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Planos
20.10.15
ED. 5230

CSN e Usiminas fazem duelo de perdedoras

   Por mais de uma década, CSN e Usiminas disputaram o rali do protagonismo no setor de aços planos. No caminho, Benjamin Steinbruch chegou a cogitar a aquisição da concorrente – ficou com 17% fora do bloco de controle, que acabou se tornando parte do problema e não da solução. As duas empresas mantêm a sina de concorrer entre si, mas agora competem em outra modalidade, o enduro das desgraçadas, uma corrida às avessas na qual o objetivo é chegar em segundo, ou melhor, jamais cruzar a linha fatal. O cronômetro também gira na contramão, numa contagem regressiva que entra em seu momento crucial. No curto prazo, CSN e Usiminas terão de enfrentar situações decisivas para o seu futuro, como endividamento, redefinições estratégicas, venda de ativos e mudanças societárias.  A premissa para o reequilíbrio financeiro das duas empresas é a repactuação de seus massacrantes passivos. A Usiminas tem um caminho menos pedregoso; claro, no comparativo com a CSN. A dívida líquida chegou a R$ 4,8 bilhões em agosto – 3,7 vezes o Ebitda. Esse índice ultrapassou os covenants acordados com os credores (3,5 vezes). Por ora, os bancos concederam um waver à Usiminas e não vão pedir a liquidação antecipada das dívidas ou executar as garantias. Ou seja: a siderúrgica está nas mãos dos credores como nunca esteve. Mas não tanto quanto a CSN.  O endividamento líquido da CSN é de R$ 22 bilhões, ou 5,6 vezes o Ebitda. Vai piorar. Bancos de investimentos ja soltaram relatórios indicando que esse índice deverá chegar a sete vezes até o fim do ano. A recente renegociação dos débitos com BB e Caixa apenas descomprimiu o curto prazo, empurrando vários pagamentos para o período entre 2018 e 2022. Há quem questione se a CSN saiu mesmo ganhando, pois já tinha R$ 17 bilhões em compromissos que vencem nesse intervalo.  Para os males causados pelo alto endividamento, a dupla do aço derretido só tem o remédio da venda de ativos. A CSN tem mais lenha para queimar, incluindo a Usiminas. Avaliações preliminares apontam que a venda dos 17% da siderúrgica mineira, do excedente de ações na MRS , do Tecon Sepetiba e de duas hidrelétricas, além de outros ativos, poderia render cerca de R$ 5 bilhões. Ainda restaria a Steinbruch a hipótese de se desfazer de sua pedra mais preciosa: os ativos de mineração. O problema é o timing: essas participações estão muito depreciadas, a começar pela Usiminas – no ano, suas ações caíram 30%. Se, nesse aspecto está ruim para a CSN, imaginem para a Usiminas que praticamente só tem a si própria como ativo.  A CSN tem outra vantagem: é empresa de um dono só. O que Steinbruch decidir está decidido. Já Minas Gerais é um território conflagrado. A Usiminas é uma empresa rachada ao meio entre Nippon Steel e Techint, inimigas, o que torna praticamente impossível qualquer decisão corporativa de maior peso. Não por acaso, muitos defendem que o soerguimento da companhia depende da mudança do controle.  O fato é que as diferenças entre Usiminas e CSN mais aproximam do que afastam. Quanto mais aceleram maior a sensação de que uma está acorrentada à outra e suas raias se cruzarão definitivamente em algum ponto. Neste pega ao reverso, é grande a probabilidade de que o vencedor, na verdade o perdedor, caia na rede do perdedor, neste caso o real vencedor, viabilizando, por uma via invertida, a mais lógica e esperada fusão da siderurgia nacional. Seria uma associação de aleijados, em que um se escoraria no outro. Que outra solução?

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20.10.15
ED. 5230

Bola de cristal

 O ex-presidente do BC Henrique Meirelles tem dado algumas pistas do que faria se fosse ministro da Fazenda em suas colunas semanais. Mas não é louco de contar que tentaria aprovar uma emenda constitucional, com validade de dois anos, em caráter de urgência, não permitindo que os gastos do orçamento da República superem os recursos arrecadados pela União. Os cortes valeriam inclusive para as despesas de pessoal.

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Dan Conrado, ex-presidente da Previ e homem de confiança de Aldemir Bendine, é pule de dez para assumir a presidência da Gaspetro, que reúne os ativos de distribuição de gás da Petrobras. A empresa encontra-se com 49% do seu capital à venda. Conrado só entra quando a operação for fechada.

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20.10.15
ED. 5230

Mea culpa

José Berenguer, nº 1 do JP Morgan no Brasil, e a direção do grupo estão se estranhando. O motivo é a inclusão do banco no cartel investigado pelo Cade de manipulação das taxas de câmbio. Berenguer quer que o JP Morgan faça um acordo de leniência como foi feito nos Estados Unidos. Se conseguir convencer os chefes, não será o primeiro. O UBS saiu na frente.

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20.10.15
ED. 5230

Siameses

 Artur Falk, que vive em uma agitada ponte aérea Rio-Moscou, tem frouxos de riso toda vez que ouve sobre o flagrante dado nas contas offshore de Eduardo Cunha. Falk e Cunha ensaiaram uma série de negócios nos anos 80. É uma incógnita se alguns desses estranhos negócios prosperaram. Mas Falk ri bastante dos infortúnios do velho parceiro.

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20.10.15
ED. 5230

Capitão Asa

 Frederico Curado, Ozires Silva e Cia. preparam uma homenagem a Julio Bozano, que tomou para si a Embraer pagando com um monte de títulos podres. Na ocasião, ninguém queria adquirir a empresa, que era chamada de ferro velho do setor aeronáutico.

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20.10.15
ED. 5230

Safran

 A francesa Safran, que está no topo do mercado mundial de defesa e segurança, decidiu puxar o freio de mão no Brasil. A principal medida contracionista será juntar as quatro empresas do grupo na Safran do Brasil, com os inevitáveis cortes administrativos e operacionais

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20.10.15
ED. 5230

Casco furado

 A acusação contra a Samsung Heavy Industries de pagamento de propina na venda de navios para a Petrobras jogou um balde de água fria nas pretensões do grupo. O alto comando decidiu investigar o caso e suspender a compra de um estaleiro no país.

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20.10.15
ED. 5230

Cetip

 A decisão do Detran de São Paulo de abrir o mercado de registro de contratos de financiamento de veículos está fazendo escola para desespero da Cetip, a dona do pedaço. Minas Gerais, Bahia e outros estados nordestinos deverão seguir na mesma direção, o que deverá tirar nacos importantes da receita da companhia norte-americana.

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