidratadas e homens urrem de dor com as úlceras construídas na parede estomacal pela produção demasiada de suco gástrico devido ao vazio alimentar, tenha simplesmente ficado demodê. Parece haver uma perda da primazia do dar de comer em relação a todas as demais funções que o Estado deve exercer. Basta ver o imperativo cínico do “farinha pouca, meu pirão primeiro”. A farinha que sobra para os deserdados é a farinha do desprezo. Como dizia Brecht, “enquanto houver fome, não há moral”.

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03.08.18
ED. 5924

Ponto final

As seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: Santander, Petrobras, Zurich Airport e Aeroportos Brasil.

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