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Planos

  Michel Temer reza todos os dias pelo impeachment de Dilma Rousseff. A mudança do Palácio do Jaburu para o Alvorada representa bem mais do que um projeto de poder. Significa também a conquista de um salvo-conduto, ainda que simbólico. Colocar a faixa de Presidente da República seria o mais convincente aceno a Sergio Moro e seus procuradores para que deixassem suas denúncias em banho-maria, pois o país não suportaria outro processo de impedimento.  Temer é citado na Lava Jato por uma suposta participação em um esquema de propina vinculado à compra irregular de etanol pela BR Distribuidora. A história de que o vice-presidente recebeu por muitos anos uma mesada informal da estatal já virou lugar-comum, mas essa não seria sua única travessura. Ele teria reinado na Cia. Docas de Santos, uma informação igualmente requentada, não constasse da delação de Delcídio do Amaral. Por meio de sua assessoria, o vice-presidente Michel Temer nega as acusações.  Temer está convicto de que a Presidência da República é um antibiótico de largo espectro. Mesmo porque ele deverá se deparar com um quadro bem mais favorável, marcado pelo arrefecimento da crise política e por um Congresso novamente domável. Na economia, ele herdaria um momento de melhorias já contratadas no governo Dilma, em razão do aumento dos investimentos estrangeiros, do crescimento das exportações e da queda da inflação.  Com relação à mídia, por sua vez, a expectativa é de um noticiário igualmente mais ameno. Sem a queda de Dilma, entretanto, Temer é candidato a um distúrbio neurovegetativo. Fica difícil imaginar que o vice sairá ileso caso a Lava Jato siga no trilho atual. Segundo o RR apurou, a delação de Delcídio do Amaral avançou muitas jardas em relação às denúncias feitas pelo exdiretor da BR João Augusto Henriques, preso desde setembro – vide RR edição 28/ 9. De acordo com uma fonte, Delcidio revelou em novos depoimentos que Temer teria se beneficiado do esquema da BR por mais de uma década. Os pagamentos teriam se iniciado antes da nomeação de Henriques para a diretoria da estatal e perdurado mesmo após a sua saída do cargo. Ainda segundo o informante do RR, Delcídio informou que os recursos repassados a Temer giravam em torno de R$ 70 mil por mês.  A princípio, se comparado aos valores bilionários que caracterizam a Lava Jato, a cifra soa como modesta. Mas, partindo-se da denúncia de que o esquema durou mais de 10 anos, uma conta matemática simples mostra que o vice-presidente teria recebido algo superior a R$ 8 milhões. Ainda segundo a fonte do RR, Temer não seria o único figurão alvejado pela revelação do propinoduto da BR. De acordo com Delcídio, Eduardo Cunha e o então presidente do PMDB em Minas Gerais, o deputado federal Fernando Diniz, já falecido, também se favoreciam do esquema do etanol.

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22.03.16
ED. 5332

Delatar ou não delatar?

Mesmo com o relaxamento da prisão de José Carlos Bumlai por questões de saúde, seus familiares insistem para que o pecuarista feche um acordo de delação premiada. O maior temor dos parentes é que seu filho mais velho, Mauricio Bumlai, seja inapelavelmente arrastado para a Lava Jato. Mais de metade dos bens do empresário está também no nome do primogênito. Com os números que têm nas mãos, os procuradores federais podem fazer um estrago. Segundo as investigações, o patrimônio de José Carlos Bumlai saiu de R$ 3,8 milhões em 2004 para R$ 270 milhões em 2012, sem que houvesse a comprovação de renda suficiente para justificar o aumento no período.

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22.03.16
ED. 5332

Campo minado

 A Petrobras está sentada em um megacampo de petróleo na área do pré-sal, segundo fonte da companhia. A estatal conta, reconta e não divulga a descoberta. Em outras épocas, um fato como esse jogaria água fria na fervura política, mas pode ser que a boa nova sequer venha à tona na gestão de Dilma Rousseff. Por ora, de anúncio mesmo só o prejuízo de R$ 35 bilhões em 2015.

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22.03.16
ED. 5332

Fogo baixo

O Grupo Edson Queiroz, mais conhecido por seus negócios na área de mídia e no setor de educação, procura um comprador para a Esmaltec. A fabricante de fogões e geladeiras acumula um prejuízo de R$ 120 milhões nos últimos dois anos. Além disso, a estimativa é de que só neste ano a família tenha de aportar R$ 40 milhões para o pagamento de dívidas. A Esmaltec não quis comentar o assunto.

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22.03.16
ED. 5332

Vidas cruzadas

A título de curiosidade: Sergio Moro não só foi assessor de Rosa Weber em 2012 como, à época, chegou a entrar na Justiça contra a Universidade Federal do Paraná para ajustar sua carga horária de aulas e, assim, poder trabalhar com a ministra no STF. Quatro anos depois, Rosa é a relatora do pedido de habeas corpus do mais famoso dos investigados por Moro.

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22.03.16
ED. 5332

Pouso forçado

A Helibras, que até outro dia não conseguia dar conta de suas encomendas por helicópteros, estuda alugar parte do seu complexo industrial para outras empresas. A fábrica de Itajubá (MG) opera com 50% de ociosidade, índice que tende a aumentar na medida em que os pedidos em carteira forem entregues. A empresa ainda não confirmou.

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22.03.16
ED. 5332

Three Gorges

A chinesa Three Gorges é candidata a ficar com as linhas de transmissão da Abengoa no Brasil.

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22.03.16
ED. 5332

Bota fora

Além da venda das nove distribuidoras federalizadas, a Eletrobras estuda reduzir sua participação em outras empresas para fazer caixa. A derrama começaria pela Celesc.

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22.03.16
ED. 5332

Bacia das almas

A russa Rusagro está garimpando usinas de álcool e açúcar no interior de São Paulo.

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22.03.16
ED. 5332

Portas fechadas

A deserção de Andrea Matarazzo já é página virada. Agora, a preocupação do comando do PSDB em São Paulo é evitar que o ex-tucano arraste para o PSD vereadores e deputados estaduais.

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