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Planos
27.04.17
ED. 5607

O processo de Ricardo K aprisiona o “vendedor de soluções” em seu próprio labirinto

Há um conjunto de percursos intrincados que une como as duas pontas de um novelo o personagem ficcional Joseph K e o real, Ricardo K. O primeiro, protagonista do romance O Processo (“Der Prozess”) de Franz Kafka, é um náufrago em um labirinto burocrático, que remonta ao mito de Sísifo, no qual a iminência da solução é o reencontro com a procura. Já o consultor Ricardo Knoepfelmacher é um construtor de labirintos, para onde conduz empresas com a dúbia intenção de mostrar-lhes a luz ou desorientá-las.

Como que em um jogo de espelhos borgeanos entre dois mundos, Joseph é vítima em estado permanente, o estereótipo da impotência; e Ricardo, assumido ou não, veste o papel de algoz, compreendido este último como alguém que leva o outro ao fracasso. Ricardo K também é acusado em um processo não ficcional, e decidimos começar seu enredo deste ponto ainda coberto por uma camada de neblina. Segundo fonte da própria CVM, a autarquia vai julgar até setembro o Processo Administrativo Sancionador no 03/2011, que apura supostas irregularidades contábeis na Brasil Telecom (BrT) durante a gestão de Ricardo K, presidente da operadora entre 2006 e 2008.

A administração da BrT à época é acusada de ter fraudado balanços ao não contabilizar cerca de R$ 2 bilhões, a valores de então, em contingências judiciais referentes a ações movidas por titulares de Planos de Expansão de telefonia (PEX). Segundo parecer do Comitê de Termo de Compromisso da CVM, “a contabilização dos processos PEX entre 2006 e 2008 não foi feita de acordo com as normas contábeis tanto no que se refere à valoração quanto à classificação de risco”. A bola de neve rolou para a contabilidade da Oi, que, em 2008, por ocasião da criação da “supertele”, incorporou a BrT sem que as provisões estivessem lançadas nos demonstrativos da companhia.

Curiosamente, o mesmo K se apresenta agora no papel de curandeiro da operadora de telefonia, como se pudesse apagar a sua contribuição para a crise financeira da empresa. A CVM não se deixou desorientar pelos labirintos construídos por K. O reestruturador de empresas tentou um Termo de Compromisso pelo qual pagaria R$ 150 mil para se livrar da acusação de má gestão e suposta fraude contábil. No entanto, o Colegiado da autarquia negou o acordo, em agosto do ano passado, abrindo caminho para o julgamento do executivo.

Talvez o maior talento de K seja percorrer os labirintos que cria ocultando os fracassos que leva às costas. Na Bertin Energia, para onde foi em 2011, levado sob as bênçãos do doleiro Lucio Funaro, chegou prometendo renegociar as dívidas e colocar de pé as usinas arrematadas pela empresa nos leilões da Aneel. Não fez nem uma coisa nem outra.

Hoje, a agência reguladora cobra da companhia cerca de R$ 6,25 bilhões pelo descumprimento de contratos na área de geração. Na EBX, Mister K fez um de seus mais espetaculosos truques de prestidigitação. Foi recebido como uma divindade e afastado sob a pecha de inepto. No caso da OGX, para a qual prestou serviços entre agosto de 2013 e janeiro de 2015, estima-se que K e sua trupe tenham amealhado mais de R$ 80 milhões.

O ex-presidente da Rhodia e sócio de K na consultoria MGDK, Edson Musa, costumava dizer, quando se apartaram, que reestruturar empresas era extremamente mais fácil do que reestruturar a confiança no ex-parceiro. Enquanto busca respostas para seu processo, K evolui da criação de caminhos unidirecionais para a construção de um panóptico, espécie de cárcere perfeito onde pode criar problemas para a saúde econômica-financeira de empresas como se fossem bálsamos reestruturantes. O objetivo é aprisionar a Oi por todos os lados e fazer a captura da companhia. Pode ser que mais uma vez não tenha êxito. Em qualquer das hipóteses, sua interferência já prejudica a empresa.

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27.04.17
ED. 5607

Os dois gumes da Previdência

A divulgação de que, mesmo com as concessões feitas na reforma da Previdência, da ordem de R$ 200 bilhões, a economia de gastos em 20 anos alcançará R$ 2 trilhões (cinco vezes mais do que o previsto para a primeira década) está sendo vista pelos analistas sob dois ângulos: o governo está se antecipando ao eventual muxoxo do mercado, na medida em que a perda de R$ 200 bilhões pode ser tecnicamente maior e comprometer desde já as expectativas em relação ao cumprimento do teto dos gastos; ou o governo estaria se antecipando a novas concessões, criando, assim, o ambiente para que mesmo um arremedo de reforma possa ser considerado bastante positivo. O RR continua com a mesma opinião: não interessa qual reforma e, sim, aprovar qualquer reforma da Previdência, até porque, independentemente do resultado, ainda haverá um segundo e terceiro rounds depois das eleições de 2018. E com essa elasticidade toda, alguma reforma vai acabar sendo aprovada. Se não o governo Temer vai para o espaço.

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27.04.17
ED. 5607

A ginástica pré-eleitoral de Bernadinho

Bernardinho tem sido aconselhado a se afastar da Body Tech, da qual é sócio e conselheiro. Talvez seja recomendável manter distância de Alexandre Accioly, fundador da rede de academias. Segundo o depoimento de executivos da Odebrecht, Aécio Neves teria usado contas do amigo Accioly no exterior para o recebimento de propinas. Bernardinho, não custa lembrar, acaba de deixar o ninho tucano para se abrigar no Partido Novo.

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27.04.17
ED. 5607

O entardecer de Paulo Cunha

Uma lenda no meio empresarial, Paulo Cunha, presidente do Conselho do Grupo Ultra, está deixando o cargo, segundo o informante do RR. Considerado o maior industrialista do país, Cunha tem 80 anos. Ele tem dado demonstração de cansaço e exigido mais tempo para si. O empresário foi fiel durante toda a vida a duas companhias: a Petrobras e a Grupo Ultra, para onde se transferiu em 1967. Promoveu duas viradas sensacionais na empresa, consolidando sua liderança no mercado de gás e o seu ingresso na distribuição de combustíveis. Cunha foi convidado para ser ministro por Fernando Henrique Cardoso e Lula. Não aceitou em ambas. Em uma das suas últimas entrevistas, disse “nunca ter visto o Brasil tão sem esperança quanto hoje”. Vai caminhar com altivez e lentamente para o crepúsculo. Mas sempre haverá tempo para o aconselhamento do grupo empresarial. Afinal, Cunha e Ultra continuam indissociáveis.

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27.04.17
ED. 5607

Mar de sargaço

A Petrobras teria desistido da construção da plataforma P-71, a cargo da Ecovix. Será um duro golpe para o estaleiro gaúcho, em recuperação judicial, e seus mais de dois mil funcionários.

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27.04.17
ED. 5607

Caçando “não políticos”

Luiza Helena Trajano, controladora do Magazine Luiza, tem sido cortejada por partidos à caça de políticos que não são “políticos”.

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27.04.17
ED. 5607

Um sócio para Christiani-Nielsen

Uma das mais tradicionais construtoras do Rio, a Carioca Christiani-Nielsen busca um sócio. A Lava Jato arrasou a empreiteira. E a falência do estado completou o serviço.

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27.04.17
ED. 5607

Maracanã II

O Flamengo tem muito a agradecer ao secretário da Casa Civil do Rio de Janeiro, Christino Áureo. Ninguém trabalhou tanto quanto Áureo para convencer o governador Pezão a retomar a concessão do Maracanã e realizar uma nova licitação. Fez lembrar o empenho de outro ocupante da Casa Civil, Regis Fichtner, condutor da concorrência que colocou o estádio nas mãos da Odebrecht e de Eike Batista.

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27.04.17
ED. 5607

Ponto final

Procuradas pelo RR, as seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: Petrobras, Ecovix e Carioca.

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