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Planos
01.09.16
ED. 5446

Por que Lemann diz que não faz política?

 Se estivesse em um tribunal, Jorge Paulo Lemann poderia até ser acusado de perjúrio devido à declaração de que passou a vida “fugindo da política”. Assim é se lhe parece, diria Pirandello. A escolinha de marketing do professor Lemann, especializada em autopropaganda, construiu uma interpretação de interesse pessoal para a expressão “fugir da política”. Ela está restrita a não disputar eleição ou ocupar cargo público, evitar aparições ao lado de prefeitos, governadores e parlamentares e passar ao largo de convescotes partidários. Não consta da cartilha a interferência no processo eleitoral por meio de financiamento de campanha, a articulação de uma bancada parlamentar defensora dos seus interesses e o uso do processo eleitoral como ferramenta do fortalecimento do lobby empresarial. Se o quesito ao qual não queria se referir for este último, Lemann provou mais uma vez que o sucesso e a hipocrisia caminham lado a lado em sua trajetória. Desde que foi criada, a AmBev sempre se destacou como uma peça influente no xadrez eleitoral, ao despejar ao longo do tempo centenas de milhões de reais em doações de campanha. A presença da companhia no jogo político só não é maior do que o seu empenho em encobrir tamanha participação. Ao menos é o que se depreende ao pesquisar o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).  Vasculhar os números relativos às doações de campanha da cervejeira exige algum contorcionismo. No sistema eletrônico de prestação das contas eleitorais de 2014, do TSE, não há menções nominais à AmBev. O RR também pesquisou por outros termos que poderiam remeter à companhia, como “American”, “Beverage”, “Distribuidora”, “Logística”, “Cervejaria”, mas os resultados passaram longe da empresa. Consta, conforme registros na mídia, que o grupo se vale de outras razões sociais – a exemplo das subsidiárias Londrina Bebidas e CRBS S/A. Procurada pelo RR, a AmBev não se pronunciou até o fechamento da edição.  Se o objetivo da AmBev era a discrição, o uso desses biombos jamais surtiu o efeito desejado. É público que, nas eleições de 2014, a cervejeira ocupou um notável quarto lugar no ranking das doações corporativas, com R$ 41 milhões. Conforme amplamente noticiado à época, a empresa repassou aproximadamente R$ 6,7 milhões às três principais chapas que concorreram à Presidência da República. Sabe-se ainda que a AmBev desembolsou cerca de R$ 11,7 milhões que ajudaram a eleger 76 deputados federais de 19 partidos. Nem é preciso se dar a tanto trabalho. A declaração de Lemann não resiste a uma rápida consulta no Google. Ontem, por volta das 19h30, o site de buscas listava aproximadamente 173 mil resultados vinculando a AmBev ao termo “financiamento de campanha”. Lemann “foge da política”, mas se empenha em eleger a bancada do funil. Só falta dizer que os seus interesses e os de suas empresas caminham em direções distintas. Hipocrisia!

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01.09.16
ED. 5446

Chinês no páreo

 Além do Itaú e do Santander, o China Construction Bank entrou na disputa pelos ativos do Citi no Brasil. O grupo já tem um pé no país desde 2013, quando comprou 72% do BicBanco. Independentemente do vencedor do páreo, o Citi espera anunciar a operação até o fim de setembro.

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01.09.16
ED. 5446

Benchmarking

 Ontem, logo após a votação em separado do impeachment e da inelegibilidade de Dilma Rousseff, Eduardo Cunha recebeu dezenas de telefonemas de saudação de aliados. Há a certeza de que ele será cassado. E a convicção de que voltará à Câmara em dois anos e meio.

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01.09.16
ED. 5446

Santo de casa

 A Amaggi, grupo de agribusiness do ministro Blairo Maggi, tem interesse em disputar a concessão da “Ferrogrão”. Mas só se o governo confirmar o financiamento do BNDES para o projeto, orçado em quase R$ 12 bilhões. A ferrovia, de 930 quilômetros, será fundamental para o escoamento da produção de grãos do Centro-Oeste.

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01.09.16
ED. 5446

The judge

 O ex-presidente Lula espera uma declaração favorável de Joaquim Barbosa nos próximos dias. Mas não são favas contadas.

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01.09.16
ED. 5446

Abengoa

„  A Abengoa elegeu o Brasil para pagar o dízimo maior na tentativa de evitar a falência na Espanha, seu país de origem. Além da devolução das linhas de transmissão da subsidiária, em recuperação judicial, vai se desfazer das três usinas sucroalcooleiras penduradas na Abengoa Bioenergia. A controlada está fora do processo judicial, mas carrega dívida líquida perto de R$ 1 bilhão. A negociação mais avançada é com a norte-americana Green Plains, ainda sem negócios no Brasil. • Procuradas pelo RR, as seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: Abengoa.

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01.09.16
ED. 5446

Rumo à Chesf

 O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, está cotadíssimo para assumir o comando da Chesf, no lugar de José Carlos de Miranda, no cargo desde junho do ano passado.

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01.09.16
ED. 5446

Monica de Bolle

 “Maldita seja eu se uma única reforma passar no Congresso”. Apud Monica de Bolle, musa de viés do RR.

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01.09.16
ED. 5446

Cartão fidelidade

 A Celesc está sofrendo um apagão comercial. Só no segundo trimestre deste ano, 59 clientes industriais pararam de comprar energia da distribuidora catarinense e migraram para o mercado livre.

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01.09.16
ED. 5446

Estoril

 A portuguesa Vila Galé tem prontinho um projeto para instalar um cassino em seu resort em Fortaleza. Consultada pelo RR, a empresa nega o plano. Entende-se. Até os suspiros sobre o assunto são mantidos em total sigilo para não despertar reações da concorrência.

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01.09.16
ED. 5446

Trem pagador

 Na tentativa de reduzir a ociosidade da fábrica de Contagem, em Minas Gerais, que funciona hoje a menos de 50% da sua capacidade, a GE Transportation bateu à porta do BNDES. Busca um financiamento para um contrato de exportação de locomotivas da ordem de R$ 500 milhões. • Procuradas pelo RR, as seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: GE Transportation.

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