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Planos
14.07.16
ED. 5411

O crepúsculo dos deuses da estatização

 O secretário Moreira Franco parece ter lido a Filosofia do Martelo, de Friedrich Nietzsche. Moreira, assim como o filósofo alemão, quer bater na estátua de barro das concessões e privatizações para que ela tilinte como moeda, mesmo com o risco de quebrá-la. O tempo das marteladas no Estado brasileiro vai ter início com a votação do impeachment de Dilma Rousseff. A partir daí, às favas com os pruridos. O governo terá de emitir uma sinalização aguda. Entregar dedos e anéis. Pode ser redução do valor cobrado pela outorga, alívio na Taxa Interna de Retorno (TIR), diminuição das restrições à liberdade tarifária, apoio financeiro ao seguro garantia, desobstrução dos entraves ambientais, muita grana barata (não há mais dúvida que o BNDES voltará a ser o banco das privatizações) e desembaraço regulatório. A percepção é que Dilma deificou as dificuldades, afastando os investidores e construindo uma rota de fuga para aqueles que da boca para fora queria atrair.  O governo Temer só tem essa bala de prata: contratar o maior número de concessões e privatizações jamais visto na história deste país. Ou seja, fazer o Dilma III, só que com êxito. Dilma tentou o PAC e leilões e licitações, mas deixando o investidor na sala dos fundos. Temer, levado nas asas do querubim Moreira, vai alojar o investidor na sua cama. Há nessa decisão afinidade ideológica, racionalidade política e acerto com o empresariado pelo apoio ao impeachment. Uma parcela do ajuste fiscal teria de ser paga com a privatização e transferência do Estado. A lógica da desestatização é oportuna, no caso também oportunista, mas não tem nada a ver com fantasias lisérgicas de que o FBI estaria por trás de tudo – apud PT. Temer pretende entregar mais do que o bureau norte-americano jamais teria imaginado. Isso vale tanto para o número de projetos quanto para a intensidade dos leilões de oferta de ativos, cobranças mais baixas pelo Estado e liberdade de ações para os vencedores dos certames.  Mesmo nas áreas onde há resistência corporativa forte, a exemplo de Petrobras e Eletrobras, a ideia é forçar a venda de 100% de empresas controladas, tais como BR e Furnas, que, por serem emblemáticas, entrariam também na conta do efeito demonstração. Para os que pensam na contramão, más notícias: os preços de liquidação dos ativos no Brasil vão trazer, sim, interessados; uma grande parte desses investidores será composta por aqueles grupos esquisitos russos, chineses, árabes e africanos; o tal choque de eficiência previsto será grande parte em cima do emprego; e a dinheirama com a venda será impressionante em termos absolutos e decepcionante em termos relativos. Essas preocupações primitivas com entreguismo, qualidade dos parceiros e preço de banana estão banidas do governo Temer. Se depender do secretário Moreira Franco, que parece ter lido Nietzsche, mais precisamente o Crepúsculo dos Deuses – a outra face da Filosofia do Martelo – mitos existem para serem quebrados. E ele o fará a golpes de malho.

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14.07.16
ED. 5411

Pegar ou largar

 A Citrosuco decidiu colaborar para tirar Emerson Fittipaldi da sua delicada situação financeira. A proposta é que o ex-piloto se torne sócio da companhia, com uma pequena participação e algum dinheiro no bolso. Em troca, ele entregaria a fazenda de laranja que tem em São Paulo e emprestaria o nome a uma nova linha de produtos para exportação sem receber pelo uso da marca. • As seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: Citrosuco e Fittipaldi.

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14.07.16
ED. 5411

Ideia terrestre

 O senador amazonense Eduardo Braga vai acabar viajando de carro de boi. Braga não só fez campanha contra o projeto de venda de 100% das ações das companhias aéreas, como discorda do limite de participação de 49%. Se não tiver dinheiro de fora, não tem como tornar as aéreas viáveis. Só se financiá-las com dinheiro do BNDES ou com a verba do Congresso Nacional.

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14.07.16
ED. 5411

Máquina de lucro

 Apenas seis meses após recomprar a rede de idiomas WiseUp da antiga Abril Educação, o empresário Flavio Augusto da Silva teria sobre a mesa uma oferta do Carlyle. O valor seria superior a R$ 500 milhões. Ressalte-se que Silva pagou R$ 390 milhões pelo ativo, três anos após vendê-lo por quase R$ 900 milhões. • As seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: Wise Up.

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14.07.16
ED. 5411

Remédio amargo

• Assumir o controle da moribunda Neobus não é o único remédio amargo tomado pela Marcopolo. Por informação enganosa prestada ao Cade sobre a operação – leia-se a omissão de uma controlada do grupo –, a maior fabricante de carrocerias do país recebeu uma multa do órgão. Além disso, a companhia ainda terá de reduzir o parque fabril da nova controlada para começar a arrumar a casa. O corte deverá atingir a planta do México. Procurada, a Marcopolo confirmou o pagamento da multa ao Cade. A empresa nega o fechamento da fábrica mexicana.

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 O PT do Rio está virando às costas à ideia de apoiar a candidatura de Jandira Feghali (PCdoB) à Prefeitura. Culpa das gravações de Sergio Machado.

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14.07.16
ED. 5411

Pedaço a pedaço

 Ainda há Deutsche Bank no Brasil? Após transferir para Nova York as equipes de operações estruturadas e renda variável, o banco alemão estaria extinguindo a área de M&A no país. • As seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: Deutsche Bank.

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 Após se desfazer das ações na CPFL, a Camargo Corrêa vai se dedicar a uma operação bem mais complexa: a venda da sua participação no Estaleiro Atlântico Sul . • As seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: Camargo Corrêa.

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14.07.16
ED. 5411

Chapa única

 Ontem à tarde, poucas horas antes da eleição para a presidência da Câmara, Rogério Rosso (PSD-DF) ainda encontrava tempo para fazer corpo a corpo pelo adiamento da votação do processo de cassação de Eduardo Cunha na Comissão de Constituição e Justiça.

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14.07.16
ED. 5411

Quem procura…

 Parlamentares do PMDB das regiões Norte e Nordeste – encabeçados por Jader Barbalho e Renan Calheiros – tentam demover Michel Temer da ideia de fazer uma auditoria no Banco da Amazônia e no Banco do Nordeste.

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